Com quase quatro décadas de atuação no transporte rodoviário, o Grupo Veno, tradicionalmente associado à operação com caminhões Volvo, anuncia uma aquisição de 190 unidades do Iveco S-Way 6×4, sinalizando não apenas uma renovação de frota, mas um teste em larga escala de uma nova marca em operações severas.
Com sede no Espírito Santo, o Grupo Veno é resultado da união entre Transilva, DTL e Codepe, formando um portfólio diversificado que atende desde o transporte de veículos até operações especializadas. Hoje, o grupo atua no Brasil e no Mercosul, estruturado em cinco unidades de negócio: Transporte de veículos, carga geral, contêineres, máquinas e equipamentos especiais, logística integrada e armazenagem.
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Um dos principais diferenciais do grupo é a infraestrutura logística. Na região da Grande Vitória (ES), o Veno opera uma área de aproximadamente de 1 milhão de metros quadrados, voltada à armazenagem, movimentação portuária e operações aduaneiras. A frota própria é monitorada 24 horas por satélite com tecnologia própria, a partir de um Centro de Controle Geral localizado na matriz, o que evidencia o nível de exigência em confiabilidade, rastreabilidade e continuidade operacional.
A entrada da Iveco em uma frota historicamente Volvo
As imagens institucionais e o histórico operacional do Grupo Veno sempre mostraram forte presença de caminhões Volvo, marca reconhecida por robustez e aceitação em operações pesadas. A decisão de experimentar a Iveco, portanto, não é trivial.
Segundo o comunicado da montadora de origem italiana e atualmente pertecente ao capital indiano, Transilva e Gepax — empresas do grupo — adquiriram juntas 190 unidades do Iveco S-Way 6×4, sendo 145 para a Transilva e 45 para a Gepax. Trata-se de uma das maiores vendas do modelo no país e um marco relevante para da Iveco financiar a produção do modelo em Sete Lagoas (MG) e manter seus fornecedores e fluxo de caixa.
Como o comunicado não informa sobre valores envolvidos e outras informações sobre a negociação, a equipe da Frota News fez pesquisa com outras fontes de informações, como a Fundação Instituto de Pesquisas Aplicadas Econômicas, responsável pela elaboração da Tabela FIPE, que faz a formação do preço médio dos veículos comercializados no Brasil.
Se a negociação tivesse como base os preços médios da Tabela FIPE, a escolha do Grupo Veno pelos caminhões Iveco representaria uma economia estimada em R$ 24,51 milhões em relação aos modelos da Volvo. Especialistas do setor, no entanto, avaliam que o montante pode ser ainda maior. Isso porque a Volvo, líder no segmento de pesados com o consagrado FH 540, costuma adotar uma política mais rígida na concessão de descontos, ao contrário da Iveco, que se mostra mais flexível nas negociações.
Outro fator relevante na negociação deve ter sido a taxa de financiamento, que impacta diretamente o custo final da operação. Uma hipótese comum entre empresas pouco transparentes em comunicação. Além das condições financeiras, o pacote oferecido pela Iveco incluiu ainda os Planos de Manutenção da própria montadora, agregando valor à proposta e reforçando a competitividade frente aos concorrentes.


