A Tatra Trucks é a terceira mais antiga fabricantes de caminhões e tem a sua matriz na República Tcheca. Desde 2023, a empresa criou uma subsidiária no Brasil, a Tatra Brasil, também denonimada TatraBras. Ela assumiu a gestão de toda a operação latino‑americana, desativou o projeto de fábrica em Ponta Grossa (PR) e decidiu adiar a chegada da linha civil Phoenix, focando 100% na gama militar Force em um mercado de renovação de frota de defesa pouco disputado.
A estratégia militar se apoia também na vantagem regulatória: caminhões de defesa não precisam atender ao Euro 6/Proconve P8, permitindo o uso de motores Euro 3 com emissões equivalentes a Euro 5, enquanto a futura linha Phoenix civil só virá ao País já em padrão Euro 6, possivelmente apoiada em parceria com a DAF e rede Paccar, em data ainda não definida.
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Enquanto isso…
A engenharia da Tatra avança com novos eixos para os modelos. Confira esta novidade no artigo do jornalista Milan Olšanský, editor da revista Magazine Transport da República Tcheca e nosso colega no International Truck of the Year:
Em produção em série de eixos com redução
No ano passado, a Tatra introduziu na produção em série eixos com o chamado “planeta verdadeiro”. Um projeto completamente novo das reduções nas rodas substitui a solução original com o chamado “planeta incorreto”, que era utilizado nos veículos Tatra desde 1967. As novas reduções nas rodas contribuem significativamente para a unificação da produção de eixos e reduzem o esforço sobre o restante do trem de força do veículo.
Os novos eixos entraram na fase de produção em série após sete anos intensivos de desenvolvimento e testes, tanto dentro da própria fabricante de caminhões quanto junto a clientes em operação real. A solução de projeto com o chamado “planeta verdadeiro” já havia sido discutida anteriormente. Por exemplo, em 2010, trabalhos de conclusão de curso sobre esse tema foram elaborados por estudantes da VŠB, em Ostrava.
Guarda oposta, rotação oposta
O conceito de chassi dos veículos Tatra trabalha com um chassi de tubo central que abriga os eixos de transmissão. Cada roda motriz (diferentemente da concorrência) possui seu próprio conjunto de engrenagens de disco, que forma uma roda de disco com um pinhão. Isso resulta na disposição estrutural dos semieixos, que são deslocados entre si em 51 mm.
Na versão padrão, sem reduções nas rodas, o semieixo esquerdo fica à frente do direito. Por outro lado, na versão com reduções nas rodas, o semieixo direito fica à frente do esquerdo, o que se deve ao fato de que, até agora, os eixos Tatra utilizavam a chamada solução de engrenagem planetária falsa. Nessa solução, a engrenagem “solar” na extremidade externa do eixo de transmissão engatava engrenagens “satélites” montadas de forma fixa, porém giratórias, por meio das quais fazia girar o cabeçote da roda do eixo. Essa solução invertia o sentido de rotação, o que era a razão do deslocamento oposto dos semieixos em comparação com os eixos sem reduções nos cubos das rodas.
Solução radicalmente nova
A nova solução de projeto com o chamado “planeta correto” significa que a engrenagem “solar” engata as engrenagens “satélites”, que não apenas giram em torno de seu próprio eixo, mas também giram juntamente com toda a gaiola. O resultado é, entre outras coisas, a unificação do deslocamento do semieixo esquerdo à frente do direito — o mesmo que nos eixos sem reduções. Isso leva a diversos benefícios construtivos.
Primeiramente, trata-se da unificação dos chassis dos veículos (o mesmo deslocamento para todos), da unificação dos componentes de direção e suspensão e da unificação dos eixos como um todo. A solução original de reduções nos cubos das rodas também oferecia capacidade de torque limitada, invertia o sentido de rotação das rodas e carregava de forma um tanto desigual as engrenagens planetárias. A nova solução com o “planeta correto” proporciona carregamento uniforme das engrenagens planetárias, maior capacidade de torque, não inverte o sentido de rotação das rodas, garante lubrificação perfeita dos satélites e de todo o sistema de redução planetária e reduz significativamente as temperaturas dos cubos das rodas.
A relação de transmissão total para os eixos com “planeta correto” foi ligeiramente reduzida para 5,98 em comparação com a original de 6,33, sendo alteradas tanto a relação de transmissão no diferencial quanto na seção da roda. Um dos motivos para essa leve redução da relação total foi a possibilidade, anteriormente inexistente, de utilizar eixos com reduções nas rodas para operação rodoviária de longo prazo no importante mercado civil australiano, onde a velocidade máxima dos caminhões é limitada a 100 km/h.
Um grande benefício é também a ampliação da oferta de eixos com reduções nas rodas na versão com freios a disco, enquanto até agora os eixos com freios a disco eram produzidos apenas na versão sem redução. A nova solução de projeto também permite oferecer eixos direcionais com capacidade de carga de até 12 t (eixos não direcionais podem ter capacidade de carga de até 16 t — dependendo do sistema de suspensão combinada KING FRAME selecionado). Os novos eixos agora estão disponíveis em versões com largura máxima de 2500 ou 3000 mm. A maior largura do eixo traz um nível mais elevado de estabilidade, por exemplo, em veículos multieixos (cinco eixos) com alto peso total, especialmente ao bascular uma carroceria de construção relativamente longa.
A suspensão pneumática de todos os eixos do veículo, sua alta capacidade de carga e as duas larguras disponíveis são vantagens competitivas dos caminhões pesados Tatra, assim como todo o conceito de chassi. O “Planeta Correto” é um passo significativo em direção a um nível mais alto de unificação do projeto dos veículos Tatra. Ele traz maior valor agregado ao cliente final na forma de maior vida útil e menores custos operacionais e de manutenção.
O novo projeto de eixo da Tatra está, naturalmente, disponível para ambas as principais linhas de produção de veículos, ou seja, Phoenix e Force.
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