A Piaggio Commercial Vehicles dá um salto tecnológico ao apresentar a Porter NPE, versão 100% elétrica de sua tradicional van urbana. Mais do que uma simples eletrificação de um modelo, a novidade reposiciona o Porter em um novo patamar de desempenho, eficiência e custo, trazendo reflexões importantes para gestores de frotas, operadores logísticos e empresas de transporte urbano que buscam soluções de última milha mais limpas e produtivas.
Produzido desde 1992, o Porter nasceu de uma colaboração com a Daihatsu e construiu sua reputação com base na simplicidade mecânica e na robustez. Até recentemente, utilizava um motor a gasolina 1.5, adequado ao seu propósito urbano, mas longe de oferecer sofisticação tecnológica.
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A Porter NPE rompe com esse passado ao adotar um motor elétrico integrado ao eixo traseiro. A chamada Unidade de Acionamento Elétrico (EDU) reúne motor, inversor e transmissão em um único conjunto, solução típica de veículos elétricos mais avançados. O resultado impressiona para uma van compacta:
- Potência máxima de até 150 kW (204 cv)
- Torque de 342 Nm, disponível de forma imediata
- Potência contínua de 60 kW, adequada ao uso prolongado em ambientes urbanos
Na prática, isso se traduz em acelerações ágeis, facilidade para arrancadas com carga e condução suave, características valiosas para operações de entrega urbana. A velocidade máxima é limitada a 90 km/h, o que reforça o foco exclusivo em trajetos urbanos.
Autonomia urbana e capacidade de carga acima da média
Um dos pontos mais relevantes para o gestor de frota está na relação entre autonomia, carga útil e dimensões. A Porter NPE utiliza uma bateria LFP (lítio-ferro-fosfato) de 42 kWh, química conhecida por maior durabilidade e segurança térmica, aspectos críticos para uso intensivo.
Segundo o ciclo urbano WLTP, a autonomia pode chegar a 250 quilômetros, número bastante competitivo para operações de última milha, entregas municipais, serviços técnicos e logística urbana dedicada. O carregamento pode ser feito:
- em corrente alternada (AC) até 11 kW, ideal para recargas noturnas na base
- ou em corrente contínua (DC) até 50 kW, permitindo paradas rápidas durante o dia
Mesmo com apenas 1,6 metro de largura, o veículo mantém uma capacidade de carga útil superior a uma tonelada, algo incomum nesse segmento. Para frotas que operam em centros históricos, ruas estreitas ou áreas de restrição ambiental, essa combinação de compacidade e robustez operacional é um diferencial estratégico.
Segurança, conforto e um recurso raro no segmento
A Porter NPE chega alinhada às exigências regulatórias, incorporando sistemas de assistência ao condutor que já se tornaram padrão na Europa:
- assistência de frenagem de emergência
- assistente de manutenção de faixa
- controle eletrônico de estabilidade (ESP)
Além disso, a plataforma elétrica permite um recurso pouco comum em veículos desse porte: sistema de climatização estacionário, que pode manter a cabine climatizada sem o motor em funcionamento. Para motoristas que realizam múltiplas paradas ou aguardam carga e descarga, isso representa ganho de conforto, redução de fadiga e maior eficiência energética.
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O custo da modernidade elétrica
Se tecnicamente há evolução, ela tem preço que impõe uma reflexão inevitável. Com valores em torno de € 40 mil (equivalente a R$ 250 mil sem incluir a carga tributária brasileira e o custo Brasil), a Porter NPE é significativamente mais cara que seu antecessor a combustão, conhecido por seu baixo custo de aquisição. Portanto, a tecnologia existe, mas é muito cara.
Para o gestor de frota, isso desloca a análise do preço inicial para o custo total de propriedade (TCO). Menor gasto com energia, manutenção simplificada, isenção ou redução de taxas ambientais e acesso irrestrito a zonas de emissão zero podem, talzez ao longo do tempo, equilibrar o investimento inicial mais elevado, dependendo do perfil da operação. No entanto, até o momento, há muita transparência sobre os resultados.


