domingo, março 15, 2026

Do lixo ao diesel: Startup brasileira cria combustível sintético

Enquanto o preço do diesel sobe nas bombas e os custos da estrada pesam cada vez mais no bolso do caminhoneiro, uma startup brasileira pode estar prestes a virar esse jogo. A Haka Bioprocessos, em parceria com a Bosch Metal Liga, está desenvolvendo um diesel sintético feito a partir de resíduos plásticos e de origem animal — e o melhor: compatível com os motores de caminhão a diesel já existentes.

O combustível inovador, conhecido como diesel verde ou diesel renovável, tem o mesmo desempenho e características do diesel mineral, mas vem de fontes inusitadas como gordura de frango, carcaças, plásticos sujos e até lixo urbano. O produto está em fase piloto, mas com planos concretos para escalar a produção e atender o setor de transporte pesado.

“A gente transforma resíduos que iriam para o lixo em um combustível que pode rodar no caminhão sem nenhuma adaptação no motor”, explica Cyro Calixto, fundador da startup em sua rede social.

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Como funciona o diesel verde

Diferente do biodiesel tradicional, que é um éster (e pode causar problemas em motores mais antigos), o diesel verde da Haka é composto por hidrocarbonetos puros, muito semelhantes ao diesel fóssil. O processo envolve a quebra e purificação de resíduos por meio de tecnologias como pirólise e hidrogenação catalítica, chegando a um combustível com alta eficiência energética e menos impurezas.

A grande vantagem para o caminhoneiro? Pode ser misturado ao diesel comum e usado diretamente no tanque. Sem dor de cabeça, sem troca de peças, sem perda de potência.

Mais economia, menos poluição

Além de reduzir a dependência do diesel fóssil, o combustível sintético da Haka promete emissões até 83% menores de CO₂. Isso pode significar, no futuro, descontos em impostos, isenções ambientais e até créditos de carbono para empresas que utilizarem esse diesel nas suas frotas.

“Imagina o caminhoneiro poder abastecer com um combustível mais limpo, feito no próprio frigorífico de onde ele está saindo com a carga. Isso já está no nosso radar”, diz Cyro.

A proposta da Haka é instalar pequenas biorrefinarias dentro dos próprios frigoríficos e centros geradores de resíduos, permitindo que o combustível seja produzido e consumido localmente — inclusive para abastecer frotas de caminhões que fazem o transporte da carne e outros produtos.

Quando chega nas estradas?

Hoje, a planta piloto da Haka funciona no interior do Paraná e já está produzindo volumes de teste. Um segundo projeto está em implantação em Santa Catarina, com foco em atender frotas locais. O próximo passo é conseguir a liberação da ANP (Agência Nacional do Petróleo) para comercializar o diesel renovável em escala.

A expectativa é que o combustível esteja disponível para testes em transportadoras parceiras já nos próximos meses. E para os motoristas autônomos, a esperança é que logo o produto chegue nas distribuidoras ou postos que queiram apostar em uma alternativa mais limpa e mais barata.

O futuro do diesel pode estar no lixo

O Brasil produz mais de 80 mil toneladas de lixo por dia — e boa parte disso tem potencial energético. Com a tecnologia da Haka, esse lixo pode virar litros e litros de combustível limpo para abastecer caminhões, ônibus e máquinas agrícolas.

Para o dono de frota, o impacto é direto: redução no custo operacional, menor impacto ambiental e imagem positiva para o mercado.

Se depender da Haka Bioprocessos, o combustível do futuro vai sair do que antes era considerado problema: o lixo. E os caminhoneiros podem ser os primeiros a se beneficiar dessa revolução verde sobre rodas.

A produção global de diesel verde (HVO) está prestes a decolar

sintético
Mapa global do desenvolvimento do HVO

Novos projetos estão sendo implementados em todo o mundo, com destaque para o crescimento expressivo já em 2025

  • +6 vezes nos Estados Unidos
  • +3 vezes na Europa, no Leste Asiático e no Sudeste Asiático

Esse avanço mostra o papel estratégico do HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) — o diesel renovável — na transição para uma matriz energética mais limpa e resiliente.

Acreditamos que a diversificação das fontes de energia é essencial para acelerar a descarbonização das atividades humanas.

Assista o Canal FrotaCast:

A biomassa de origem vegetal e animal, disponível em praticamente todas as regiões do planeta, deve ser valorizada nas políticas públicas como insumo para biocombustíveis avançados — promovendo sustentabilidade, geração de renda e criação de empregos em diferentes setores da economia.

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Jornalista Marcos Villela é membro associado desde 2018
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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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