domingo, abril 5, 2026

Cemig quer transformar Minas em polo de data centers e indústria limpa, diz CEO

Reynaldo Passanezi Filho afirma que companhia reorientou estratégia para focar em Minas Gerais, após saneamento financeiro e venda de participações fora do core business; executivo vê janela histórica para o Brasil atrair grandes
consumidores de energia renovável

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) segue para novo papel no desenvolvimento industrial mineiro. A avaliação é de Reynaldo Passanezi Filho, CEO da estatal mineira, que defendeu uma nova vocação para a empresa: transformar Minas Gerais em um polo de atração para indústrias intensivas em tecnologia, digitalização e consumo de energia limpa.

A declaração foi feita durante a estreia do CNN Talks Infra | Energia para o Futuro, evento realizado em São Paulo nesta semana, que reuniu autoridades, executivos e especialistas para discutir o futuro do setor energético brasileiro.

Leia também:

Segundo o executivo, a Cemig passou por uma profunda reorientação nos últimos anos. O movimento incluiu o saneamento da estrutura financeira da companhia, com a venda de participações minoritárias em ativos que estavam fora do foco principal de atuação, como a Light e a Santo Antônio Energia.

Na prática, a estratégia reposiciona a Cemig como um agente de infraestrutura capaz de sustentar uma nova etapa de industrialização no estado, ancorada em eletrificação, segurança energética e expansão da matriz renovável. O executivo já havia afirmado em entrevista recente à CNN Money que o foco da empresa está concentrado em Minas Gerais, nos negócios de geração, transmissão e distribuição, alinhando o interesse público de desenvolvimento regional com a lógica de retorno econômico.

Data centers entram no radar da nova economia energética

Embora a prioridade imediata da companhia esteja em Minas, Passanezi ampliou o debate para o cenário nacional e chamou atenção para o peso crescente da infraestrutura digital no consumo global de energia.

“Em 2040, estima-se que 8% da carga mundial de energia virá de data centers. O Brasil tem o potencial de atrair esses grandes consumidores de energia renovável, desde que tenhamos políticas públicas e um ambiente regulatório adequado para esses investimentos”, destacou o executivo durante o evento.

Nesse contexto, o Brasil desponta com vantagens competitivas relevantes: matriz elétrica predominantemente limpa, disponibilidade de fontes renováveis, potencial de expansão da transmissão e capacidade de integração com projetos de geração distribuída, solar, eólica, hídrica e, futuramente, biometano e hidrogênio de baixo carbono.

Oportunidade industrial vai além do setor elétrico

Para o setor de transporte, logística e infraestrutura — pauta central da Frota News —, a visão apresentada por Passanezi tem implicações diretas.

A eventual atração de grandes data centers e plantas industriais eletrointensivas para Minas Gerais e outras regiões do país pode gerar uma nova onda de investimentos em:

  • obras civis e infraestrutura energética;
  • ampliação de subestações e linhas de transmissão;
  • transporte de equipamentos pesados e sensíveis;
  • renovação de frotas de apoio e distribuição;
  • corredores logísticos para atender cadeias de suprimentos digitais e industriais;
  • demanda por energia de menor custo para operadores logísticos, centros de distribuição e indústrias conectadas.

Em outras palavras, a discussão sobre energia deixou de ser apenas um tema do setor elétrico. Ela passa a ser também uma agenda de competitividade industrial, atração de capital, expansão logística e reposicionamento do Brasil na economia de dados.

Custo da energia ainda é gargalo para competitividade

Apesar do potencial, Passanezi também reforçou que o país precisa enfrentar distorções do modelo atual. Em cobertura recente do mesmo evento, o debate do CNN Talks apontou a contradição entre a sobreoferta estrutural de energia no Brasil e a manutenção de tarifas elevadas, em grande parte pressionadas por subsídios e encargos setoriais.

Esse ponto é decisivo para que a tese dos data centers avance. Grandes operadores globais escolhem seus destinos a partir de uma equação que combina:

  • preço da energia;
  • estabilidade regulatória;
  • prazo de conexão à rede;
  • segurança jurídica;
  • disponibilidade de áreas e infraestrutura;
  • metas de descarbonização.

Sem redução de custos e sem modernização regulatória, o Brasil corre o risco de continuar com enorme vantagem natural, mas baixa capacidade de conversão em investimento real.

Minas quer se posicionar como plataforma da transição

Ao centrar a estratégia da Cemig em Minas Gerais, Passanezi indica que o estado quer ocupar espaço relevante nessa nova disputa. A combinação entre tradição industrial, base mineral, malha de transmissão, mercado consumidor e expansão de projetos renováveis pode fazer de Minas uma plataforma natural para a chamada infraestrutura da economia digital.

Frota da Cemig

A Cemig passou a abastecer toda a sua frota leve exclusivamente com etanol desde maio, como parte de sua estratégia de descarbonização. O biocombustível, produzido a partir da cana‑de‑açúcar e considerado carbono neutro, substituiu cerca de 49 mil litros de gasolina em pouco mais de um mês, evitando a emissão de mais de 112 toneladas de CO₂ — o equivalente ao plantio de 784 árvores. A medida já vale para mais de 460 veículos que circulam em Belo Horizonte e em outras 773 cidades de Minas Gerais, alinhando a empresa a práticas sustentáveis adotadas também por companhias como Nestlé e locadoras de automóveis, que priorizam o etanol por seus benefícios ambientais e por fortalecer a economia circular brasileira.

➡️ Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
➡️ Inscreva-se no canal do Videocast FrotaCast

- Publicidade -
- Publicidade -
Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
- Publicidade -

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Últimas notícias
você pode gostar:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui