quarta-feira, janeiro 28, 2026

Caminhões e ônibus fecham 2025 sob pressão dos juros, aponta Anfavea

O setor de veículos pesados encerrou 2025 com sinais de alerta para transportadores, gestores de frotas e operadores logísticos. Dados consolidados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que, apesar de um desempenho geral positivo da indústria automotiva, caminhões e ônibus seguiram um caminho mais cauteloso, fortemente impactados pelo ambiente de juros elevados e crédito restrito.

No mercado interno, os emplacamentos de caminhões no acumulado de janeiro a dezembro de 2025 somaram 113.477 unidades, uma queda de 9,2% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 124.933 unidades. O resultado confirma que a renovação de frotas perdeu ritmo ao longo do ano, especialmente nos segmentos mais dependentes de financiamento.

Mesmo com um dezembro mais aquecido na comparação com novembro, impulsionado por promoções e queima de estoques, o desempenho mensal não foi suficiente para reverter o quadro anual negativo. O impacto foi ainda mais intenso no segmento de caminhões pesados, voltados majoritariamente ao transporte de longas distâncias, que registraram retração de 20,5% frente a 2024 — reflexo direto do aumento do custo do capital e da cautela dos transportadores diante das incertezas econômicas.

Do lado da produção, o cenário foi um pouco mais estável. A indústria nacional fabricou 152 mil caminhões e ônibus em 2025, e a Anfavea projeta uma leve recuperação em 2026, com produção estimada em 154 mil unidades, alta de 1,4%. Ainda assim, o avanço esperado é modesto e não indica, ao menos no curto prazo, uma retomada vigorosa do mercado.

“O patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas limitaram uma recuperação mais consistente do setor ao longo de 2025 e seguem presentes neste início de ano”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea. Segundo ele, o comportamento do mercado em 2026 deve ser semelhante ao observado no segundo semestre do ano passado, marcado por decisões de compra mais conservadoras.

Destaques de crescimento

Mercedes-Benz: Embora o mercado geral tenha caído, a marca da estrela de três pontas conseguiu um resultado positivo de 9,5% no acumulado (27.935 unidades), consolidando-se como uma das poucas grandes montadoras a nadar contra a corrente da retração.

As líderes em volume e as quedas

Volkswagen Caminhões e Ônibus: Líder em volume absoluto com 30.211 unidades, a montadora encerrou o ano com uma leve queda de 3,6%, um desempenho superior à média do mercado.

Volvo e Scania: As marcas suecas, fortes no segmento de pesados, enfrentaram um ano difícil. A Volvo registrou queda de 13,4% (20.074 unidades), enquanto a Scania sofreu uma retração mais acentuada de 31,4% (13.134 unidades).

DAF: A montadora também viu seus números encolherem, fechando o ano com -22,2% em relação a 2024. É o primeiro ano que a montadora registra queda de vendas desde a inauguração da fábrica em Ponta Grossa (PR), em 2023.

Iveco: Manteve uma performance estável, com uma variação negativa de apenas 2,4%, praticamente acompanhando o ritmo do ano anterior.

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Fonte: Carta da Anfavea
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Fonte: Carta da Anfavea

Perspectivas

O resultado de 2025 mostra um setor em transição. O crescimento de montadoras focadas em nichos específicos e a resiliência da Mercedes-Benz contrastam com a dificuldade das marcas de caminhões de pesados, que são mais dependentes de financiamentos de longo prazo. Para 2026, a expectativa da indústria recai sobre a possível flexibilização das taxas de juros para retomar o fôlego das vendas. 

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Projeção para 2026 feita pela Anfavea
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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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