Uma operação que mobilizou rodovias, portos e rios por mais de 3 mil quilômetros. Assim foi a travessia de 635 toneladas de equipamentos rumo ao coração da floresta amazônica, em uma jornada que envolveu planejamento milimétrico, desafios ambientais e uma verdadeira dança entre engenharia e logística. A responsável por liderar essa façanha foi a WEG, multinacional brasileira com sede em Jaraguá do Sul (SC), referência global em soluções para energia e automação.
A missão: entregar três transformadores de grande porte e dezenas de acessórios ao município de Silves (AM), no Norte do Brasil. A entrega era parte do projeto Azulão, uma iniciativa bilionária do setor energético que promete injetar 950 megawatts (MW) de energia no sistema nacional, a partir da exploração de gás natural na região.
Uma jornada multimodal
A logística começou em Betim (MG), onde os transformadores foram cuidadosamente acondicionados e distribuídos em 24 caminhões. Da cidade mineira, os veículos seguiram por rodovias até o Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, onde a carga foi consolidada para embarque marítimo.
Leia também:
Exportando cultura de caminhões para a China: Uma parte importante da Scania
Noma do Brasil amplia portfólio de produtos com a linha Work Series
Do litoral fluminense, as cargas seguiram por navio até Belém (PA), utilizando o Porto de Outeiro. A precisão nos prazos era crucial, já que a etapa seguinte — fluvial — dependia diretamente das condições de navegabilidade da bacia amazônica, afetada por uma estiagem histórica.
Desafio amazônico: vencer a seca dos rios
A etapa final, e mais crítica, foi a travessia pelos rios amazônicos, entre Belém e Silves. Com os níveis das águas em baixa, a operação exigiu acompanhamento constante das condições da bacia, além de cálculos rigorosos sobre o peso da carga e o calado das embarcações. Um erro poderia significar encalhe, atrasos ou até a perda de equipamentos essenciais para o projeto Azulão.
“Foi um trabalho de precisão e sinergia. Nada poderia sair do planejado”, relata um dos engenheiros envolvidos na operação.
Muito mais que logística
Mais do que um desafio técnico, a entrega representava um ponto crucial para o cronograma do projeto Azulão, que movimenta cerca de R$ 5,8 bilhões em investimentos. Os transformadores entregues são peças-chave para a infraestrutura de geração de energia no estado do Amazonas. Qualquer falha colocaria em risco semanas — senão meses — de trabalho e bilhões em investimentos.
Para garantir o sucesso, a WEG contou com a parceria da gigante de logística Maersk e uma rede de fornecedores e operadores especializados em transporte de cargas pesadas, navegabilidade fluvial e engenharia de risco. Tudo isso com respeito às especificidades ambientais da região, sem comprometer os ecossistemas sensíveis da floresta.
Força industrial brasileira
A travessia das 635 toneladas até Silves não foi apenas um feito logístico — foi uma demonstração da força industrial do Brasil. A WEG, que começou como uma pequena empresa em Santa Catarina, mostrou mais uma vez sua capacidade de liderar projetos de alta complexidade, mesmo em regiões de difícil acesso.
Ao conectar engenharia de ponta, sensibilidade ambiental e uma logística de guerra, a empresa reforça sua posição como protagonista do desenvolvimento energético e da infraestrutura nacional.
No fim, mais do que transformar componentes em energia, a operação simboliza a capacidade brasileira de transformar desafios em soluções — e sonhos em realidade.


