Enquanto o preço do diesel sobe nas bombas e os custos da estrada pesam cada vez mais no bolso do caminhoneiro, uma startup brasileira pode estar prestes a virar esse jogo. A Haka Bioprocessos, em parceria com a Bosch Metal Liga, está desenvolvendo um diesel sintético feito a partir de resíduos plásticos e de origem animal — e o melhor: compatível com os motores de caminhão a diesel já existentes.
O combustível inovador, conhecido como diesel verde ou diesel renovável, tem o mesmo desempenho e características do diesel mineral, mas vem de fontes inusitadas como gordura de frango, carcaças, plásticos sujos e até lixo urbano. O produto está em fase piloto, mas com planos concretos para escalar a produção e atender o setor de transporte pesado.
“A gente transforma resíduos que iriam para o lixo em um combustível que pode rodar no caminhão sem nenhuma adaptação no motor”, explica Cyro Calixto, fundador da startup em sua rede social.
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Como funciona o diesel verde
Diferente do biodiesel tradicional, que é um éster (e pode causar problemas em motores mais antigos), o diesel verde da Haka é composto por hidrocarbonetos puros, muito semelhantes ao diesel fóssil. O processo envolve a quebra e purificação de resíduos por meio de tecnologias como pirólise e hidrogenação catalítica, chegando a um combustível com alta eficiência energética e menos impurezas.
A grande vantagem para o caminhoneiro? Pode ser misturado ao diesel comum e usado diretamente no tanque. Sem dor de cabeça, sem troca de peças, sem perda de potência.
Mais economia, menos poluição
Além de reduzir a dependência do diesel fóssil, o combustível sintético da Haka promete emissões até 83% menores de CO₂. Isso pode significar, no futuro, descontos em impostos, isenções ambientais e até créditos de carbono para empresas que utilizarem esse diesel nas suas frotas.
“Imagina o caminhoneiro poder abastecer com um combustível mais limpo, feito no próprio frigorífico de onde ele está saindo com a carga. Isso já está no nosso radar”, diz Cyro.
A proposta da Haka é instalar pequenas biorrefinarias dentro dos próprios frigoríficos e centros geradores de resíduos, permitindo que o combustível seja produzido e consumido localmente — inclusive para abastecer frotas de caminhões que fazem o transporte da carne e outros produtos.
Quando chega nas estradas?
Hoje, a planta piloto da Haka funciona no interior do Paraná e já está produzindo volumes de teste. Um segundo projeto está em implantação em Santa Catarina, com foco em atender frotas locais. O próximo passo é conseguir a liberação da ANP (Agência Nacional do Petróleo) para comercializar o diesel renovável em escala.
A expectativa é que o combustível esteja disponível para testes em transportadoras parceiras já nos próximos meses. E para os motoristas autônomos, a esperança é que logo o produto chegue nas distribuidoras ou postos que queiram apostar em uma alternativa mais limpa e mais barata.
O futuro do diesel pode estar no lixo
O Brasil produz mais de 80 mil toneladas de lixo por dia — e boa parte disso tem potencial energético. Com a tecnologia da Haka, esse lixo pode virar litros e litros de combustível limpo para abastecer caminhões, ônibus e máquinas agrícolas.
Para o dono de frota, o impacto é direto: redução no custo operacional, menor impacto ambiental e imagem positiva para o mercado.
Se depender da Haka Bioprocessos, o combustível do futuro vai sair do que antes era considerado problema: o lixo. E os caminhoneiros podem ser os primeiros a se beneficiar dessa revolução verde sobre rodas.
A produção global de diesel verde (HVO) está prestes a decolar

Novos projetos estão sendo implementados em todo o mundo, com destaque para o crescimento expressivo já em 2025
- +6 vezes nos Estados Unidos
- +3 vezes na Europa, no Leste Asiático e no Sudeste Asiático
Esse avanço mostra o papel estratégico do HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) — o diesel renovável — na transição para uma matriz energética mais limpa e resiliente.
Acreditamos que a diversificação das fontes de energia é essencial para acelerar a descarbonização das atividades humanas.
A biomassa de origem vegetal e animal, disponível em praticamente todas as regiões do planeta, deve ser valorizada nas políticas públicas como insumo para biocombustíveis avançados — promovendo sustentabilidade, geração de renda e criação de empregos em diferentes setores da economia.




