A Eaton, multinacional global de gerenciamento inteligente de energia, foi novamente reconhecida como uma das Empresas Mais Éticas do Mundo em 2026, segundo o Ethisphere Institute, organização internacional que avalia padrões de governança, integridade corporativa e práticas de compliance. Esta é a 15ª vez que a companhia recebe a distinção, reforçando — segundo a própria empresa — seu compromisso com ética, transparência e responsabilidade socioambiental.
A Eaton está entre as 13 empresas premiadas na categoria de manufatura industrial. O Ethisphere afirma que companhias com forte cultura ética tendem a superar concorrentes ao longo do tempo, e que o processo de avaliação exige mais de 240 evidências documentais sobre governança, gestão de riscos, investigações internas, impacto ambiental e social, entre outros critérios.
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Joe Rodgers, vice-presidente sênior de Ética e Conformidade Global da Eaton, afirmou que o reconhecimento “reflete um ambiente onde os funcionários são incentivados, apoiados e capacitados a se expressarem”. Já Gustavo Schmidt, presidente do Grupo Mobility e Corporativo da Eaton na América do Sul, declarou que “a ética orienta a forma de fazer negócios e de se relacionar com colaboradores, clientes e a sociedade”.
Mas, enquanto a empresa celebra o reconhecimento internacional, a realidade de parte das operações brasileiras conta uma história diferente.
Processos no Brasil: assédio moral coletivo, investigações abusivas e condenações milionárias
Nos últimos anos, a Eaton tem sido alvo de ações civis públicas e condenações trabalhistas no Brasil, movidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Entre os casos mais relevantes:
Acordo de R$ 1,8 milhão por danos morais coletivos
O MPT acusou a empresa de contratar uma firma para investigar a vida pessoal de funcionários reabilitados na unidade de Valinhos (SP).
Segundo o processo, trabalhadores foram submetidos a monitoramento indevido, o que configuraria assédio moral coletivo.
A Eaton aceitou o acordo, que inclui pagamento adicional de R$ 60 mil a cada trabalhador afetado, mas não reconheceu culpa.
Condenação de R$ 20 milhões por descumprimento de normas de saúde e segurança
Em outra ação, a Justiça do Trabalho condenou a empresa por supostas falhas relacionadas a adoecimentos por LER/Dort nas unidades de Valinhos e Mogi Mirim.
A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.
O contraste: como uma empresa pode ser “ética” globalmente e enfrentar acusações localmente?
Especialistas em compliance e governança apontam que não há contradição técnica entre o prêmio e os processos — mas há, sim, um descompasso reputacional.
O Ethisphere avalia políticas, estruturas e práticas formais de ética corporativa, em nível global.
Já os processos no Brasil tratam de condutas locais, muitas vezes relacionadas a gestores específicos, cultura regional, terceirizações ou falhas de implementação.
- A Eaton pode ter excelentes sistemas de compliance no papel.
- Mas ainda assim enfrenta problemas graves em unidades específicas, especialmente em países onde a fiscalização trabalhista é mais ativa.
Para especialistas, isso evidencia que prêmios internacionais não necessariamente refletem a experiência real dos trabalhadores em todas as operações.
O que diz a Eaton nos processos?
A empresa costuma afirmar, em comunicados oficiais, que:
- coopera com autoridades;
- não admite práticas abusivas;
- investe em programas de ética e canais de denúncia;
- e que eventuais irregularidades não representam sua cultura global.
No caso do acordo de R$ 1,8 milhão, a companhia reforçou que não reconheceu responsabilidade, embora tenha aceitado a conciliação.
Outras empresas reconhecidas no World’s Most Ethical Companies
A edição de 20 anos do ranking World’s Most Ethical Companies reafirma que ética corporativa não é custo — é performance.
Divulgada pelo Ethisphere Institute, a lista de 2026 reúne 138 empresas, distribuídas por 17 países e 40 setores, que se destacam por estruturas robustas de integridade, governança e cultura organizacional orientada por valores.
O estudo Ethics Premium™ 2026, divulgado em paralelo ao ranking, mostra que empresas reconhecidas superaram o benchmark global em 8,2 pontos percentuais entre 2021 e 2025 — evidência que práticas éticas sustentam desempenho superior no longo prazo.
Segundo Erica Salmon Byrne, Chief Strategy Officer do instituto, o resultado é inequívoco: “Organizações não precisam escolher entre ser éticas e serem financeiramente bem-sucedidas. A ética é um motor de crescimento.”
Como funciona o ranking
A seleção é baseada no Ethics Quotient® (EQ), metodologia proprietária que avalia mais de 240 indicadores, incluindo:
- Governança corporativa
- Programas de compliance
- Cultura organizacional
- Canais de denúncia (“speak-up”)
- Estratégias ESG
- Gestão de riscos de terceiros
- Impacto social e ambiental
O processo envolve análise quantitativa e revisão qualitativa conduzida por especialistas independentes, o que eleva o rigor e a credibilidade do ranking.
Transporte e automotivo: avanço em um setor historicamente crítico
Em 2026, o setor automotivo e de transportes aparece com força: empresas relevantes da cadeia global foram reconhecidas, indicando uma mudança em um segmento historicamente marcado por desafios de compliance, recalls e pressões ambientais.
Entre os destaques:
- Cummins Inc. — 17 anos consecutivos, líder do setor
- Aptiv PLC — 14º reconhecimento
- General Motors — 7º ano
- Lear Corporation — estreante em 2026
- Magna International Inc. — 5º ano
- Oshkosh Corporation — 11 anos
- Goodyear Tire & Rubber — 3º ano
- No segmento de transporte e logística, dois nomes ganham relevância:
- FedEx Corporation — 4º reconhecimento
- Motiva Infraestrutura de Mobilidade S.A. — estreante
Motiva: o Brasil na elite da ética corporativa
A entrada da Motiva é particularmente simbólica. A companhia se torna a primeira representante brasileira do setor de infraestrutura de mobilidade na lista do Ethisphere.
Com atuação em rodovias, ferrovias e aeroportos, a empresa consolida um movimento crescente de profissionalização da governança no setor de infraestrutura no Brasil.
A conquista reflete o amadurecimento de seu programa de integridade, com foco em transparência, gestão de riscos e cultura ética — elementos cada vez mais exigidos em concessões públicas e contratos de longo prazo.
Brasil ainda sub-representado
Apesar do avanço, o Brasil teve apenas duas empresas reconhecidas em 2026:
- Natura Cosméticos — 15º reconhecimento
- Motiva Infraestrutura de Mobilidade S.A. — estreante
O número reduzido indica que, embora existam casos de excelência, ainda há espaço relevante para evolução da agenda de ética e compliance no ambiente corporativo nacional.
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