Mesmo com retração na produção, país avança no ranking global em meio à desaceleração de mercados tradicionais
Mesmo com a queda de 9,2% nos emplacamentos e o recuo de 12,1% na produção, o Brasil voltou a ganhar uma posição no ranking mundial de produção de caminhões em 2025. O que ajudou o país a garantir a sexta colocação global foi o avanço de 50,8% nas exportações, além da queda de outros países.
Os dados, acumulados até o terceiro trimestre, foram divulgados pela Organização Internacional de Fabricantes de Veículos Automotores (OICA). Os números reforçam a resiliência da indústria brasileira em um cenário internacional marcado pela retração nos mercados maduros.
A consolidação dos dados finais de produção de 2025 deve ser divulgada pela OICA até o final deste trimestre. A entidade informa que a consolidação dos números de vendas ocorre em prazo mais longo. Até o momento, o portal oficial apresenta apenas as estatísticas fechadas de 2024. Ainda assim, os números já divulgados pela Anfavea, associação que representa as montadoras no Brasil e é filiada à OICA, indicam que o país deve manter a sexta posição no ranking mundial no fechamento das estatísticas de produção do ano passado.
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O avanço no ano passado ocorre após o país ter encerrado 2024 na sétima posição e reflete um cenário de forte ajuste em mercados concorrentes, especialmente na América do Norte e na Europa.
Entre janeiro e setembro de 2025, as fabricantes instaladas no Brasil produziram 98.632 caminhões, volume 4% inferior ao registrado no mesmo período de 2024, quando foram fabricadas 102.611 unidades. Ainda assim, a queda brasileira foi menos intensa do que a observada em outros polos tradicionais, o que permitiu a melhora relativa no ranking.
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Produção global cresce puxada pela Ásia
No acumulado até setembro, a produção mundial de caminhões alcançou 2,81 milhões de unidades, crescimento de 3% na comparação anual. Esse avanço, porém, foi sustentado quase exclusivamente pela região da Ásia-Oceania, que apresentou alta expressiva de 13% no período.
A China segue como líder absoluta do ranking, com 1,46 milhão de caminhões produzidos, avanço de 17% frente a 2024. Na sequência aparecem Japão, com 364.394 unidades, e Índia, com 245.418 caminhões. Esses três mercados concentram grande parte da produção global e seguem impulsionados por demanda doméstica, políticas industriais e renovação acelerada de frotas.
Resiliência brasileira em meio à retração nos mercados maduros
O avanço do Brasil no ranking não está associado a um ciclo de expansão, mas sim à resiliência relativa da indústria nacional diante de um cenário internacional adverso. Na América do Norte, a produção de caminhões pesados acumulou queda de 29% até setembro. Os Estados Unidos registraram retração de 26%, o México recuou 34% e o Canadá apresentou a queda mais acentuada, de 45%.
Na Europa, o cenário também foi de contração. A produção de caminhões recuou 17%, pressionada por uma combinação de fatores estruturais: desaceleração econômica, custos elevados de energia, juros ainda restritivos e incertezas regulatórias ligadas à transição ambiental, que têm levado montadoras e frotistas a postergar investimentos.
Esse contexto abriu espaço para que o Brasil avançasse uma posição, mesmo com números absolutos inferiores aos do ano anterior.
Polo dominante na América do Sul
Apesar do ajuste em 2025, o Brasil mantém uma posição importante no mapa global da indústria de caminhões, principalmente, nas marcas de origem europeia, como Mercedes-Benz, Volvo, Scania, DAF e Iveco.
No recorte continental das Américas, o Brasil aparece atrás apenas de Estados Unidos e México, reforçando sua condição de principal polo industrial do segmento na região, com capacidade instalada robusta, presença de grandes montadoras globais e cadeia de fornecedores consolidada.
Comparação histórica reforça relevância do setor
Na leitura histórica, o desempenho brasileiro segue relevante. A produção acumulada até setembro de 2025 permanece bem acima do nível registrado em 2023, quando o país havia fabricado apenas 71,7 mil caminhões no mesmo intervalo — um reflexo direto da crise de demanda e do aperto nas condições de crédito naquele período.
A recuperação iniciada em 2024 levou o Brasil a fechar o ano passado com 141.252 unidades produzidas, resultado que garantiu ao país a sétima posição no ranking mundial e sinalizou uma retomada gradual do setor, ainda que distante dos picos históricos.
Expectativa para o fechamento de 2025
Vale destacar que o ranking divulgado é parcial e considera apenas os dados até o terceiro trimestre. O fechamento oficial de 2025 deverá ser consolidado entre fevereiro e março, quando os números do quarto trimestre forem incorporados pela OICA.
Até lá, a posição relativa do Brasil pode sofrer ajustes, dependendo do desempenho de outros grandes produtores no encerramento do ano — especialmente Estados Unidos, México e mercados europeus. Ainda assim, o avanço para a sexta colocação reforça a importância estrutural da indústria brasileira de caminhões, mesmo em um ambiente de menor ritmo de produção.
Ranking mundial de produção de caminhões (jan–set 2025)
1º China – 1.461.727 unidades
2º Japão – 364.394 unidades
3º Índia – 245.418 unidades
4º Estados Unidos – 194.486 unidades
5º México – 103.631 unidades
6º Brasil – 98.632 unidades
7º Itália – 64.941 unidades
8º Rússia – 44.080 unidades
9º Espanha – 29.622 unidades
10º Turquia – 24.774 unidades


