O mercado brasileiro de veículos leves encerrou 2025 com 2,54 milhões de emplacamentos, crescimento modesto de 2,4% sobre 2024, segundo a Bright Consulting. O resultado positivo, porém, esconde uma mudança estrutural importante: o ano foi puxado majoritariamente pelas vendas diretas, voltadas a frotas corporativas, locadoras e empresas, enquanto o varejo (consumidor final) perdeu tração ao longo do segundo semestre.
Depois de um novembro fraco, dezembro ajudou a “fechar a conta”, com 264.484 veículos emplacados, alta de 16,7% na comparação mensal e de 8,7% frente a dezembro de 2024. Parte desse desempenho, no entanto, veio do calendário mais favorável (22 dias úteis) e da tradicional sazonalidade de fechamento de ano.
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Crédito pressionado e consumo seletivo
O pano de fundo macroeconômico explica a dinâmica do ano. Inflação persistente, juros elevados — com a taxa Selic a 15% — e queda da confiança do consumidor limitaram as vendas financiadas e reduziram a demanda pulverizada, especialmente no varejo. Nesse cenário, as montadoras e o mercado passaram a depender mais de canais estruturados, como vendas diretas e mudanças de mix.
No acumulado de 2025, o contraste entre os canais fica claro:
- Showroom (varejo): 1.344.520 unidades
- Venda direta (VD): 1.197.418 unidades
Em relação a 2024, o varejo recuou 1,2%, enquanto a venda direta cresceu 6,8%, adicionando 76,8 mil veículos ao volume anual. Já na comparação com 2023, ambos os canais avançam, mas a VD mostra trajetória mais consistente e menos volátil.
“Dezembro até trouxe um respiro para o showroom, mas a fotografia de 2025 confirma um mercado mais dependente de venda direta e menos apoiado no consumidor pessoa física”, aponta a análise da Bright.
Frotas moldam ranking de marcas e modelos
Entre as montadoras, Fiat e Volkswagen seguem no topo, muito apoiadas no canal direto. Modelos como Fiat Strada, VW Saveiro e Fiat Mobi mostram altíssima dependência de vendas corporativas. A Saveiro, por exemplo, emplacou 7.934 unidades em venda direta de um total de 8.190 em dezembro. O Mobi seguiu lógica semelhante.
Já a BYD chama atenção pelo caminho oposto: foram 15.115 emplacamentos no mês, mas apenas 147 via venda direta, evidenciando um perfil fortemente concentrado no showroom, impulsionado pelo avanço dos eletrificados.
Mix mais caro pressiona o varejo
Os SUVs consolidaram a liderança em 2025, com 37,3% de participação no ano, percentual que sobe para 40,8% em dezembro. O avanço desse segmento — mais caro — ajuda a explicar por que o varejo sofre mais em um ambiente de crédito restritivo, enquanto frotistas conseguem negociar volumes, preços e condições.
Eletrificados e marcas chinesas ganham espaço
Outro vetor relevante no fechamento do ano foi o salto dos eletrificados, puxado pelos híbridos leves, como Fiat Pulse Hybrid, e híbridos plug-in, como Haval H6 PHEV.
Em dezembro, eles responderam por 14,3% do mercado, e no acumulado de 2025 chegaram a cerca de 11%, contra aproximadamente 7% em 2024. As marcas chinesas, puxadas pela BYD, encerraram o ano com 9,6% de participação, avanço expressivo frente aos 6,9% do ano anterior.


