O setor de veículos pesados encerrou 2025 com sinais de alerta para transportadores, gestores de frotas e operadores logísticos. Dados consolidados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que, apesar de um desempenho geral positivo da indústria automotiva, caminhões e ônibus seguiram um caminho mais cauteloso, fortemente impactados pelo ambiente de juros elevados e crédito restrito.
No mercado interno, os emplacamentos de caminhões no acumulado de janeiro a dezembro de 2025 somaram 113.477 unidades, uma queda de 9,2% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 124.933 unidades. O resultado confirma que a renovação de frotas perdeu ritmo ao longo do ano, especialmente nos segmentos mais dependentes de financiamento.
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Mesmo com um dezembro mais aquecido na comparação com novembro, impulsionado por promoções e queima de estoques, o desempenho mensal não foi suficiente para reverter o quadro anual negativo. O impacto foi ainda mais intenso no segmento de caminhões pesados, voltados majoritariamente ao transporte de longas distâncias, que registraram retração de 20,5% frente a 2024 — reflexo direto do aumento do custo do capital e da cautela dos transportadores diante das incertezas econômicas.
Do lado da produção, o cenário foi um pouco mais estável. A indústria nacional fabricou 152 mil caminhões e ônibus em 2025, e a Anfavea projeta uma leve recuperação em 2026, com produção estimada em 154 mil unidades, alta de 1,4%. Ainda assim, o avanço esperado é modesto e não indica, ao menos no curto prazo, uma retomada vigorosa do mercado.
“O patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas limitaram uma recuperação mais consistente do setor ao longo de 2025 e seguem presentes neste início de ano”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea. Segundo ele, o comportamento do mercado em 2026 deve ser semelhante ao observado no segundo semestre do ano passado, marcado por decisões de compra mais conservadoras.
Destaques de crescimento
Mercedes-Benz: Embora o mercado geral tenha caído, a marca da estrela de três pontas conseguiu um resultado positivo de 9,5% no acumulado (27.935 unidades), consolidando-se como uma das poucas grandes montadoras a nadar contra a corrente da retração.
As líderes em volume e as quedas
Volkswagen Caminhões e Ônibus: Líder em volume absoluto com 30.211 unidades, a montadora encerrou o ano com uma leve queda de 3,6%, um desempenho superior à média do mercado.
Volvo e Scania: As marcas suecas, fortes no segmento de pesados, enfrentaram um ano difícil. A Volvo registrou queda de 13,4% (20.074 unidades), enquanto a Scania sofreu uma retração mais acentuada de 31,4% (13.134 unidades).
DAF: A montadora também viu seus números encolherem, fechando o ano com -22,2% em relação a 2024. É o primeiro ano que a montadora registra queda de vendas desde a inauguração da fábrica em Ponta Grossa (PR), em 2023.
Iveco: Manteve uma performance estável, com uma variação negativa de apenas 2,4%, praticamente acompanhando o ritmo do ano anterior.


Perspectivas
O resultado de 2025 mostra um setor em transição. O crescimento de montadoras focadas em nichos específicos e a resiliência da Mercedes-Benz contrastam com a dificuldade das marcas de caminhões de pesados, que são mais dependentes de financiamentos de longo prazo. Para 2026, a expectativa da indústria recai sobre a possível flexibilização das taxas de juros para retomar o fôlego das vendas.



