O mercado brasileiro de ônibus elétricos encerrou 2025 com um avanço expressivo. Dados acumulados da Fenabrave (associação dos distribuidores de veículos) indicam que foram 849 veículos elétricos emplacados entre janeiro e dezembro, um crescimento de 170,38% em relação a 2024, quando o setor registrou 314 unidades. Este volume já representa 3,5% do total de lincenciamento de ônibus, sinalizando o início de uma escala operacional no transporte coletivo urbano.
Para gestores de frotas de coletivos urbanos, o dado é relevante porque indica a maturação de processos de contratação, financiamento e infraestrutura ao longo do segundo semestre, com entregas concentradas no fechamento do ano.
-
Leia também:
- Caminhões e ônibus fecham 2025 sob pressão dos juros, aponta Anfavea
- Frota News amplia alcance global ao firmar parceria com a Newstex
No acumulado de 2025, a liderança do mercado ficou com a Eletra, responsável por 287 ônibus elétricos emplacados. Em seguida aparecem Mercedes-Benz (222 unidades), BYD (195), Volkswagen Caminhões e Ônibus (55), Higer (29), Volvo (22), Marcopolo (10), Ankai (9) e Scania (1), formando um mercado competitivo entre fabricantes nacionais e internacionais.
Do ponto de vista do operador, a consolidação de fornecedores com base produtiva no Brasil (Eletra, Mercedes-Benz, Marcopolo e Volkswagen) tem impacto direto em pós-venda, disponibilidade de peças, suporte técnico e previsibilidade de custos, fatores críticos para a viabilidade da frota elétrica em operação diária.
Cadeia local e financiamento ganham importância
O crescimento do mercado em 2025 também está ligado ao fortalecimento da cadeia produtiva nacional, incluindo fornecedores de motores, inversores e baterias instalados no País, como é o caso da BorgWarner que montou uma fábrica em Piracicaba, para fornecer sistemas de baterias, como os já utilizados nos ônibus elétricos Mercedes-Benz eO500U.
- Saiba mais: A Frota News conta com uma seção dedicada ao tema descarbonização das frotas com mais de 200 artigos publicados: Frota Sustentável
No campo institucional, programas federais e multilaterais têm papel central. O Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), por exemplo, prevê R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros entre 2024 e 2028, destinados a empresas que investirem em pesquisa, desenvolvimento e novas rotas tecnológicas. A habilitação de fabricantes ligados ao segmento de ônibus elétricos amplia a capacidade de inovação local e tende a acelerar a oferta de novos modelos.
Além disso, o Ministério das Cidades sinaliza a expansão de corredores de alta capacidade eletrificados, como os BRTs metropolitanos, o que pode gerar encomendas em escala e dar maior previsibilidade ao mercado nos próximos anos.
A diretora-presidente da Eletra Industrial, Milena Braga Romano, prevê crescimento da marca para 2026, não apenas pelas unidades já encomendadas e o cenário da eletrificação no Brasil, mas por novidades recém-apesentadas e outras que vão surgir ainda.


