sábado, março 28, 2026

Coopercarga prioriza frota de caminhões mais eficiente, segura e alinhada à descarbonização, mas…

Relatório de materialidade 2025-2026 da transportadora, analisado pela reportagem da Frota News,  indica que saúde e segurança operacional,
redução de emissões e transição energética passam a orientar decisões
sobre frota e motoristas. Mas sentimos falta de dados para confirmar as afirmações…

O recurso do “mas com reticências” funciona como gancho para despertar a curiosidade do leitor. E, no caso da Coopercarga, ele faz sentido: apesar dos avanços apresentados, ainda faltam números e dados mais objetivos. No Relatório de Materialidade 2025–2026, a empresa detalha como enxerga suas políticas de definição de frota e outras diretrizes de gestão — informações que se tornam cada vez mais relevantes em contratos que buscam remunerações mais justas, como os firmados com embarcadores do porte de Natura, Ambev, BRF e Klabin.

O que distância a subjetividade da objetidade são os números!

O contexto recente reforça essa importância. O Ministério dos Transportes e a ANTT apontaram Ambev e BRF (hoje MBRF) como as companhias mais autuadas pelo descumprimento da tabela do Piso Mínimo do Frete. A Coopercarga, porém, não aparece entre as citadas pelos órgãos públicos. Cabe às embarcadoras apresentarem sua defesa — algo que, até agora, não ocorreu — o que acabou fortalecendo a posição do ministro Renan Filho e do presidente da ANTT, Guilherme Theo Sampaio.

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Neste Relatório de Materialidade 2025-2026, a Coopercarga não apresenta números objetivos de caminhões a gás, caminhões elétricos ou tamanho de frota por tecnologia.

Coopercarga
A logística entre CDs da Natura é feita com caminhões a gás da Reiter Log e Coopercarga, com frete cerca de 15% superior ao de caminhões a diesel, segundo fontes dos bastidores. Foto: Marcos Villela

A leitura da publicação mostra que, embora o relatório seja institucional e de governança, ele traz sinais de como a empresa pretende orientar sua operação de transporte: com mais foco em segurança viária, monitoramento de consumo, eficiência energética, controle de emissões e engajamento dos motoristas próprios e agregados.

Entre os nove temas materiais definidos pela empresa, o item de maior relevância foi “saúde e a segurança das pessoas em todos os níveis da operação”, com pontuação de 1.663, à frente de direitos humanos, ética e transparência. Em um operador logístico com forte presença no transporte rodoviário, essa escolha tem efeito direto sobre a gestão da frota: envolve desde políticas de prevenção de acidentes até treinamento de condutores, controle de jornada, redução de fadiga e revisão de protocolos operacionais.

O alinhamento desse tema com padrões internacionais também mostra por que ele é tão importante. No padrão GRI, a Coopercarga relaciona essa prioridade a dois indicadores: um que trata do acompanhamento da saúde e segurança no trabalho e outro que fala sobre o treinamento dos colaboradores nessas áreas. Já no padrão SASB, o assunto aparece ligado a métricas específicas do transporte rodoviário, como a taxa de incidentes registrados e o número total de acidentes envolvendo funcionários durante o trabalho.

Entendeu tudo? Por que não publicar um relatório compreensível pelo motorista e por toda a sociedade? A Frota News poderia traduzir os “jargões” do relatório, mas isso é papel de ESG da Coopercarga, ter uma comunicação clara para toda a sociedade. O papel jornalístico da Frota News é analisar a opinar para que a Coopercarga seja democrática na comunicação dela, atualizando as informações desatualizadas do site e que os seus relatórios sejam mais simples na linguagem.

Na prática, para uma transportadora, isso significa que a agenda ESG deixa de ser apenas reputacional e passa a ter desdobramentos objetivos sobre a operação da frota: telemetria, programas de direção segura, prevenção de sinistros, monitoramento de riscos ocupacionais e qualificação contínua de motoristas ganham status de tema estratégico.

Motoristas próprios e agregados entram no radar da governança

Um dos pontos mais relevantes do relatório para o setor é o peso dado aos profissionais diretamente ligados à operação rodoviária. Entre os 176 participantes da segunda etapa do processo de materialidade, 47 eram motoristas da Coopercarga (26,7%) e 6 eram motoristas agregados (3,4%). Somados, eles representam 30,1% dos respondentes, um percentual expressivo para um estudo desse tipo. Além disso, colaboradores responderam por 44,3% da amostra.

