No Brasil, o Mercedes-Benz Arocs ocupa um espaço bem definido no portfólio da marca. Voltado a aplicações severas, o modelo é oferecido em configurações específicas: chassi rígido e cavalo mecânico 6×4, além de uma versão basculante 8×4, e potências que chegam a 530 cv. É uma oferta coerente com o perfil médio das obras e da mineração no país, mas bastante conservadora quando comparada ao que a Mercedes-Benz Trucks disponibiliza em outros mercados.
O lançamento do Arocs Extent ajuda a dimensionar essa diferença. Voltado ao setor de construção pesada, o modelo não traz apenas um pacote estético diferenciado, mas reforça como o Arocs pode ser configurado para atender operações ainda mais extremas — e, principalmente, como a marca explora o caminhão também como um ativo de imagem e valorização da frota.
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Visualmente, o Arocs Extent se distancia do padrão visto no Brasil. O acabamento em cinza fosco, a grade frontal com logotipo “Arocs” em cromado escuro, os faróis de LED com luzes adicionais integradas ao para-sol e os elementos decorativos com efeito carbono constroem uma identidade forte. Soma-se a isso o uso de aço inoxidável em tampas e porcas de eixo, reforçando uma percepção de robustez premium.
Para o frotista europeu, especialmente no setor de construção, esse tipo de diferenciação não é apenas estética: ajuda na valorização do ativo, no orgulho do motorista e até na imagem corporativa junto a clientes e parceiros.
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Motores que vão além do teto brasileiro
Outro ponto que chama atenção é a oferta de motores. Enquanto o Arocs nacional se limita a potências de até 530 cv, o Extent pode ser equipado com três opções Euro VI:
- OM 470, com até 456 cv;
- OM 471 (3ª geração), com até 530 cv, já conhecido por aqui;
- OM 473, com impressionantes 625 cv, oferecido na Europa e na Argentina.
O OM 473 é um seis cilindros em linha de 15,6 litros, com injeção X-Pulse de até 2.700 bar e tecnologia de turbo composto, que reaproveita a energia dos gases de escape para elevar eficiência e torque em operações extremas.
No contexto brasileiro, a pergunta é inevitável: haveria mercado para um Arocs acima dos 600 cv? Em nichos como mineração pesada, obras de grande porte, transporte fora de estrada e operações florestais, a resposta tende a ser positiva — desde que acompanhada de uma equação econômica viável.
Cabine digital e foco no motorista
O Arocs Extent também evidencia o avanço da digitalização nos caminhões de construção. O Multimedia Cockpit Interactive 2 vem de série, com painel digital de 12 polegadas, tela sensível ao toque, comandos por voz e acesso rápido a funções críticas do trabalho, como tomadas de força, navegação específica para operações pesadas e o Controle Preditivo do Trem de Força (PPC).
Esse conjunto reforça uma tendência que, mesmo em aplicações severas, conforto, conectividade e gestão eletrônica passaram a ser fatores estratégicos. Para o gestor de frota, isso significa mais dados, melhor controle operacional e potencial redução de consumo e desgaste mecânico.
Mais do que uma edição limitada, o Arocs Extent funciona como um termômetro: revela até onde a Mercedes-Benz consegue levar o conceito do Arocs. Resta saber quando — e em que medida — esse “outro Arocs” fará sentido para as estradas, canteiros de obras e minas do Brasil.


