A decisão da DHL Supply Chain de ampliar e renovar sua frota própria no Brasil com 75 novos caminhões Mercedes-Benz vai além de uma simples atualização de ativos. A aquisição inclui 25 cavalos mecânicos pesados Actros 2045, 40 caminhões semipesados Atego 2429 6×2 e 10 caminhões médios Accelo 1117, todos comercializados pelo concessionário Pirasa, de Campinas (SP). Os veículos passam a operar em diferentes perfis logísticos da DHL Supply Chain no País, reforçando uma frota que já conta com cerca de 300 caminhões Mercedes-Benz.
Segundo Esteban Kinjo Escobar, diretor sênior de Transporte da DHL Supply Chain no Brasil, a atualização da frota visa atender à norma Proconve P8 (Euro 6) e padronização da frota. “Com essas aquisições, cerca de 300 caminhões da nossa frota própria são Mercedes-Benz, um parceiro local e global da DHL”, afirma o executivo.
“A escolha da DHL Supply Chain pelo Actros, Atego e Accelo nos traz orgulho e satisfação. Isso demonstra a aprovação criteriosa de uma empresa extremamente profissional quanto à qualidade, confiabilidade, eficiência e rentabilidade entregues pelos caminhões da nossa marca para o especializado transporte de alto valor agregado”, diz Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil.
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A renovação com modelos mais novos e menos poluentes também se conecta diretamente aos investimentos da DHL Supply Chain em transportes para a indústria de saúde, segmento que exige alto nível de confiabilidade, rastreabilidade e conformidade ambiental.
O Proconve P8 (Euro 6) representa um salto significativo em relação ao P7 (Euro 5), reduzindo drasticamente emissões de poluentes como NOx e material particulado, além de exigir tecnologias mais avançadas de controle.
Comparativo de Emissões: Proconve P7 (Euro 5) vs P8 (Euro 6)
| Aspecto | Proconve P7 (Euro 5) | Proconve P8 (Euro 6) |
|---|---|---|
| Entrada em vigor no Brasil | 2012 | 2023 |
| Redução de NOx (óxidos de nitrogênio) | Limite em torno de 2,0 g/kWh | Aproximadamente 0,4 g/kWh (redução de ~80%) |
| Material particulado (MP) | 0,03 g/kWh | 0,01 g/kWh (redução de ~66%) |
| Tecnologias exigidas | EGR (recirculação de gases), catalisador de oxidação | SCR (redução catalítica seletiva), filtro de partículas (DPF), sensores avançados |
| Impacto visual (fumaça preta) | Ainda presente em alguns veículos | Praticamente eliminada |
| Consumo de combustível | Menor uso de Arla 32 (ureia) | Maior uso de Arla 32, mas compensado por eficiência energética |
| Custo inicial | Mais baixo | Mais alto devido à tecnologia embarcada |
| Benefício ambiental | Redução parcial de poluentes | Redução significativa, melhora da qualidade do ar e saúde pública |
Esse movimento no Brasil dialoga com uma estratégia global muito mais ampla. Em janeiro de 2026, o DHL Group detalhou avanços relevantes em sua jornada rumo ao net-zero até 2050. Entre os marcos estão o maior acordo de combustível de aviação sustentável (SAF) já firmado pela companhia nos Estados Unidos, parcerias para uso de biocombustíveis no transporte marítimo, testes com caminhões a hidrogênio no Oriente Médio, forte avanço da eletrificação da última milha na Alemanha e investimentos em armazenagem abastecida por energia solar na Ásia.
Embora a realidade brasileira ainda imponha limites à adoção em larga escala de tecnologias como hidrogênio e eletrificação pesada, a renovação da frota rodoviária com veículos mais eficientes e menos poluentes é, hoje, uma das formas mais realistas de reduzir emissões no curto e médio prazo.


