Reynaldo Passanezi Filho afirma que companhia reorientou estratégia para focar em Minas Gerais, após saneamento financeiro e venda de participações fora do core business; executivo vê janela histórica para o Brasil atrair grandes
consumidores de energia renovável
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) segue para novo papel no desenvolvimento industrial mineiro. A avaliação é de Reynaldo Passanezi Filho, CEO da estatal mineira, que defendeu uma nova vocação para a empresa: transformar Minas Gerais em um polo de atração para indústrias intensivas em tecnologia, digitalização e consumo de energia limpa.
A declaração foi feita durante a estreia do CNN Talks Infra | Energia para o Futuro, evento realizado em São Paulo nesta semana, que reuniu autoridades, executivos e especialistas para discutir o futuro do setor energético brasileiro.
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Segundo o executivo, a Cemig passou por uma profunda reorientação nos últimos anos. O movimento incluiu o saneamento da estrutura financeira da companhia, com a venda de participações minoritárias em ativos que estavam fora do foco principal de atuação, como a Light e a Santo Antônio Energia.
Na prática, a estratégia reposiciona a Cemig como um agente de infraestrutura capaz de sustentar uma nova etapa de industrialização no estado, ancorada em eletrificação, segurança energética e expansão da matriz renovável. O executivo já havia afirmado em entrevista recente à CNN Money que o foco da empresa está concentrado em Minas Gerais, nos negócios de geração, transmissão e distribuição, alinhando o interesse público de desenvolvimento regional com a lógica de retorno econômico.
Data centers entram no radar da nova economia energética
Embora a prioridade imediata da companhia esteja em Minas, Passanezi ampliou o debate para o cenário nacional e chamou atenção para o peso crescente da infraestrutura digital no consumo global de energia.
“Em 2040, estima-se que 8% da carga mundial de energia virá de data centers. O Brasil tem o potencial de atrair esses grandes consumidores de energia renovável, desde que tenhamos políticas públicas e um ambiente regulatório adequado para esses investimentos”, destacou o executivo durante o evento.
Nesse contexto, o Brasil desponta com vantagens competitivas relevantes: matriz elétrica predominantemente limpa, disponibilidade de fontes renováveis, potencial de expansão da transmissão e capacidade de integração com projetos de geração distribuída, solar, eólica, hídrica e, futuramente, biometano e hidrogênio de baixo carbono.
Oportunidade industrial vai além do setor elétrico
Para o setor de transporte, logística e infraestrutura — pauta central da Frota News —, a visão apresentada por Passanezi tem implicações diretas.
A eventual atração de grandes data centers e plantas industriais eletrointensivas para Minas Gerais e outras regiões do país pode gerar uma nova onda de investimentos em:
- obras civis e infraestrutura energética;
- ampliação de subestações e linhas de transmissão;
- transporte de equipamentos pesados e sensíveis;
- renovação de frotas de apoio e distribuição;
- corredores logísticos para atender cadeias de suprimentos digitais e industriais;
- demanda por energia de menor custo para operadores logísticos, centros de distribuição e indústrias conectadas.
Em outras palavras, a discussão sobre energia deixou de ser apenas um tema do setor elétrico. Ela passa a ser também uma agenda de competitividade industrial, atração de capital, expansão logística e reposicionamento do Brasil na economia de dados.
Custo da energia ainda é gargalo para competitividade
Apesar do potencial, Passanezi também reforçou que o país precisa enfrentar distorções do modelo atual. Em cobertura recente do mesmo evento, o debate do CNN Talks apontou a contradição entre a sobreoferta estrutural de energia no Brasil e a manutenção de tarifas elevadas, em grande parte pressionadas por subsídios e encargos setoriais.
Esse ponto é decisivo para que a tese dos data centers avance. Grandes operadores globais escolhem seus destinos a partir de uma equação que combina:
- preço da energia;
- estabilidade regulatória;
- prazo de conexão à rede;
- segurança jurídica;
- disponibilidade de áreas e infraestrutura;
- metas de descarbonização.
Sem redução de custos e sem modernização regulatória, o Brasil corre o risco de continuar com enorme vantagem natural, mas baixa capacidade de conversão em investimento real.
Minas quer se posicionar como plataforma da transição
Ao centrar a estratégia da Cemig em Minas Gerais, Passanezi indica que o estado quer ocupar espaço relevante nessa nova disputa. A combinação entre tradição industrial, base mineral, malha de transmissão, mercado consumidor e expansão de projetos renováveis pode fazer de Minas uma plataforma natural para a chamada infraestrutura da economia digital.
Frota da Cemig
A Cemig passou a abastecer toda a sua frota leve exclusivamente com etanol desde maio, como parte de sua estratégia de descarbonização. O biocombustível, produzido a partir da cana‑de‑açúcar e considerado carbono neutro, substituiu cerca de 49 mil litros de gasolina em pouco mais de um mês, evitando a emissão de mais de 112 toneladas de CO₂ — o equivalente ao plantio de 784 árvores. A medida já vale para mais de 460 veículos que circulam em Belo Horizonte e em outras 773 cidades de Minas Gerais, alinhando a empresa a práticas sustentáveis adotadas também por companhias como Nestlé e locadoras de automóveis, que priorizam o etanol por seus benefícios ambientais e por fortalecer a economia circular brasileira.
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