segunda-feira, janeiro 12, 2026

ANTT amplia rede de Pontos de Parada e Descanso, mas Brasil segue longe do mínimo exigido pela Lei do Motorista

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou a ampliação da rede de Pontos de Parada e Descanso (PPDs) nas rodovias federais concedidas, com a entrega de novas estruturas e a previsão de outras 23 unidades até 2027. Apesar do avanço, os números ainda estão muito aquém do necessário para garantir o cumprimento efetivo da Lei 13.103/2015 (Lei do Motorista) e atender à realidade do transporte rodoviário brasileiro.

Atualmente, o país conta com cerca de 167 PPDs reconhecidos ou certificados pelo Ministério dos Transportes, enquanto estimativas do setor indicam a necessidade de 1.000 a 1.500 pontos estruturados ao longo das rodovias federais e estaduais. Na prática, isso significa que o Brasil opera com menos de 15% da infraestrutura mínima para assegurar jornadas legais, descanso adequado e segurança viária aos motoristas profissionais.

Avanço concentrado nas concessões

Nas rodovias federais concedidas, a implantação dos PPDs faz parte das obrigações contratuais das concessionárias, sob fiscalização da ANTT. Até o momento, oito Pontos de Parada e Descanso já foram entregues e estão em funcionamento, distribuídos em trechos de corredores logísticos como a BR-101, BR-116, BR-153 e BR-163.

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Essas estruturas oferecem estacionamento, banheiros em condições sanitárias minimamente adequadas, áreas de alimentação, espaços de repouso, iluminação e vigilância privada, com funcionamento contínuo e acesso gratuito — requisitos definidos em normas como a Portaria 4.710/2021 e a Resolução ANTT 6.054/2024.

Planejamento avança, mas ritmo é insuficiente

O planejamento atual prevê a implantação de 23 novos PPDs, sendo cinco entregas em 2026 e 18 em 2027. Embora o cronograma represente avanço institucional, especialistas do setor alertam que o ritmo não acompanha a urgência imposta pela legislação.

Pela Lei do Motorista, o condutor não pode dirigir por mais de 5,5 horas ininterruptas. Considerando uma velocidade média entre 60 km/h e 70 km/h, seria necessário um ponto de parada a cada 330 km a 380 km, no máximo. Para garantir margem de escolha e evitar paradas forçadas em locais inseguros, o ideal seria uma oferta a cada 100 km ou 150 km nos principais corredores logísticos.

Gargalos estruturais persistem

Além da concentração dos investimentos em rodovias concedidas, o Brasil ainda enfrenta entraves como o alto custo de segurança e manutenção das áreas de pernoite e a falta de incentivos fiscais capazes de estimular postos e operadores privados a investir na infraestrutura exigida. O tema está no centro das discussões do PL 1.155/2024, que propõe a criação do Selo Amigo do Motorista.

Impacto direto na segurança e na logística

A insuficiência de PPDs obriga motoristas a parar em acostamentos e áreas não autorizadas, elevando o risco de acidentes, roubos de carga e problemas de saúde. Para transportadoras e embarcadores, o déficit também representa maior dificuldade para cumprir a legislação trabalhista e reduzir passivos operacionais.

Apesar do avanço regulatório e da ampliação anunciada pela ANTT, o desafio permanece sem uma expansão adequada e integrada da rede de Pontos de Parada e Descanso, a Lei do Motorista seguirá distante da realidade das estradas brasileiras.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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