A Tata Motors fechou um acordo para adquirir a Iveco Group, em um movimento que cria um novo player global no setor de veículos comerciais. A oferta pública voluntária em dinheiro é de € 14,10 por ação (aproximadamente R$ 90,68 por ação) totalizando cerca de € 3,8 bilhões (≈ R$ 24,4 bilhões).
A operação foi recomendada pelo conselho da Iveco e conta com o apoio da holding Exor N.V., principal acionista do Iveco Group e da Stellantis, com participação de 27,06% das ações ordinárias e 43,11% dos direitos de voto.
A conclusão da operação está condicionada à venda da divisão de defesa da Iveco, com valor estimado em € 1,7 bilhão (≈ R$ 10,93 bilhões), com distribuição de dividendos extraordinários entre € 5,5 e € 6,0 por ação (≈ R$ 35,37 a R$ 38,58 por ação) para os acionistas atuais. Após essa etapa, a Tata Motors passará a deter 100 % da Iveco, que será deslistada da Euronext Milan.
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A nova empresa projetada terá vendas anuais combinadas de aproximadamente 540 mil unidades e receita de cerca de € 22 bilhões (≈ R$ 141,46 bilhões), distribuída regionalmente em cerca de 50 % na Europa, 35 % na Índia e 15 % nas Américas. As companhias afirmam que há “mínima sobreposição” nos portfólios e presença geográfica, o que favorece uma integração mais fluida.
Quem é a Tata Motors
A Tata Motors Limited é uma das principais fabricantes globais do setor automotivo, com sede na Índia e faturamento anual de aproximadamente US$ 44 bilhões. Parte do conglomerado Tata Group, um dos maiores grupos empresariais do mundo, atua em diversos segmentos — de automóveis de passeio a utilitários, caminhões e ônibus.
Entre suas marcas e subsidiárias destacam-se a britânica Jaguar Land Rover, referência em veículos premium e de luxo, além de parcerias estratégicas em mercados como Reino Unido, Coreia do Sul, Tailândia e Indonésia.
A Tata Motors é líder absoluta no mercado indiano de veículos comerciais e está entre as três maiores no segmento de veículos de passeio no país, com presença consolidada na África, Oriente Médio, América Latina, Sudeste Asiático e na região da SAARC.
Quem é a Iveco Group
A Iveco Group N.V. é um conglomerado europeu com sede em Turim (Itália) que reúne sete marcas estratégicas: IVECO, fabricante de caminhões leves, médios e pesados; FPT Industrial, especializada em powertrains para veículos, máquinas e aplicações marítimas; IVECO BUS e Heuliez, voltadas para soluções de transporte coletivo; IDV, dedicada a equipamentos para defesa e proteção civil; ASTRA, produtora de veículos pesados para mineração e construção; e IVECO Capital, braço financeiro que dá suporte a todas as operações do grupo. A companhia emprega cerca de 36 mil pessoas, mantém 19 plantas industriais e 31 centros de P&D pelo mundo.
Impacto estratégico
Segundo Natarajan Chandrasekaran, presidente da Tata Motors, o acordo “é um passo lógico após a cisão do negócio de veículos comerciais da Tata e posiciona o grupo para competir em escala global, com dois mercados estratégicos: Índia e Europa”.
Suzanne Heywood, presidente do conselho da Iveco, afirmou que a combinação “fortalece as perspectivas de emprego e preserva a identidade industrial da Iveco”. Já Olof Persson, CEO da Iveco, destacou que a união permitirá acelerar a inovação em transporte de zero emissões e ampliar a presença em mercados-chave.
Compromissos sociais e industriais
Como parte do acordo, a Tata Motors assumiu compromissos não financeiros por um período mínimo de dois anos, entre os quais:
- Manutenção da sede da Iveco em Turim;
- Preservação da força de trabalho e dos benefícios atuais;
- Respeito às marcas, identidade corporativa e investimentos já previstos;
- Nenhum fechamento de fábricas como resultado direto da fusão.
Próximos passos
Espera-se que a venda da divisão de defesa seja concluída até 31 de março de 2026, permitindo o fechamento da oferta no primeiro semestre de 2026. Após alcançar ao menos 80 % de participação, a Tata poderá adquirir o restante das ações remanescentes.
O que muda para o mercado global de veículos comerciais
1. Um novo player global:
A união Tata–Iveco cria um grupo com vendas de aproximadamente 540 mil unidades por ano e receita de € 22 bilhões (≈ R$ 141,46 bilhões), tornando-se um dos maiores fabricantes de veículos comerciais do mundo, com presença relevante na Europa, Índia e Américas.
2. Escala e inovação:
O porte combinado permitirá maior diluição de custos, aceleração no desenvolvimento de tecnologias de baixa e zero emissão (como elétricos e híbridos) e maior poder de negociação com fornecedores.
3. Complementaridade geográfica e de portfólio:
Com mínima sobreposição de produtos e mercados, o grupo amplia sua presença em mercados emergentes da Ásia e África, fortalecendo-se em regiões onde concorrentes tradicionais, como Daimler Truck, Volvo Group e Traton, têm forte atuação.
4. Pressão competitiva:
O negócio eleva a competição global, pressionando grandes fabricantes a acelerar parcerias e investimentos, especialmente no setor de caminhões e ônibus eletrificados.
Impactos para o Brasil e América Latina
- Expansão da Tata Motors: A presença da Tata na América Latina ainda é discreta, mas a operação pode abrir caminho para uma entrada mais robusta, aproveitando a rede e a estrutura da Iveco na região.
- Reforço da Iveco no Brasil: A Iveco já tem uma fábricas consolidadas em Sete Lagoas (MG) e Córdoba (Argentina). A injeção de capital e tecnologia da Tata pode impulsionar o desenvolvimento de novos produtos para o mercado brasileiro, com foco em eletrificação e veículos de menor custo operacional.
- Mais opções para frotistas: Frotistas e operadores logísticos podem se beneficiar de novas linhas de caminhões e ônibus, potencialmente mais competitivas em preço e tecnologia.
- Cadeia de fornecedores: A fusão pode fortalecer a indústria local de autopeças, com maior volume de produção e novos investimentos.


