quinta-feira, março 26, 2026

Queda de 30% nos emplacamentos de caminhões e ônibus em 2026 reflete vendas fracas no fim de 2025

Os emplacamentos de caminhões e ônibus nos primeiros dois meses de 2026 ainda são reflexos da retração das vendas no último bimestre de 2025. Após a venda, o licenciamento pode demorar de dois a quatro meses dependendo do tipo de carroceria.

Dados divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que os emplacamentos de veículos pesados registraram queda de 29,4% no primeiro bimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, a expectativa é de que programas voltados ao financiamento e à renovação de frota Move Brasil contribuam para reaquecer o mercado ao longo de 2026.

No segmento de caminhões, o acumulado de emplacamentos até fevereiro de 2026 chegou a 13.109 unidades, o que representa uma retração de 28,7% frente às 18.377 unidades registradas no mesmo período de 2025.

A liderança no período ficou com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que emplacou 3.547 unidades, seguida por Mercedes-Benz, com 3.213 veículos. Na sequência aparecem Volvo Trucks, com 2.310 unidades, Scania, com 1.228, e Iveco, com 1.211 caminhões emplacados no período.

Entre as principais fabricantes, a maior retração proporcional foi registrada pela Scania, com queda de 52,3% no bimestre.

Categoria / Empresa Acumulado 2026 (C) Acumulado 2025 (E)
Caminhões – Total 13.109 18.377
Empresas associadas 12.878 18.213
Agrale 24 16
Caoa (Hyundai) 2 3
DAF 950 1.465
FCA (Dodge) 110 515
Ford 21 36
Iveco 1.211 1.500
Volkswagen Caminhões e Ônibus 3.547 4.397
Mercedes-Benz 3.213 4.166
Mercedes-Benz Cars & Vans 249 308
Peugeot 13 5
Citroën 0 5
Renault 0 0
Scania 1.228 2.577
Volvo 2.310 3.220
Outras empresas 231 164

 

Outras empresas são importadoras, como Foton, JAC Caminhões, Sany, XCMG, entre outras.

Ônibus recuam mais de 30% no início do ano

O segmento de ônibus apresentou retração ainda mais intensa no início de 2026. Os emplacamentos acumulados no primeiro bimestre somaram 2.486 unidades, queda de 33,4% frente às 3.735 unidades registradas em jan-fev de 2025.

Entre as montadoras associadas à Anfavea, foram 2.323 veículos emplacados, recuo de 36,4% na comparação anual.

A liderança ficou com a Mercedes-Benz do Brasil, com 991 unidades, seguida pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 712 ônibus.

Na sequência aparecem Agrale, com 360 unidades, Volvo Buses, com 66, e Scania, com 30 veículos.

Categoria / Empresa Acumulado 2026 (C) Acumulado 2025 (E)
Ônibus – Total 2.486 3.735
Empresas associadas 2.323 3.654
Agrale 360 571
Iveco 164 471
Volkswagen Caminhões e Ônibus 712 980
Mercedes-Benz 991 1.414
Scania 30 100
Volvo 66 118
Outras empresas 163 81

Mercado interno de veículos mantém resiliência

Enquanto o segmento de pesados enfrenta retração, o mercado brasileiro de automóveis como um todo segue mostrando resiliência em 2026.

No primeiro bimestre do ano, foram 355,7 mil unidades emplacadas, repetindo o bom desempenho observado no mesmo período de 2025.

Fevereiro apresentou um resultado particularmente positivo, com média diária de 10,3 mil veículos vendidos, acima das 8,1 mil unidades registradas em janeiro e das 9,2 mil unidades de fevereiro do ano passado. O resultado representa a segunda melhor média diária para o mês nos últimos dez anos, segundo a Anfavea.

Grande parte desse desempenho foi puxada pelos segmentos de automóveis e comerciais leves, cujos emplacamentos cresceram 18% no bimestre na comparação anual.

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Produção recua com queda nas exportações

Apesar do bom ritmo do mercado interno, a produção nacional apresentou retração no início do ano.

A indústria automotiva brasileira fabricou 338 mil autoveículos no primeiro bimestre de 2026, volume 8,9% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

O principal fator por trás da queda foi o recuo nas exportações. Nos dois primeiros meses do ano, 59,4 mil veículos foram enviados ao exterior, retração de 28% na comparação anual.

Eletrificados avançam no Brasil

Outro destaque do mercado automotivo brasileiro é o avanço dos veículos eletrificados. Em fevereiro, 28.120 unidades de modelos híbridos e elétricos foram emplacadas, representando 15,9% do total de veículos leves vendidos no país.

Um dado relevante é o crescimento da participação de modelos produzidos localmente: 43% dos eletrificados vendidos no país já são fabricados no Brasil, a maior participação da série histórica da Anfavea.

No entanto, os híbridos com motores elétricos que também tracionam as rodas ainda são importados. Os números híbridos apresentados acima são, na sua maioria, híbridos leves, como o Fiat Pulse Hybrid. O motor elétrico funciona apenas como assistente do motor a combustão: ele atua como gerador e auxiliar de torque (start-stop mais suave, pequenas ajudas em arrancadas e retomadas), recupera energia nas frenagens, melhora um pouco o consumo e as emissões.

Desafios geopolíticos seguem no radar da indústria

Mesmo com sinais de resiliência do mercado interno, a indústria acompanha com atenção o cenário internacional.

Entre os fatores de risco apontados estão as tensões geopolíticas, os impactos sobre cadeias logísticas globais e a volatilidade cambial. A alta do petróleo e do dólar, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, também pressiona os custos de transporte e produção.

No cenário doméstico, os juros elevados continuam sendo um desafio adicional para a renovação de frota. A projeção de crescimento do PIB brasileiro é de 1,8% em 2026, enquanto a taxa Selic permanece em 15% ao ano, patamar que encarece o crédito e pode adiar decisões de investimento por parte das empresas.

Ainda assim, a avaliação da indústria é de que a cadeia automotiva brasileira mantém capacidade de adaptação e segue comprometida com novos investimentos, inovação tecnológica e a modernização da frota nacional.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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