A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) emitiu um alerta aos motoristas e operadores de transporte sobre a ocorrência de golpes que utilizam indevidamente o nome do sistema Free Flow, modelo de pedágio eletrônico sem cancelas já adotado em rodovias concedidas no Brasil. A novidade tecnológica, que promete mais fluidez no tráfego e redução de filas, tem sido explorada por criminosos para aplicar fraudes, cobrar valores inexistentes e obter dados pessoais e financeiros de usuários.
O Free Flow permite que veículos passem pelos pontos de cobrança sem a necessidade de parada. A identificação ocorre por meio de câmeras e sensores que registram a placa, e o usuário deve consultar e quitar a tarifa posteriormente, dentro do prazo de até 30 dias, diretamente com a concessionária responsável pela rodovia. Segundo a ANTT, não existe envio automático de boletos por correio, tampouco um site único nacional para consulta de débitos.
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É justamente essa dinâmica — ainda recente para muitos motoristas e gestores — que tem servido de brecha para golpes. As fraudes mais comuns envolvem a criação de páginas falsas na internet que simulam serviços de consulta de pedágio eletrônico. Ao acessar esses sites, o motorista é induzido a informar dados do veículo e, em seguida, recebe a cobrança de um valor inexistente, geralmente acompanhada da geração de uma chave Pix que direciona o pagamento diretamente ao golpista.
Outra prática identificada é o envio de boletos falsos para endereços físicos ou e-mails de transportadoras e motoristas, utilizando informações obtidas de forma irregular. Em operações de grande escala, como as de frotas comerciais, o risco é ainda maior: a multiplicação de passagens em rodovias com Free Flow pode gerar confusão administrativa e abrir espaço para pagamentos indevidos se não houver controle rigoroso.
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Para o Diretor-Geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, a orientação é: a consulta e o pagamento das tarifas do Free Flow devem ser feitos exclusivamente nos canais oficiais das concessionárias que administram cada trecho rodoviário. “Cada rodovia possui sua própria plataforma de atendimento, com orientações claras sobre formas de pagamento e eventuais penalidades em caso de inadimplência”, reforça.
Do ponto de vista da gestão de frotas, o episódio reforça a importância de processos internos bem definidos para controle de pedágios eletrônicos. Centralizar a conferência de débitos, treinar equipes administrativas para identificar tentativas de fraude e manter um mapeamento atualizado das concessionárias e seus canais oficiais são medidas que ajudam a reduzir riscos financeiros e operacionais.

À medida que o Free Flow avança na malha concedida, a tecnologia tende a se consolidar como padrão. No entanto, o alerta da ANTT mostra que a modernização do sistema de cobrança precisa caminhar lado a lado com informação, governança e atenção redobrada por parte de transportadoras e gestores de frotas.
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