O mercado brasileiro de implementos rodoviários iniciou 2026 com sinais moderados de recuperação. Em fevereiro, os fabricantes emplacaram 9.870 unidades, volume 12,5% superior ao registrado em janeiro, quando foram comercializados 8.760 equipamentos. O avanço ocorre em meio à safra agrícola em andamento e aos primeiros efeitos do programa Move Brasil.
De acordo com a ANFIR, o crescimento mensal pode indicar uma reação gradual do setor após um início de ano marcado por retração. Segundo o presidente da entidade, José Carlos Spricigo, dois fatores ajudam a explicar o movimento positivo.
“O agronegócio, com a safra em andamento, tem impacto direto na demanda por implementos. Além disso, o Move Brasil, mesmo não sendo direcionado ao nosso setor, trouxe reflexos positivos”, afirma.
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Segmentos avançam no comparativo mensal
O desempenho positivo de fevereiro foi puxado principalmente pelo segmento pesado, formado por reboques e semirreboques. Esse grupo registrou crescimento de 15,5% em relação a janeiro, com 5.007 unidades emplacadas no segundo mês do ano, contra 4.335 equipamentos no primeiro.
Já o segmento leve — carrocerias sobre chassi — também apresentou avanço, embora em ritmo menor. Em fevereiro foram comercializadas 4.863 unidades, ante 4.425 em janeiro, uma variação positiva de 9,9%.
Para a indústria, o movimento acompanha a leve melhora no mercado de caminhões. Dados da Fenabrave indicam que os emplacamentos de caminhões em fevereiro ficaram 3,7% acima do volume de janeiro.
Na avaliação de Spricigo, o impacto inicial do programa de renovação de frota ajuda a explicar esse comportamento.
“A influência do Move Brasil já é perceptível no desempenho dos fabricantes de caminhões. Agora resta saber se o mercado de implementos rodoviários seguirá sendo impactado nos próximos meses”, observa o executivo.
Bimestre ainda registra forte queda
Apesar da recuperação mensal, o balanço do primeiro bimestre ainda mostra retração significativa em relação ao ano passado. Entre janeiro e fevereiro, a indústria entregou ao mercado 18.630 implementos rodoviários, contra 23.762 unidades no mesmo período de 2025 — queda de 21,6%.
O segmento de reboques e semirreboques apresentou o maior recuo, de 24,66%. No período, foram emplacados 9.342 equipamentos, frente a 12.400 no primeiro bimestre do ano passado. Apenas as linhas de tanque inox e produtos especiais registraram crescimento.
Já o segmento de carrocerias sobre chassi caiu 18,25%. Nos dois primeiros meses de 2026 foram comercializadas 9.288 unidades, contra 11.362 equipamentos em igual intervalo de 2025. Todas as sete linhas de produtos desse segmento apresentaram resultado negativo.
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