Veículo basculante 8×4 da XCMG entra em operação assistida na Mina do Gama, em Nova Lima, para transporte interno de minério com capacidade
de até 45 toneladas
A Cedro Mineração iniciou uma operação assistida de um caminhão basculante 8×4 100% elétrico na Mina do Gama, em Nova Lima. O veículo será empregado no transporte interno de minério e poderá movimentar até 45 toneladas por ciclo, em rotas previamente definidas dentro da operação de lavra.
O modelo escolhido para os testes é o XCMG E7 8×4, caminhão elétrico com autonomia média de até 150 quilômetros — ou cerca de oito horas de operação por ciclo — sem necessidade de recarga intermediária. O preço estimado do modelo é de R$ 1,5 milhão.
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Segundo a companhia, a bateria pode ser recarregada integralmente em aproximadamente uma hora. O conjunto ainda conta com sistema de regeneração de energia durante frenagens e desacelerações, recurso que contribui para ampliar a eficiência ao longo da jornada operacional.
Com 490 cavalos de potência e capacidade total de 45 toneladas, o caminhão será monitorado por sistemas de telemetria durante todo o período de testes. A Cedro acompanhará indicadores como tempo de ciclo, produtividade, consumo energético e autonomia em diferentes condições de carga e percurso, buscando mapear o comportamento do veículo em ambiente severo de mineração.
A análise técnica também incluirá a viabilidade econômica da solução frente à frota convencional a diesel. Entram nessa conta fatores como menor nível de ruído, redução da demanda por manutenção e eliminação das emissões diretas de carbono no uso diário dentro da mina.
Para Wanderley Santo, vice-presidente de Operações da Cedro Mineração, a adoção do caminhão elétrico reflete uma agenda prática de transformação da operação.
Estratégia vai além da eletrificação
O teste com o caminhão elétrico se soma a outras iniciativas da companhia voltadas à descarbonização da frota e da operação mineral. Em 2025, a holding firmou parceria com a Gás Verde, apontada pela Cedro como a maior produtora de biometano da América Latina, para um projeto piloto de redução de emissões no transporte de minério.
Na primeira fase dessa estratégia, a empresa utilizou um caminhão movido a Gás Natural Veicular (GNV) no transporte de minério de ferro entre Mariana e o Terminal Fazendão, da Vale. Nesse modelo, as emissões do veículo são neutralizadas por meio do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), fornecido pela Gás Verde.
Segundo a companhia, esse teste permitiu aferir a eficiência energética da rota e funcionou como etapa inicial do processo de transição. O próximo movimento será a adoção de caminhões movidos a biometano, combustível renovável obtido a partir da purificação do biogás gerado na decomposição de matéria orgânica, com potencial de reduzir ainda mais a pegada de carbono em comparação ao GNV de origem fóssil.
A Cedro destaca ainda que a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro reconheceu o CGOB como instrumento apto a comprovar a neutralização de emissões, fortalecendo o cumprimento das metas ambientais corporativas.
“Esses projetos fazem parte da estratégia da Cedro, em alinhamento com a Agenda 2030. Temos avançado em várias frentes, como o reaproveitamento de água nos processos produtivos, a adoção do empilhamento a seco e a incorporação de tecnologias que reduzem a dependência de insumos fósseis e ampliam a eficiência ambiental da operação”, completa Wanderley Santo.
Saiba mais: Caminhão a gás

A Cedro Mineração e a Gás Verde iniciaram, em 2025, um projeto‑piloto para testar um caminhão Scania GH 460 6×4 movido a GNV e/ou biometano no transporte de minério entre Mariana e o Terminal Fazendão. O modelo é mais potente que o Scania 410 testado pela Gerdau em 2020, oferecendo maior torque e autonomia, o que o torna mais adequado para operações severas típicas da mineração. A principal diferença entre os testes está no combustível: enquanto a Gerdau utilizou GNV de origem fóssil, a Cedro aposta no biometano e no uso do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), que permite neutralizar emissões mesmo quando o gás consumido não é 100% renovável.
A iniciativa é apresentada como o primeiro passo de um plano de descarbonização da logística da Cedro, alinhado ao avanço regulatório do biometano no Brasil. As empresas estimam redução de até 99% das emissões da operação e neutralização de cerca de 11 mil toneladas de CO₂ por ano, embora esses números dependam de metodologia clara e da distinção entre redução física e compensação via certificados. O projeto ganha relevância no setor mineral por testar alternativas de menor carbono e por levantar discussões sobre transparência, impacto real e riscos de greenwashing quando a neutralização depende mais de certificados do que da troca efetiva de combustível.
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