quarta-feira, janeiro 28, 2026

Reduzir pedágio para caminhões a gás não é gasto — é investimento em logística sustentável

A redução dos pedágios para caminhões a gás natural deveria ser implementada como a próxima política de estímulo à descarbonização do transporte pesado. Isso já ocorre em diversos países, sendo defendida pelo diretor Institucional da Scania para a América Latina, Gustavo Bonini, em entrevistas à imprensa. Como maior fabricante de caminhões a gás no Brasil, é também o primeiro grande fabricante que defende publicamente a ideia, que está em análise pelo governo federal.

Embora a tecnologia do gás seja conhecida e testada há muito tempo para veículos pesados e gere uma economia significativa no gasto com combustível (o custo por quilômetro é cerca de 30% menor que nos caminhões a diesel), a frota a gás começa a aumentar desde que a Scania lançou os primeiros modelos e, agora, outros fabricantes começam a desenvolver seus modelos para entrar neste segmento de caminhões mais sustentáveis.

Leia também:

Porém, para o crescimento em um volume maior ainda há alguns desafios, no entanto, que são vistos como oportunidade para outras indústrias. O primeiro é a falta de infraestrutura para abastecimento nas estradas. Por isso mesmo, alguns governos estaduais e concessionárias de gás têm investido na criação dos chamados “corredores azuis”, onde há postos em distâncias suficientes para garantir o fluxo desses caminhões. No final de julho, o Ministério dos Transportes anunciou que, em 70 novos PPDs (Pontos de Parada e Descanso) que serão construídos até 2027, serão incluídas estruturas para abastecimento por gás natural e gás liquefeito.

Leia a edição 52 da Revista Frota News

O custo menor do pedágio, defendido pela Scania, seria uma maneira de tornar ainda mais interessante economicamente a troca pelos veículos a gás. Segundo a ABiogás, uma política pública estruturada para o transporte pesado é o elemento que falta para deslanchar essas frotas no Brasil. Por enquanto, o número de caminhões movidos a gás natural licenciados e rodando nas rodovias subiu de 721 em 2022 para 2.200 em abril deste ano.

Os principais corredores

A proposta que está sendo analisada a nível federal diminuiria ou eliminaria o valor do pedágio para esses veículos em algumas rotas, inicialmente nos “corredores azuis”. Eles seriam instalados em trajetos como a Via Dutra, que liga o Rio a São Paulo; a Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte; e a BR-163, conhecida como a Rodovia do Agronegócio, que faz o escoamento da produção do agro de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio Grande do Sul. Uma das discussões é se o programa vai prever incentivos para a troca de veículos por novos modelos movidos a gás ou se também vai incentivar a conversão de motores dos já existentes, com a troca do trem de força a diesel pelo a gás, como a MWM Motores já tem feito com algumas frotas, como a do Grupo Sada.

Exemplos de outros países

Vários países já adotam descontos ou isenções de pedágio para veículos com baixas emissões, incluindo caminhões movidos a gás natural. Na Alemanha, veículos classificados como ambientalmente eficientes (EEV) têm desconto de até 15% no pedágio rodoviário; na França, concessionárias como a VINCI oferecem até 10% de redução para veículos com selo ecológico Crit’Air; na Itália, regiões como a Lombardia isentam totalmente caminhões a GNV ou biometano. Índia e Rússia também implementaram isenções temporárias em rodovias estratégicas, enquanto nos Estados Unidos estados como a Califórnia permitem acesso privilegiado a faixas de alta ocupação para veículos limpos. Essas políticas demonstram que o uso de tarifas rodoviárias como incentivo econômico é uma estratégia global consolidada para acelerar a adoção de tecnologias sustentáveis no transporte pesado.

Acompanhe notícias selecionadas que importam para o setor de transporte de carga e logística:
➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast
- Publicidade -
- Publicidade -
Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
- Publicidade -

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Últimas notícias
você pode gostar:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui