Os mercados de caminhonetes pequenas e médias da América Latina e do Caribe estão entre os mais relevantes e dinâmicos do mundo. Essenciais para o trabalho e cada vez mais presentes nas frotas corporativas e no uso privado, as picapes têm papel central nas operações urbanas e rurais. Por isso, sua segurança — tanto para ocupantes quanto para usuários vulneráveis da via — torna-se um fator decisivo nas estratégias de grandes frotas e também nas escolhas dos consumidores.
Sob o atual protocolo de avaliação, o Latin NCAP testou sete modelos amplamente vendidos: as médias Mitsubishi L200/Triton, Ford Ranger, Volkswagen Amarok e Great Wall Motors Wingle 5, além das pequenas Chevrolet Montana, Fiat Strada e RAM 700 — estas duas últimas versões de um mesmo projeto.
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Cinco estrelas: L200/Triton e Nova Ranger puxam o padrão de segurança
A Mitsubishi L200/Triton e a Ford Ranger alcançaram a classificação máxima de cinco estrelas, destacando-se como exemplos de como fabricantes podem elevar seus padrões. Versões anteriores desses dois modelos já haviam recebido avaliações inferiores, mas passaram por melhorias voluntárias que resultaram em estruturas mais robustas, sistemas de retenção mais eficientes e maior disponibilidade de tecnologias ADAS.
Essa evolução não apenas reforça a relevância dessas picapes para consumidores e grandes frotas, mas também mostra o peso das avaliações de segurança nas decisões de compra.
A situação é crítica no caso do Great Wall Motors Wingle 5, cujo desempenho ficou abaixo do esperado. A ausência de equipamentos presentes em mercados onde a GWM atua e a discrepância com modelos mais recentes da própria marca levantam questionamentos sobre a estratégia para a região.
Picapes pequenas deixam a desejar em ADAS — mas há exceções
No segmento das picapes compactas, três modelos foram avaliados: Fiat Strada, RAM 700 e Chevrolet Montana. Nenhum deles oferece sistemas ADAS — nem como opcional —, um ponto crítico para veículos que circulam intensamente em áreas urbanas e convivem diretamente com pedestres, motociclistas e ciclistas.
A Montana, porém, se destaca ao demonstrar que é possível entregar segurança passiva completa de série, com seis airbags e estrutura estável, garantindo bom nível de proteção mesmo sem ADAS.
Em contrapartida, a Strada e a RAM 700 revelaram pontos preocupantes: airbags laterais e de tórax ineficazes na proteção lateral em versões cabine dupla, ausência total desses airbags nas configurações cabine simples e instabilidade estrutural. O conjunto aumenta o risco de ferimentos graves em colisões laterais e gera alerta para frotistas que adotam esses modelos em grande escala.
Mercado aquecido exige veículos mais seguros
A relevância das picapes na economia regional reforça a importância dos testes. Em 2024, mais de um milhão de unidades foram vendidas em 17 mercados latino-americanos, equivalendo a 18,4% do total de vendas automotivas. No Brasil, o segmento representou 19,4% e, na Argentina, 26,7% das vendas do ano. O crescimento entre 2023 e 2024 superou 7%.
Esse protagonismo significa que a segurança desses veículos impacta diretamente a vida de milhões de trabalhadores — especialmente considerando que um terço das mortes no trânsito no mundo (cerca de 400 mil ao ano) ocorre em acidentes de trabalho, segundo o estudo “Salvando Vidas Além de 2025”.
Proteção de pedestres e ADAS: sem desculpas para ficar para trás
Mesmo em segmentos mais difíceis para garantir proteção a pedestres, os modelos de maior nota — L200/Triton e Ranger — demonstraram que é possível combinar boa segurança passiva com tecnologias como:
- AEB — Frenagem Autônoma de Emergência
- LSS — Assistência de Permanência em Faixa
- BSD — Detector de Ponto Cego
A Volkswagen Amarok, embora equipada com aviso de colisão frontal, carece de frenagem automática — um passo atrás frente aos líderes.
Recomendações do Latin NCAP para frotas e governos
O relatório reforça diretrizes essenciais para aumentar a segurança veicular na região:
- Priorizar veículos avaliados pelo Latin NCAP, sempre com a maior classificação possível.
- Para frotas, escolher modelos com:
- cinco estrelas
- ESC
- seis airbags (frontais, laterais de corpo e cortina)
- ISOFIX
- proteção a pedestres
- ADAS como AEB, LSS e BSD
- Incentivar a indústria a oferecer o mesmo nível de proteção em todos os mercados, não apenas nos desenvolvidos.
- Exigir testes independentes para veículos voltados ao uso comercial e corporativo — segmento que concentra grande parte das mortes no trânsito.


