Relatório de materialidade 2025-2026 da transportadora, analisado pela reportagem da Frota News, indica que saúde e segurança operacional,
redução de emissões e transição energética passam a orientar decisões
sobre frota e motoristas. Mas sentimos falta de dados para confirmar as afirmações…
O recurso do “mas com reticências” funciona como gancho para despertar a curiosidade do leitor. E, no caso da Coopercarga, ele faz sentido: apesar dos avanços apresentados, ainda faltam números e dados mais objetivos. No Relatório de Materialidade 2025–2026, a empresa detalha como enxerga suas políticas de definição de frota e outras diretrizes de gestão — informações que se tornam cada vez mais relevantes em contratos que buscam remunerações mais justas, como os firmados com embarcadores do porte de Natura, Ambev, BRF e Klabin.
O que distância a subjetividade da objetidade são os números!
O contexto recente reforça essa importância. O Ministério dos Transportes e a ANTT apontaram Ambev e BRF (hoje MBRF) como as companhias mais autuadas pelo descumprimento da tabela do Piso Mínimo do Frete. A Coopercarga, porém, não aparece entre as citadas pelos órgãos públicos. Cabe às embarcadoras apresentarem sua defesa — algo que, até agora, não ocorreu — o que acabou fortalecendo a posição do ministro Renan Filho e do presidente da ANTT, Guilherme Theo Sampaio.
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Neste Relatório de Materialidade 2025-2026, a Coopercarga não apresenta números objetivos de caminhões a gás, caminhões elétricos ou tamanho de frota por tecnologia.

A leitura da publicação mostra que, embora o relatório seja institucional e de governança, ele traz sinais de como a empresa pretende orientar sua operação de transporte: com mais foco em segurança viária, monitoramento de consumo, eficiência energética, controle de emissões e engajamento dos motoristas próprios e agregados.
Entre os nove temas materiais definidos pela empresa, o item de maior relevância foi “saúde e a segurança das pessoas em todos os níveis da operação”, com pontuação de 1.663, à frente de direitos humanos, ética e transparência. Em um operador logístico com forte presença no transporte rodoviário, essa escolha tem efeito direto sobre a gestão da frota: envolve desde políticas de prevenção de acidentes até treinamento de condutores, controle de jornada, redução de fadiga e revisão de protocolos operacionais.
O alinhamento desse tema com padrões internacionais também mostra por que ele é tão importante. No padrão GRI, a Coopercarga relaciona essa prioridade a dois indicadores: um que trata do acompanhamento da saúde e segurança no trabalho e outro que fala sobre o treinamento dos colaboradores nessas áreas. Já no padrão SASB, o assunto aparece ligado a métricas específicas do transporte rodoviário, como a taxa de incidentes registrados e o número total de acidentes envolvendo funcionários durante o trabalho.
Entendeu tudo? Por que não publicar um relatório compreensível pelo motorista e por toda a sociedade? A Frota News poderia traduzir os “jargões” do relatório, mas isso é papel de ESG da Coopercarga, ter uma comunicação clara para toda a sociedade. O papel jornalístico da Frota News é analisar a opinar para que a Coopercarga seja democrática na comunicação dela, atualizando as informações desatualizadas do site e que os seus relatórios sejam mais simples na linguagem.
Na prática, para uma transportadora, isso significa que a agenda ESG deixa de ser apenas reputacional e passa a ter desdobramentos objetivos sobre a operação da frota: telemetria, programas de direção segura, prevenção de sinistros, monitoramento de riscos ocupacionais e qualificação contínua de motoristas ganham status de tema estratégico.
Motoristas próprios e agregados entram no radar da governança
Um dos pontos mais relevantes do relatório para o setor é o peso dado aos profissionais diretamente ligados à operação rodoviária. Entre os 176 participantes da segunda etapa do processo de materialidade, 47 eram motoristas da Coopercarga (26,7%) e 6 eram motoristas agregados (3,4%). Somados, eles representam 30,1% dos respondentes, um percentual expressivo para um estudo desse tipo. Além disso, colaboradores responderam por 44,3% da amostra.
