quarta-feira, janeiro 28, 2026

O que explica a subida do Brasil no ranking mundial de caminhões em 2025

Mesmo com retração na produção, país avança no ranking global em meio à desaceleração de mercados tradicionais

Mesmo com a queda de 9,2% nos emplacamentos e o recuo de 12,1% na produção, o Brasil voltou a ganhar uma posição no ranking mundial de produção de caminhões em 2025. O que ajudou o país a garantir a sexta colocação global foi o avanço de 50,8% nas exportações, além da queda de outros países.

Os dados, acumulados até o terceiro trimestre, foram divulgados pela Organização Internacional de Fabricantes de Veículos Automotores (OICA). Os números reforçam a resiliência da indústria brasileira em um cenário internacional marcado pela retração nos mercados maduros.

A consolidação dos dados finais de produção de 2025 deve ser divulgada pela OICA até o final deste trimestre. A entidade informa que a consolidação dos números de vendas ocorre em prazo mais longo. Até o momento, o portal oficial apresenta apenas as estatísticas fechadas de 2024. Ainda assim, os números já divulgados pela Anfavea, associação que representa as montadoras no Brasil e é filiada à OICA, indicam que o país deve manter a sexta posição no ranking mundial no fechamento das estatísticas de produção do ano passado.

O avanço no ano passado ocorre após o país ter encerrado 2024 na sétima posição e reflete um cenário de forte ajuste em mercados concorrentes, especialmente na América do Norte e na Europa.

Entre janeiro e setembro de 2025, as fabricantes instaladas no Brasil produziram 98.632 caminhões, volume 4% inferior ao registrado no mesmo período de 2024, quando foram fabricadas 102.611 unidades. Ainda assim, a queda brasileira foi menos intensa do que a observada em outros polos tradicionais, o que permitiu a melhora relativa no ranking.

Produção global cresce puxada pela Ásia

No acumulado até setembro, a produção mundial de caminhões alcançou 2,81 milhões de unidades, crescimento de 3% na comparação anual. Esse avanço, porém, foi sustentado quase exclusivamente pela região da Ásia-Oceania, que apresentou alta expressiva de 13% no período.

A China segue como líder absoluta do ranking, com 1,46 milhão de caminhões produzidos, avanço de 17% frente a 2024. Na sequência aparecem Japão, com 364.394 unidades, e Índia, com 245.418 caminhões. Esses três mercados concentram grande parte da produção global e seguem impulsionados por demanda doméstica, políticas industriais e renovação acelerada de frotas.

Resiliência brasileira em meio à retração nos mercados maduros

O avanço do Brasil no ranking não está associado a um ciclo de expansão, mas sim à resiliência relativa da indústria nacional diante de um cenário internacional adverso. Na América do Norte, a produção de caminhões pesados acumulou queda de 29% até setembro. Os Estados Unidos registraram retração de 26%, o México recuou 34% e o Canadá apresentou a queda mais acentuada, de 45%.

Na Europa, o cenário também foi de contração. A produção de caminhões recuou 17%, pressionada por uma combinação de fatores estruturais: desaceleração econômica, custos elevados de energia, juros ainda restritivos e incertezas regulatórias ligadas à transição ambiental, que têm levado montadoras e frotistas a postergar investimentos.

Esse contexto abriu espaço para que o Brasil avançasse uma posição, mesmo com números absolutos inferiores aos do ano anterior.

Polo dominante na América do Sul

Apesar do ajuste em 2025, o Brasil mantém uma posição importante no mapa global da indústria de caminhões, principalmente, nas marcas de origem europeia, como Mercedes-Benz, Volvo, Scania, DAF e Iveco.

No recorte continental das Américas, o Brasil aparece atrás apenas de Estados Unidos e México, reforçando sua condição de principal polo industrial do segmento na região, com capacidade instalada robusta, presença de grandes montadoras globais e cadeia de fornecedores consolidada.

Comparação histórica reforça relevância do setor

Na leitura histórica, o desempenho brasileiro segue relevante. A produção acumulada até setembro de 2025 permanece bem acima do nível registrado em 2023, quando o país havia fabricado apenas 71,7 mil caminhões no mesmo intervalo — um reflexo direto da crise de demanda e do aperto nas condições de crédito naquele período.

A recuperação iniciada em 2024 levou o Brasil a fechar o ano passado com 141.252 unidades produzidas, resultado que garantiu ao país a sétima posição no ranking mundial e sinalizou uma retomada gradual do setor, ainda que distante dos picos históricos.

Expectativa para o fechamento de 2025

Vale destacar que o ranking divulgado é parcial e considera apenas os dados até o terceiro trimestre. O fechamento oficial de 2025 deverá ser consolidado entre fevereiro e março, quando os números do quarto trimestre forem incorporados pela OICA.

Até lá, a posição relativa do Brasil pode sofrer ajustes, dependendo do desempenho de outros grandes produtores no encerramento do ano — especialmente Estados Unidos, México e mercados europeus. Ainda assim, o avanço para a sexta colocação reforça a importância estrutural da indústria brasileira de caminhões, mesmo em um ambiente de menor ritmo de produção.

Ranking mundial de produção de caminhões (jan–set 2025)

China – 1.461.727 unidades
Japão – 364.394 unidades
Índia – 245.418 unidades
Estados Unidos – 194.486 unidades
México – 103.631 unidades
Brasil – 98.632 unidades
Itália – 64.941 unidades
Rússia – 44.080 unidades
Espanha – 29.622 unidades
10º Turquia – 24.774 unidades

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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