A redução dos pedágios para caminhões a gás natural deveria ser implementada como a próxima política de estímulo à descarbonização do transporte pesado. Isso já ocorre em diversos países, sendo defendida pelo diretor Institucional da Scania para a América Latina, Gustavo Bonini, em entrevistas à imprensa. Como maior fabricante de caminhões a gás no Brasil, é também o primeiro grande fabricante que defende publicamente a ideia, que está em análise pelo governo federal.
Embora a tecnologia do gás seja conhecida e testada há muito tempo para veículos pesados e gere uma economia significativa no gasto com combustível (o custo por quilômetro é cerca de 30% menor que nos caminhões a diesel), a frota a gás começa a aumentar desde que a Scania lançou os primeiros modelos e, agora, outros fabricantes começam a desenvolver seus modelos para entrar neste segmento de caminhões mais sustentáveis.
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Porém, para o crescimento em um volume maior ainda há alguns desafios, no entanto, que são vistos como oportunidade para outras indústrias. O primeiro é a falta de infraestrutura para abastecimento nas estradas. Por isso mesmo, alguns governos estaduais e concessionárias de gás têm investido na criação dos chamados “corredores azuis”, onde há postos em distâncias suficientes para garantir o fluxo desses caminhões. No final de julho, o Ministério dos Transportes anunciou que, em 70 novos PPDs (Pontos de Parada e Descanso) que serão construídos até 2027, serão incluídas estruturas para abastecimento por gás natural e gás liquefeito.
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O custo menor do pedágio, defendido pela Scania, seria uma maneira de tornar ainda mais interessante economicamente a troca pelos veículos a gás. Segundo a ABiogás, uma política pública estruturada para o transporte pesado é o elemento que falta para deslanchar essas frotas no Brasil. Por enquanto, o número de caminhões movidos a gás natural licenciados e rodando nas rodovias subiu de 721 em 2022 para 2.200 em abril deste ano.
Os principais corredores
A proposta que está sendo analisada a nível federal diminuiria ou eliminaria o valor do pedágio para esses veículos em algumas rotas, inicialmente nos “corredores azuis”. Eles seriam instalados em trajetos como a Via Dutra, que liga o Rio a São Paulo; a Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte; e a BR-163, conhecida como a Rodovia do Agronegócio, que faz o escoamento da produção do agro de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio Grande do Sul. Uma das discussões é se o programa vai prever incentivos para a troca de veículos por novos modelos movidos a gás ou se também vai incentivar a conversão de motores dos já existentes, com a troca do trem de força a diesel pelo a gás, como a MWM Motores já tem feito com algumas frotas, como a do Grupo Sada.
Exemplos de outros países
Vários países já adotam descontos ou isenções de pedágio para veículos com baixas emissões, incluindo caminhões movidos a gás natural. Na Alemanha, veículos classificados como ambientalmente eficientes (EEV) têm desconto de até 15% no pedágio rodoviário; na França, concessionárias como a VINCI oferecem até 10% de redução para veículos com selo ecológico Crit’Air; na Itália, regiões como a Lombardia isentam totalmente caminhões a GNV ou biometano. Índia e Rússia também implementaram isenções temporárias em rodovias estratégicas, enquanto nos Estados Unidos estados como a Califórnia permitem acesso privilegiado a faixas de alta ocupação para veículos limpos. Essas políticas demonstram que o uso de tarifas rodoviárias como incentivo econômico é uma estratégia global consolidada para acelerar a adoção de tecnologias sustentáveis no transporte pesado.


