quarta-feira, janeiro 28, 2026

Comparativo: Composição Super B-double (Austrália) x Super Rodotrem (Brasil)

O transporte rodoviário de cargas pesadas é um dos pilares da economia tanto da Austrália quanto do Brasil. Nos dois países, onde as distâncias são imensas e o modal rodoviário é a solução para alta capilaridade, surgiram combinações veiculares de altíssima produtividade capazes de movimentar volumes e pesos impressionantes, como Super B-double e o Super Rodotrem.

Na Austrália, o destaque é o Super B-double, que acaba de atingir a marca de 50 000 unidades fabricadas, com capacidade de 77,5 toneladas de PBTC. Já no Brasil, o protagonista é o Super Rodotrem, com 91 toneladas de PBTC, essencial para o agronegócio. Mais do que números, essas duas soluções representam diferentes filosofias de logística pesada, moldadas pela geografia, pela infraestrutura e pelas necessidades econômicas de cada país.

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Conheça as diferenças!

Característica Super B-double (Austrália) Super Rodotrem (Brasil)
Configuração Cavalo mecânico 6×4, 2 semireboques tipo B-double (quad-quad, 2B), totalizando 11 eixos Cavalo mecânico 6×4, dois semirreboque de 3 eixos cada, uma dolly (mini-chassi de 2 eixos), totalizando 11 eixos
PBTC/GCM 77,5 toneladas 91 toneladas
Carga útil >43 toneladas ~55 a 57 toneladas (dependendo da tara)
Dimensões típicas Até 30 m de comprimento; altura 4,3–4,6 m; largura 2,5 m Até 30 m de comprimento; altura máxima 4,4 m; largura 2,6 m
Capacidade volumétrica 42 pallets em Titeliner de plataforma dupla (215 m³) Varia conforme implemento: graneleiro, basculante, tanque ou sider, chegando a 140–150 m³ em graneleiros
Regulamentação Performance Based Standards (PBS) – exige projeto e certificação especial para rodar em rede pré-aprovada Regulamentado pelo Contran/Denatran; exige Autorização Especial de Trânsito (AET) e rodovias homologadas
Tecnologia embarcada EBS, suspensão road-friendly, eixos autoguiados, underrun protection Freios ABS/EBS, rastreamento eletrônico, em alguns casos suspensão pneumática
Aplicações Contêineres, cargas paletizadas, combustíveis, bens de consumo Grãos, minérios, combustíveis, celulose, fertilizantes e carga geral
Cenário logístico Focado em alta produtividade em corredores de exportação (ex.: Porto de Melbourne) Essencial para escoamento agrícola e minério em longas distâncias no Brasil


Canavieiro de 91 toneladas
Novo DAF XF 530 Off-Road tracionando um Super Rodotrem Canavieiro

Análise

  • Capacidade de carga:
    O Super Rodotrem brasileiro (91 t) transporta mais peso bruto que o Super B-double (77,5 t), reflexo da vocação do Brasil para o agronegócio e para movimentar commodities em grandes volumes.
  • Flexibilidade operacional:
    O Super B-double foi concebido para maior manobrabilidade em áreas urbanas e portuárias. Já o Rodotrem privilegia longas distâncias em rodovias de pista simples ou duplas, especialmente em corredores de exportação agrícola.
  • Eficiência volumétrica:
    Apesar de ter menor PBTC, o B-double australiano pode oferecer mais eficiência em cargas paletizadas (42 pallets em piso duplo), ideal para bens de consumo. O rodotrem brasileiro tem foco em graneis sólidos e líquidos, mas em implementos tipo sider ou carga seca chega próximo em volume.
  • Regulação e segurança:
    Na Austrália, a operação é condicionada ao regime PBS, que obriga comprovação técnica de desempenho em freios, curvas e estabilidade. No Brasil, a AET (Autorização Especial de Trânsito) cumpre papel semelhante, mas com critérios menos rigorosos de engenharia, mais ligados a infraestrutura disponível.
  • Tecnologia:
    O Super B-double é quase sempre entregue com soluções de última geração (EBS, eixos autoguiados, suspensões “road-friendly”). No Brasil, parte da frota ainda opera com tecnologias mais convencionais, embora fabricantes nacionais já ofereçam soluções similares.
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Conclusão

Enquanto o Super Rodotrem brasileiro de 91 toneladas reflete a força do país como celeiro mundial de grãos e minérios, o Super B-double australiano de 77,5 toneladas é um exemplo de engenharia aplicada à logística urbana e portuária, com foco em pallets, contêineres e cargas diversificadas.

Ambos são símbolos de veículos de alta produtividade, mas cada um atende às particularidades de infraestrutura e demanda de seu país.

 

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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