Esse dado é especialmente importante porque mostra que a definição das prioridades ESG não ficou restrita ao topo da companhia. A empresa ouviu justamente quem está na ponta da operação e convive diariamente com os desafios da estrada, do consumo de combustível, da manutenção e da segurança.
No padrão Frota News, esse é um sinal que merece atenção: quando motoristas próprios e agregados passam a influenciar a materialidade, a tendência é que a gestão de frotas avance para um modelo mais conectado à realidade operacional, com decisões mais aderentes a temas como: redução de acidentes; ergonomia e bem-estar do condutor; padronização operacional; manutenção preventiva; eficiência de rotas; menor ociosidade dos ativos; e melhor uso de combustíveis alternativos.
Emissões e transição energética entram no núcleo da operação
A agenda ambiental tem seu espaço no relatório e, mais uma vez, aparece diretamente conectada à operação da frota. O quarto tema mais relevante identificado pela Coopercarga é a redução das emissões de gases de efeito estufa e a mitigação das mudanças climáticas, que somou 1.645 pontos na matriz de materialidade. Logo atrás, com 1.632 pontos, surge a transição energética impulsionada por inovação tecnológica — outro eixo considerado central para o futuro da empresa e exigência de alguns embarcadores, como a Natura, já citada.
No padrão SASB, o foco se aproxima ainda mais da realidade da frota: o relatório menciona emissões brutas de Escopo 1, estratégias de curto e longo prazo para gestão de emissões e, sobretudo, o consumo total de combustível, detalhando a participação de gás natural e de fontes renováveis.
Em recente visita à Natura, a reportagem da Frota News conversou com a vice-presidente de Logística, Josie Romero, que nos revelou que já trabalha para o Escopo 3, o que significa aumentar as exigências dos fornecedores, incluindo os de transportes. Questionamos a executiva sobre os ônibus a transição energética dos ônibus de fretamento, e ela foi direta: já temos 28 caminhões a gás fazendo a nossas logística dentro de São Paulo, já temos o postos e está no nosso radar que a frota de ônibus que faz o fretamento de nossos colaboradores sejam movidos a energia sustentável, como o biometano.

Em termos práticos para o setor de transporte, a Coopercarga indica que a performance da frota tende a ser acompanhada por métricas como: consumo por quilômetro rodado, intensidade energética por tonelada transportada, participação de combustíveis renováveis, emissões por operação e eficiência das rotas sob critérios ambientais e econômicos.
Na análise da Frota News é de que a Coopercarga seja mais pontual em números no próximo relatório. Métricas são feitas com números e não com adjetivos.
Combustíveis renováveis
Embora o relatório de materialidade não seja um inventário operacional detalhado, ele traz uma pista importante ao afirmar que a Coopercarga já adota práticas voltadas à redução de impactos ambientais, com destaque para uso de combustíveis renováveis e otimização de rotas.
No universo de gestão de frotas, esses dois elementos são decisivos. O primeiro aponta para uma possível ampliação de estratégias envolvendo diesel de menor intensidade de carbono, biocombustíveis, blends renováveis e, futuramente, gás natural/biometano ou outras soluções compatíveis com determinadas rotas e perfis de carga. No próximo relatório, a Coopercarga poderá enriquecer os argumentos com dados.
O segundo — otimização de rotas — conversa diretamente com a agenda de eficiência. Roteirização mais inteligente reduz: quilometragem ociosa; tempo parado; consumo de combustível; desgaste de componentes; emissões por entrega; e custo total da operação.
Por mais que faltem números e dados no relatório da Coopercarga, poucas empresas tem a transparência que a empresa tem. Para quem acompanha a Coopercarga há anos consegue acreditar que nos próximos relatórios teremos mais dados, pois a evolução dos relatórios são nítidos ano após ano. E mais do que isso, é presenciar o trabalho da Coopercarga e o depoimento dos clientes de forma espontânea.
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