A parceria firmada entre a Reiter Log e a Coca-Cola FEMSA vai além de um contrato tradicional de transporte. Trata-se de um movimento estruturado de descarbonização da operação logística, com impacto direto na gestão de frotas, na previsibilidade operacional e no cumprimento de metas ESG em um dos corredores mais relevantes do Sul do país.
As informações foram publicadas pela Reiter Log em seu perfil no LinkedIn e a Frota News aprofundou a apuração para entender o que está por trás do anúncio oficial e quais são os efeitos práticos dessa iniciativa para o setor de transporte rodoviário de cargas.
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O acordo, com prazo de cinco anos, envolve uma frota dedicada de 36 caminhões, responsável por atender uma operação contínua de transferência entre Santa Catarina e Paraná. O ponto central da estratégia está na introdução de três cavalos mecânicos pesados movidos a biometano, combustível renovável que vem ganhando espaço como alternativa concreta ao diesel no transporte de cargas.
A Coca-Cola FEMSA já conta com mais de 400 caminhões elétricos para distribuição urbana e já estava no planejamento o investimento na logística de médias e longas distâncias com caminhões movidos a biometano. Saiba mais na entrevista exclusiva ao Frota News:
Entrevista: A gestão de segurança da frota de 11 mil veículos da Coca-Cola Femsa Brasil
Biometano: tecnologia madura para operações pesadas
O uso do biometano representa um avanço importante frente ao GNV de origem fóssil. Produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, o combustível apresenta vantagens ambientais e operacionais relevantes:
- Redução de até 90% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel convencional;
- Origem 100% renovável, com potencial de economia circular;
- Desempenho térmico e torque compatíveis com operações pesadas, incluindo transporte de bebidas em regiões de serra, comuns no Sul do Brasil.
Na prática, isso significa que a frota consegue manter produtividade, capacidade de carga e regularidade operacional, fatores críticos para contratos de longo prazo com a indústria de bebidas.
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Para isso, a Reiter Log tem uma das maiores frotas de caminhões pesados movidos a biometano. Os modelos são todos Scania, única fabricante de com produção comercial no Brasil até o momento. Além disso, a Reiter Log tem investido em postos de abastecimento de biometano em suas principais rotas.
O corredor SC–PR
A rota atendida pela operação é estratégica para a Coca-Cola FEMSA:
- Origem: fábrica de Antônio Carlos (SC), uma das principais unidades produtivas da companhia no país;
- Destino: centros de distribuição de Araucária e Curitiba (PR);
- Volume: cerca de 104 viagens mensais, garantindo fluxo contínuo de abastecimento para a Região Metropolitana de Curitiba.
A escolha de um eixo interestadual, e não apenas urbano, reforça a tese de que o biometano já alcançou um nível de maturidade suficiente para operações de média e longa distância, superando a fase de testes restritos a centros urbanos.
Impacto ambiental: prevenção, não compensação
A redução estimada de 920 toneladas de CO₂ por ano, uma equivalência ao plantio de 2.500 árvores por ano. Para a Coca-Cola FEMSA, a iniciativa contribui diretamente para a meta global de redução de 28% das emissões até 2030, considerando a base de 2015.
Além do aspecto ambiental, o uso de combustíveis alternativos também dialoga com a gestão de custos logísticos. Em um cenário de alta volatilidade do diesel, o biometano tende a oferecer maior previsibilidade de preços no longo prazo, fator cada vez mais relevante para contratos extensos e operações dedicadas.
Para a Reiter Log, o novo contrato confirma a estratégia de investir na ampliação da frota com caminhões movidos a gás e elétricos.
Análise Frota News
O novo contrato entre Reiter Log e Coca-Cola FEMSA sinaliza uma mudança no setor: a logística verde deixou de ser diferencial de marketing e passou a ser critério contratual. Grandes embarcadores já exigem soluções que conciliem eficiência operacional, redução de emissões e estabilidade de custos.
O uso do biometano em rotas interestaduais demonstra que a transição energética no transporte rodoviário não é mais uma promessa de longo prazo, mas uma realidade em construção. Para gestores de frotas e operadores logísticos, isso é mais um sinal: sustentabilidade, agora, é parte da equação de competitividade.


