Não basta produzir caminhões sustentáveis. É preciso contratá‑los, colocá‑los para rodar e assumir o protagonismo da própria descarbonização. Esse é a mensagem que a Volvo do Brasil enviou à redação da Frota News. A fabricante sueca passa contratar frotas mais limpas em sua própria operação logística — movimento que se soma a outras iniciativas do setor destacadas nesta reportagem. Confira:
Nesse cenário, a Volvo adicionou três novos Volvo FH B100 Flex à logística de peças que abastece sua fábrica em Curitiba (PR). Os veículos, adquiridos pela Transdotti Transportes, operam com biodiesel 100% renovável, evitando a emissão de até 370 toneladas de CO₂ por ano. A iniciativa reforça a estratégia da montadora de descarbonizar seus próprios processos industriais, que já incluem caminhões Volvo FM Electric em rotas de média distância e o uso de Diesel Verde R5 no primeiro abastecimento dos veículos produzidos.
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Os novos modelos foram apresentados à Transdotti no Logistics Suppliers Day 2025, evento dedicado aos fornecedores da marca. A transportadora identificou nos FH B100 Flex a solução ideal para rotas longas — trechos ainda inviáveis para caminhões elétricos.
“Estamos continuamente reduzindo as emissões de CO₂ no fluxo de transporte de componentes que vêm para nossa fábrica. Agora, os caminhões B100 Flex vão cobrir rotas longas”, afirma Aline Gaensly, head de compras de serviços logísticos da Volvo.

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Classificados como NEVs (New Energy Vehicles), os FH B100 Flex utilizam motor de tecnologia que permite rodar com Biodiesel B100 ou diesel convencional. Segundo a Volvo, o uso de biodiesel puro pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂ no ciclo poço‑à‑roda.
“Colocar esses veículos na logística de nosso complexo industrial comprova a viabilidade do produto em qualquer tipo de aplicação”, destaca Alexandre Mohr, gerente de produto para combustíveis alternativos da Volvo.
Para viabilizar a operação, a Transdotti instalou um tanque exclusivo de B100 em sua matriz, em Colombo (PR). Cada caminhão deve rodar cerca de 10 mil quilômetros por mês, transportando peças de fornecedores paulistas até Curitiba.
Transportadoras transformam sustentabilidade em vantagem comercial
A pressão dos embarcadores — especialmente multinacionais — fez com que frotas verdes se tornassem diferencial competitivo. Em alguns casos, já influenciam diretamente o valor do frete. Abaixo, três exemplos:
- Reiter Log: opera caminhões a gás e biometano da Scania e renegocia contratos com base em métricas ambientais. Mais da metade dos contratos já inclui critérios ESG. A empresa firmou acordo com a Coca-Cola FEMSA para operar 36 caminhões, incluindo unidades a biometano. No portfólio de clientes contratos similares estão Natura, Sonepar Brasil, Suzano e Beiersdorf
- Coopercarga: utiliza caminhões elétricos em distribuição urbana, prioriza combustíveis limpos e certificações como LEED em suas estruturas. A estratégia atrai embarcadores com metas ambientais rígidas. A cooperativa também atende a Natura com caminhões a gás.
- A Marcopolo também estimula práticas sustentáveis em sua cadeia. Um exemplo indireto é a aquisição do micro-ônibus Fly 10 GV a biometano pela Viação Giratur, utilizado no transporte de funcionários da fabricante de carrocerias gaúcha.
O mercado começa a reavaliar preços: operações de baixo carbono já recebem remuneração superior, especialmente em cadeias globais pressionadas por compromissos públicos de descarbonização.
Transdotti reforça compromisso ambiental
Rumo aos 50 anos de atuação, a Transdotti mantém forte presença no setor automotivo, com 350 caminhões, dos quais 65% são Volvo. A empresa opera no Sul e Sudeste e desenvolve iniciativas ambientais como: Programa Green Fleet, com 80% da frota Euro 5/Euro 6; otimização de rotas e ocupação dos veículos; e área verde de 100 mil m² em Quatro Barras (PR) destinada ao replantio de árvores para compensação de CO₂.
“Para nós, é uma excelente oportunidade de desenvolver algo inovador com a força da marca Volvo. Essa é uma parceria estratégica”, afirma Affonso Dotti Neto, CEO da Transdotti.
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