sábado, janeiro 31, 2026

Eletroposto Oeste: Infraestrutura elétrica robusta é essencial para operar frotas de ônibus elétricos pesados

Para colocar em operação uma frota de ônibus elétricos pesados, não basta adquirir os veículos e estações de baixo custo utilizadas para automóveis: é indispensável planejar e construir uma infraestrutura elétrica robusta, capaz de atender à alta demanda energética das baterias de grande capacidade. Em muitos casos, isso inclui a instalação de uma subestação de energia dedicada e reforços consideráveis na rede de distribuição local.

Segundo especialistas, as garagens destinadas a veículos pesados precisam de carregadores rápidos DC acima de 150 kW, preparados para atender baterias que ultrapassam 600 kWh. O modelo mais comum é a recarga noturna escalonada, coordenada por software de gestão inteligente (smart charging), que evita picos de demanda e reduz custos operacionais.

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Para dar uma ideia da complexidade, uma frota de cerca de 200 ônibus elétricos, como a de Goiânia (GO), pode exigir potência total próxima de 16.000 kW. Isso requer a construção de subestações retificadoras de grande porte — entre 1.500 e 4.000 kW por garagem —, transformadores dedicados e obras civis específicas. Todo esse processo depende de um estudo de viabilidade junto à concessionária local, que determina eventuais reforços na rede e os custos associados.

Para sustentar a operação da frota elétrica de Goiânia — de 46 ônibus por carga —, o Governode Goiás inaugurou o Eletroposto Oeste, considerado o maior terminal de recarga de ônibus elétricos do Brasil em potência instalada. O projeto foi executado pela Nansen, que forneceu toda a infraestrutura elétrica e de gestão operacional.

“O eletroposto conta com 23 carregadores de 240 kW, capacidade para recarregar até 46 ônibus simultaneamente e potência total de 6 MVA,” explica Ciro Lima, CMO da Nansen. “Para facilitar a compreensão: essa potência equivale a 6 mil chuveiros elétricos ou 1 milhão de lâmpadas acesas ao mesmo tempo. Trata-se de uma estrutura projetada para dar previsibilidade e robustez à operação diária do transporte público.”

Armazenamento e inovação energética

Um dos diferenciais do terminal é o primeiro Sistema de Armazenamento de Energia em Bateria (BESS) móvel usado comercialmente no transporte público brasileiro. O equipamento, com 50 kWh de capacidade e 60 kW de potência, garante estabilidade durante picos de demanda e serve como redundância energética em situações emergenciais. Além disso, permite a realização de testes de recarga inteligente e integração com energia solar fotovoltaica, ampliando a eficiência do sistema.

“O que estamos entregando não é apenas uma obra, mas um modelo de cidade e de transporte público para o Brasil”, destacou o governador Ronaldo Caiado durante a inauguração.

Embora o Governo de Goiás não tenha divulgado o investimento total no Eletroposto Oeste, comparações com projetos semelhantes indicam valores na casa dos R$ 17 milhões. Em São José dos Campos (SP), uma estrutura com 12 posições de recarga de 200 kW demandou investimentos de cerca de R$ 4,6 milhões.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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