O transporte rodoviário de cargas pesadas é um dos pilares da economia tanto da Austrália quanto do Brasil. Nos dois países, onde as distâncias são imensas e o modal rodoviário é a solução para alta capilaridade, surgiram combinações veiculares de altíssima produtividade capazes de movimentar volumes e pesos impressionantes, como Super B-double e o Super Rodotrem.
Na Austrália, o destaque é o Super B-double, que acaba de atingir a marca de 50 000 unidades fabricadas, com capacidade de 77,5 toneladas de PBTC. Já no Brasil, o protagonista é o Super Rodotrem, com 91 toneladas de PBTC, essencial para o agronegócio. Mais do que números, essas duas soluções representam diferentes filosofias de logística pesada, moldadas pela geografia, pela infraestrutura e pelas necessidades econômicas de cada país.
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Conheça as diferenças!
| Característica | Super B-double (Austrália) | Super Rodotrem (Brasil) |
|---|---|---|
| Configuração | Cavalo mecânico 6×4, 2 semireboques tipo B-double (quad-quad, 2B), totalizando 11 eixos | Cavalo mecânico 6×4, dois semirreboque de 3 eixos cada, uma dolly (mini-chassi de 2 eixos), totalizando 11 eixos |
| PBTC/GCM | 77,5 toneladas | 91 toneladas |
| Carga útil | >43 toneladas | ~55 a 57 toneladas (dependendo da tara) |
| Dimensões típicas | Até 30 m de comprimento; altura 4,3–4,6 m; largura 2,5 m | Até 30 m de comprimento; altura máxima 4,4 m; largura 2,6 m |
| Capacidade volumétrica | 42 pallets em Titeliner de plataforma dupla (215 m³) | Varia conforme implemento: graneleiro, basculante, tanque ou sider, chegando a 140–150 m³ em graneleiros |
| Regulamentação | Performance Based Standards (PBS) – exige projeto e certificação especial para rodar em rede pré-aprovada | Regulamentado pelo Contran/Denatran; exige Autorização Especial de Trânsito (AET) e rodovias homologadas |
| Tecnologia embarcada | EBS, suspensão road-friendly, eixos autoguiados, underrun protection | Freios ABS/EBS, rastreamento eletrônico, em alguns casos suspensão pneumática |
| Aplicações | Contêineres, cargas paletizadas, combustíveis, bens de consumo | Grãos, minérios, combustíveis, celulose, fertilizantes e carga geral |
| Cenário logístico | Focado em alta produtividade em corredores de exportação (ex.: Porto de Melbourne) | Essencial para escoamento agrícola e minério em longas distâncias no Brasil |

Análise
- Capacidade de carga:
O Super Rodotrem brasileiro (91 t) transporta mais peso bruto que o Super B-double (77,5 t), reflexo da vocação do Brasil para o agronegócio e para movimentar commodities em grandes volumes. - Flexibilidade operacional:
O Super B-double foi concebido para maior manobrabilidade em áreas urbanas e portuárias. Já o Rodotrem privilegia longas distâncias em rodovias de pista simples ou duplas, especialmente em corredores de exportação agrícola. - Eficiência volumétrica:
Apesar de ter menor PBTC, o B-double australiano pode oferecer mais eficiência em cargas paletizadas (42 pallets em piso duplo), ideal para bens de consumo. O rodotrem brasileiro tem foco em graneis sólidos e líquidos, mas em implementos tipo sider ou carga seca chega próximo em volume. - Regulação e segurança:
Na Austrália, a operação é condicionada ao regime PBS, que obriga comprovação técnica de desempenho em freios, curvas e estabilidade. No Brasil, a AET (Autorização Especial de Trânsito) cumpre papel semelhante, mas com critérios menos rigorosos de engenharia, mais ligados a infraestrutura disponível. - Tecnologia:
O Super B-double é quase sempre entregue com soluções de última geração (EBS, eixos autoguiados, suspensões “road-friendly”). No Brasil, parte da frota ainda opera com tecnologias mais convencionais, embora fabricantes nacionais já ofereçam soluções similares.

Conclusão
Enquanto o Super Rodotrem brasileiro de 91 toneladas reflete a força do país como celeiro mundial de grãos e minérios, o Super B-double australiano de 77,5 toneladas é um exemplo de engenharia aplicada à logística urbana e portuária, com foco em pallets, contêineres e cargas diversificadas.
Ambos são símbolos de veículos de alta produtividade, mas cada um atende às particularidades de infraestrutura e demanda de seu país.


