Uma nova regulamentação da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) promete reduzir os custos dos taxistas da capital mineira com pneus novos e, de quebra, aquecer um setor da economia que vinha enfrentando retração, a de reforma de pneus. A partir de agora, os táxis da cidade estão autorizados a utilizar pneus reformados. A mudança, publicada em portaria da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Sumob) foi celebrada pelo Sindicato das Empresas de Revenda e de Prestação de Serviços de Reforma de Pneus e Similares do Estado de Minas Gerais (Sindipneus), que vê na decisão uma oportunidade para impulsionar o mercado e reduzir os custos da categoria.
Segundo o Sindipneus, a reforma de pneus — processo que pode incluir recapagem, recauchutagem ou remoldagem — representa uma economia expressiva para os profissionais que rodam intensamente pela cidade. Um pneu reformado custa menos da metade de um novo e a carcaça pode ser reutilizado de duas a três vezes, desde que a estrutura esteja em boas condições. Além disso, a medida é ambientalmente sustentável: cada pneu reformado evita o consumo de cerca de 57 litros de petróleo usados na produção de um pneu novo.
O presidente do Sindipneus, Paulo Bitarães, acredita que a liberação pode representar uma virada no setor, que tem enfrentado queda nas vendas — em torno de 5% neste ano — em razão das importações e da baixa fiscalização sobre o desgaste dos pneus em circulação. “Eu creio que pode dar uma impulsionada no mercado e vai ajudar muito os taxistas, principalmente no custo/benefício, porque uma reforma de pneu, hoje, sendo certificada pelo Inmetro, tem a quilometragem igual a um pneu novo”, disse ao Diário do Comércio, jornal de economia de Minas Gerais.
Qualidade e segurança
De acordo com o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), pneus reformados devem seguir rigorosos padrões de segurança. Somente empresas certificadas estão autorizadas a realizar o serviço, e os pneus passam por inspeções que garantem sua capacidade de carga e aderência, desde que o desgaste não comprometa a estrutura original — a carcaça.
“O pneu não pode estar cortado, com arame aparecendo, não pode ter bolha na lateral, não pode ter defeito estrutural nenhum para a gente reformar. Como temos hoje um volume enorme de pneus importados de baixa qualidade, muitos deles já chegam inutilizáveis para reforma”, alerta Bitarães.
A fiscalização e o papel do TWI
O índice TWI (Tread Wear Indicator), indicador de desgaste dos pneus, também se aplica aos pneus reformados. Ele é fundamental para determinar o momento de troca do item. No entanto, segundo o Sindipneus, a fiscalização sobre o TWI ainda é falha no Brasil, o que permite que motoristas circulem com pneus além do limite seguro de uso — um fator que impacta diretamente a demanda por pneus novos e reformados.
Pode ou não pode?
Embora o uso de pneus reformados seja permitido em automóveis de passeio, há restrições previstas na Resolução nº 913/2022 do Contran. Eles são proibidos, por exemplo, no eixo dianteiro de ônibus e micro-ônibus, bem como em motocicletas e ciclomotores. Fora dessas exceções, os pneus reformados representam uma alternativa econômica e ambientalmente correta.
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Perspectivas para o setor
A expectativa do Sindipneus é que a nova regulamentação impulsione não apenas os serviços de reforma, mas também autocentros e lojas multimarcas de pneus em Belo Horizonte e no Estado. “Essa medida pode fortalecer a cadeia automotiva regional, além de proporcionar mais margem de lucro para os taxistas, que enfrentam custos cada vez mais altos para manter o carro rodando”, analisa Bitarães.
Economia e sustentabilidade na mesma rota
Com potencial para reduzir os custos operacionais dos motoristas, ampliar a vida útil dos pneus e gerar menos impacto ambiental, a liberação dos pneus reformados para táxis em Belo Horizonte pode ser o ponto de partida para uma mudança mais ampla nas políticas de mobilidade urbana e consumo consciente.
Dica ao motorista: Vai considerar pneus reformados? Verifique se a empresa é certificada pelo Inmetro, fique atento ao TWI e garanta que a carcaça do pneu esteja em bom estado. Segurança e economia podem andar juntas.
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