Esse dado é especialmente importante porque mostra que a definição das prioridades ESG não ficou restrita ao topo da companhia. A empresa ouviu justamente quem está na ponta da operação e convive diariamente com os desafios da estrada, do consumo de combustível, da manutenção e da segurança.

No padrão Frota News, esse é um sinal que merece atenção: quando motoristas próprios e agregados passam a influenciar a materialidade, a tendência é que a gestão de frotas avance para um modelo mais conectado à realidade operacional, com decisões mais aderentes a temas como: redução de acidentes; ergonomia e bem-estar do condutor; padronização operacional; manutenção preventiva; eficiência de rotas; menor ociosidade dos ativos; e melhor uso de combustíveis alternativos.

Emissões e transição energética entram no núcleo da operação

A agenda ambiental tem seu espaço no relatório e, mais uma vez, aparece diretamente conectada à operação da frota. O quarto tema mais relevante identificado pela Coopercarga é a redução das emissões de gases de efeito estufa e a mitigação das mudanças climáticas, que somou 1.645 pontos na matriz de materialidade. Logo atrás, com 1.632 pontos, surge a transição energética impulsionada por inovação tecnológica — outro eixo considerado central para o futuro da empresa e exigência de alguns embarcadores, como a Natura, já citada.

No padrão SASB, o foco se aproxima ainda mais da realidade da frota: o relatório menciona emissões brutas de Escopo 1, estratégias de curto e longo prazo para gestão de emissões e, sobretudo, o consumo total de combustível, detalhando a participação de gás natural e de fontes renováveis.

Em recente visita à Natura, a reportagem da Frota News conversou com a vice-presidente de Logística, Josie Romero, que nos revelou que já trabalha para o Escopo 3, o que significa aumentar as exigências dos fornecedores, incluindo os de transportes. Questionamos a executiva sobre os ônibus a transição energética dos ônibus de fretamento, e ela foi direta: já temos 28 caminhões a gás fazendo a nossas logística dentro de São Paulo, já temos o postos e está no nosso radar que a frota de ônibus que faz o fretamento de nossos colaboradores sejam movidos a energia sustentável, como o biometano.

Coopercarga
Josie Romero, VP de Logística da Natura

Em termos práticos para o setor de transporte, a Coopercarga indica que a performance da frota tende a ser acompanhada por métricas como: consumo por quilômetro rodado, intensidade energética por tonelada transportada, participação de combustíveis renováveis, emissões por operação e eficiência das rotas sob critérios ambientais e econômicos.

Na análise da Frota News é de que a Coopercarga seja mais pontual em números no próximo relatório. Métricas são feitas com números e não com adjetivos.

Combustíveis renováveis

Embora o relatório de materialidade não seja um inventário operacional detalhado, ele traz uma pista importante ao afirmar que a Coopercarga já adota práticas voltadas à redução de impactos ambientais, com destaque para uso de combustíveis renováveis e otimização de rotas.

No universo de gestão de frotas, esses dois elementos são decisivos. O primeiro aponta para uma possível ampliação de estratégias envolvendo diesel de menor intensidade de carbono, biocombustíveis, blends renováveis e, futuramente, gás natural/biometano ou outras soluções compatíveis com determinadas rotas e perfis de carga. No próximo relatório, a Coopercarga poderá enriquecer os argumentos com dados.

O segundo — otimização de rotas — conversa diretamente com a agenda de eficiência. Roteirização mais inteligente reduz: quilometragem ociosa; tempo parado; consumo de combustível; desgaste de componentes; emissões por entrega; e custo total da operação.

Por mais que faltem números e dados no relatório da Coopercarga, poucas empresas tem a transparência que a empresa tem. Para quem acompanha a Coopercarga há anos consegue acreditar que nos próximos relatórios teremos mais dados, pois a evolução dos relatórios são nítidos ano após ano. E mais do que isso, é presenciar o trabalho da Coopercarga e o depoimento dos clientes de forma espontânea.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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