Segundo dados da Fenabrave (entidade que representa as concessionárias), foram 10.523 unidades licenciadas em julho, alta de 25,6% em relação a junho, quando o volume havia sido de 8.347 unidades. O desempenho superou a média mensal registrada no primeiro semestre — cerca de 8,9 mil emplacamentos —, indicando um fôlego maior nas vendas.
Vale lembrar que os dados de emplacamentos representam vendas realizadas até três meses anteriores no caso de caminhões chassis, que são licenciados somente após estiverem com o implemento. No caso dos cavalos mecânicos, até 30 dias anteriores a data da emissão da nota fiscal para os modelos que não passam por nenhum modificação após sair da fábrica.
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No acumulado
No entanto, o crescimento pontual, por enquanto, não anula retração acumulada. Na comparação com julho de 2024, houve queda de 5% (11.079 unidades) e, no acumulado dos sete primeiros meses do ano, o setor soma 63.943 caminhões vendidos, recuo de 3,8% sobre o mesmo período do ano passado (66.504 unidades).
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O presidente da Fenabrave, Arcelio Júnior, avalia que o resultado de julho é “um bom início de semestre”, mas destaca que o mercado continua enfrentando desafios importantes, como o alto custo do financiamento e a cautela de empresas quanto a novos investimentos.
Segundo ele, o maior número de dias úteis no mês e campanhas promocionais adotadas por fabricantes e concessionárias foram decisivos para o avanço. “A redução na expectativa de volume total de emplacamentos para 2025 estimulou fabricantes e concessionários a adotarem postura mais agressiva de vendas para acelerar o giro de estoque”, afirmou.
Revisão das projeções e ajuste de expectativas
A Fenabrave revisou sua projeção para o segmento de caminhões neste ano. A expectativa inicial de crescimento de 4,5% foi substituída por uma queda estimada em cerca de 7%, totalizando aproximadamente 113,5 mil unidades até dezembro.

Há fabricantes que descordam da visão da Fenabrave, como a Mercedes-Benz, Iveco e Volkswagen Caminhões, que registram percentuais positivos, respectivamente, de 13,2%, 8,9% e 1% no primeiro semestre, e estão com prespectiva de encerra 2025 com um crescimento ainda maior.
Por categoria, os caminhões pesados continuam sendo o segmento mais impactado, com retração de 14,3% nas vendas no primeiro semestre. Já os semipesados registraram crescimento de 12,3%, e os médios, de 20,4% — mostrando que a demanda por veículos de menor porte, usados em operações urbanas e regionais, tem compensado parcialmente a desaceleração nos pesados.
Setor automotivo mantém crescimento geral
O avanço nos caminhões acompanha o bom desempenho do setor automotivo em geral. Em julho, foram 458.055 veículos novos emplacados no país, considerando automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus — alta de 11,55% sobre junho e 9,13% sobre julho de 2024.
O segmento de automóveis e comerciais leves também reagiu: foram 229.950 unidades licenciadas, com crescimento de 13,75% sobre junho e 1,18% sobre o mesmo mês do ano anterior. A Fenabrave aponta que parte desse movimento foi impulsionado pelo Programa Carro Sustentável, que reduziu o IPI para modelos de entrada mais eficientes, estimulando as vendas.
Implementos e cenário futuro
Nos implementos rodoviários, a previsão é de queda ainda mais acentuada — cerca de 20% no ano. Transportadores vêm priorizando a substituição de caminhões, adiando a renovação de implementos.
Para os próximos meses, a Fenabrave avalia que o ritmo das vendas dependerá do comportamento do crédito e da atividade econômica. Uma nova revisão nas projeções não está descartada. “O mercado segue cauteloso, mas as campanhas de vendas e a flexibilização de estoques podem manter o setor em movimento”, afirmou Arcelio Júnior.
Resumo dos principais números do setor de caminhões (julho/2025)
- Emplacamentos de julho: 10.523 (+25,6% sobre junho / –5% sobre julho/24)
- Média mensal do 1º semestre: 8,9 mil unidades
- Acumulado jan-jul: 63.943 unidades (–3,8%)
- Projeção para 2025: 113,5 mil unidades (–7%)
- Segmentos: pesados –14,3%; semipesados +12,3%; médios +20,4%


