O Governo Federal anunciou que pretende concluir até 2026 o projeto da Ferrovia Atlântico-Pacífico, que ligará Ilhéus (BA) ao porto de Chancay, no Peru, ampliando a integração logística do Brasil com a América do Sul e fortalecendo o comércio com a Ásia.
A iniciativa remete a uma experiência pioneira de 1995, quando três transportadores brasileiros realizaram a expedição conhecida como Projeto Pacífico, levando caminhões até o Oceano Pacífico por rotas que cruzavam Bolívia, Chile e Peru, antecipando debates sobre integração bioceânica.
Essa expedição, idealizada por Oswaldo Dias Castro Jr., Oswaldo Xavier Dias e Marcelo Vigneron, foi registrada no livro A Caminho do Oeste, do Brasil ao Pacífico sobre rodas, hoje disponível no acervo da Fundação Memória do Transporte (FuMTran). Em 2025, a instituição incorporou oficialmente os depoimentos dos pioneiros ao seu museu virtual, que já reúne mais de 20 mil itens digitalizados. O resgate desse episódio reforça a importância de preservar a memória de iniciativas que mostraram, décadas antes, a viabilidade de conectar o Brasil a rotas internacionais.
Segundo Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran, o Projeto Pacífico foi mais que uma aventura inédita: demonstrou o papel estratégico do transporte na integração continental, aproximando culturas, economias e pessoas. O percurso exigiu grande preparação e enfrentou desafios como a altitude andina, mas também despertou curiosidade e simbolizou a capacidade do transporte rodoviário de ultrapassar fronteiras. Para a instituição, preservar essa memória é essencial para compreender a evolução da logística brasileira e inspirar novos projetos de integração.
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Você sabia? Estradas foram protagonistas da Independência do Brasil
O processo de independência do Brasil não se explica apenas pelos embates políticos ou pelo ato simbólico de Dom Pedro I às margens do Ipiranga. Ele foi sustentado por uma rede de rotas que integravam regiões, transportavam riquezas e permitiam a circulação de pessoas e ideias. Em celebração ao mês da Independência, a Fundação Memória do Transporte (FuMTran) relembra os caminhos que moldaram a história brasileira, destacando o papel decisivo do transporte na consolidação econômica, social e política do país.
Entre os trajetos mais marcantes está a Rota Rio-São Paulo, percorrida por Dom Pedro I antes do 7 de Setembro de 1822, essencial para articular apoio político e militar. Outras rotas, como a do Ouro, que ligava as minas ao litoral durante o Ciclo do Ouro, e o Caminho das Tropas, responsável por abastecer cidades em crescimento com gado e mercadorias, revelam como a logística foi protagonista na sustentação da economia e na integração do território. Também a Rota do Açúcar, no Nordeste, e a do Café, em São Paulo, desempenharam papel estratégico ao garantir o escoamento de produtos que consolidaram o Brasil como potência agrícola e comercial.
Para Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran, essas rotas foram mais do que simples caminhos: “Elas transportavam ideias, estratégias e culturas, conectando diferentes regiões e possibilitando que a independência fosse um processo coletivo e sustentado pela mobilidade”. Ao revisitar essas histórias, a entidade reforça que o transporte foi uma força invisível, mas decisiva, para a formação de um país capaz de se projetar no cenário internacional.

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FuMTran lançará livro sobre a história dos guindastes no Brasil
O projeto editorial do livro A Era das Máquinas: História dos Guindastes no Brasil foi oficialmente aprovado pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), viabilizando a captação de recursos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Idealizado pela FuMTran (Fundação Memória do Transporte) em parceria com o SINDIPESA (Sindicato Nacional das Empresas de Transporte e Movimentação de Cargas Pesadas e Excepcionais), o livro será uma obra inédita e abrangente sobre a trajetória dos guindastes em território brasileiro. A publicação trará relatos históricos, imagens raras e informações técnicas que resgatam mais de um século de evolução dessas máquinas fundamentais para o desenvolvimento da infraestrutura nacional.
“A FuMTran tem como missão preservar a memória e a cultura do setor de transporte e, com essa obra, daremos continuidade a uma série de iniciativas que valorizam o conhecimento histórico e técnico sobre os equipamentos que movimentaram e ainda movimentam o progresso do país”, destaca Antônio Luiz Leite, presidente da fundação.

Com lançamento previsto para 2026, A Era das Máquinas será produzido por uma equipe de especialistas e historiadores e integrará a coleção Acervo Memória, que já conta com outras publicações relevantes promovidas pela FuMTran. A aprovação pelo Pronac também reforça o caráter cultural e educativo do projeto, ampliando seu alcance junto ao público interessado em história, tecnologia e transporte.
A expectativa é que a obra se torne uma referência para profissionais do setor, estudantes e entusiastas da engenharia de transporte, contribuindo para o reconhecimento do papel dos guindastes na construção do Brasil moderno.
Como estruturar um projeto editorial para aprovação no Pronac
Elaborar um projeto editorial com potencial para aprovação no Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) requer planejamento cuidadoso e alinhamento com os critérios da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Veja os principais passos:
1. Defina o objetivo cultural
O projeto deve ter caráter artístico, histórico, educativo ou cultural. No caso de livros, é importante evidenciar sua relevância para a preservação da memória, valorização da cultura ou promoção do conhecimento.
2. Estruture a proposta
Inclua título, sinopse, justificativa, objetivos (geral e específicos), público-alvo, cronograma, orçamento detalhado e equipe envolvida. Também é necessário apresentar o plano de distribuição e acessibilidade da obra.
3. Inscreva o projeto na plataforma Salic
A proposta deve ser registrada no Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), disponível no site do Ministério da Cultura. É preciso cadastrar a instituição proponente, anexar os documentos exigidos e preencher todas as etapas com clareza e coerência.
4. Atenda aos critérios técnicos e legais
A análise do Ministério da Cultura verifica se o projeto cumpre requisitos como mérito cultural, viabilidade técnica, clareza de objetivos e compatibilidade orçamentária. Projetos com foco educativo ou de preservação da memória costumam ter boa aceitação.
5. Capte os recursos via incentivo fiscal
Após a aprovação, o projeto é autorizado a captar recursos junto a empresas ou pessoas físicas que poderão deduzir os valores do Imposto de Renda, conforme as regras da Lei Rouanet.
Dica: Envolver instituições reconhecidas, como fundações culturais ou entidades de classe, pode fortalecer a proposta. Um projeto bem documentado, com potencial de impacto e boa gestão, tem mais chances de sucesso.


