Para colocar em operação uma frota de ônibus elétricos pesados, não basta adquirir os veículos e estações de baixo custo utilizadas para automóveis: é indispensável planejar e construir uma infraestrutura elétrica robusta, capaz de atender à alta demanda energética das baterias de grande capacidade. Em muitos casos, isso inclui a instalação de uma subestação de energia dedicada e reforços consideráveis na rede de distribuição local.
Segundo especialistas, as garagens destinadas a veículos pesados precisam de carregadores rápidos DC acima de 150 kW, preparados para atender baterias que ultrapassam 600 kWh. O modelo mais comum é a recarga noturna escalonada, coordenada por software de gestão inteligente (smart charging), que evita picos de demanda e reduz custos operacionais.
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Para dar uma ideia da complexidade, uma frota de cerca de 200 ônibus elétricos, como a de Goiânia (GO), pode exigir potência total próxima de 16.000 kW. Isso requer a construção de subestações retificadoras de grande porte — entre 1.500 e 4.000 kW por garagem —, transformadores dedicados e obras civis específicas. Todo esse processo depende de um estudo de viabilidade junto à concessionária local, que determina eventuais reforços na rede e os custos associados.
Para sustentar a operação da frota elétrica de Goiânia — de 46 ônibus por carga —, o Governode Goiás inaugurou o Eletroposto Oeste, considerado o maior terminal de recarga de ônibus elétricos do Brasil em potência instalada. O projeto foi executado pela Nansen, que forneceu toda a infraestrutura elétrica e de gestão operacional.
“O eletroposto conta com 23 carregadores de 240 kW, capacidade para recarregar até 46 ônibus simultaneamente e potência total de 6 MVA,” explica Ciro Lima, CMO da Nansen. “Para facilitar a compreensão: essa potência equivale a 6 mil chuveiros elétricos ou 1 milhão de lâmpadas acesas ao mesmo tempo. Trata-se de uma estrutura projetada para dar previsibilidade e robustez à operação diária do transporte público.”
Armazenamento e inovação energética
Um dos diferenciais do terminal é o primeiro Sistema de Armazenamento de Energia em Bateria (BESS) móvel usado comercialmente no transporte público brasileiro. O equipamento, com 50 kWh de capacidade e 60 kW de potência, garante estabilidade durante picos de demanda e serve como redundância energética em situações emergenciais. Além disso, permite a realização de testes de recarga inteligente e integração com energia solar fotovoltaica, ampliando a eficiência do sistema.
“O que estamos entregando não é apenas uma obra, mas um modelo de cidade e de transporte público para o Brasil”, destacou o governador Ronaldo Caiado durante a inauguração.
Embora o Governo de Goiás não tenha divulgado o investimento total no Eletroposto Oeste, comparações com projetos semelhantes indicam valores na casa dos R$ 17 milhões. Em São José dos Campos (SP), uma estrutura com 12 posições de recarga de 200 kW demandou investimentos de cerca de R$ 4,6 milhões.
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