Com crescimento de 1.564% entre 2021 e 2025, emplacamentos de motos para locação revelam mudança estrutural na mobilidade profissional e reforçam avanço das operações urbanas de entrega, serviços e logística de última milha
Se a locação de automóveis e comerciais leves já consolidou sua relevância no mercado brasileiro, as motocicletas surgem agora como um dos sinais mais fortes da transformação da mobilidade profissional no país. A análise da Frota News sobre o Anuário Brasileiro do Setor de Locação 2026, da ABLA, mostra que a presença das motos no setor de locação cresceu de forma explosiva nos últimos cinco anos — e esse movimento dialoga diretamente com a expansão do last mile na logística urbana, das entregas rápidas, dos serviços em campo e da necessidade de ativos mais ágeis e baratos para operar nos grandes centros.
Em 2025, o setor de locação emplacou 130.751 motocicletas, contra apenas 7.856 unidades em 2021. Na prática, isso representa uma alta acumulada de 1.564% em cinco anos — um dos movimentos mais expressivos de todo o anuário.
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Os números mostram uma curva de crescimento acelerada e contínua, sem interrupção ao longo da série histórica:
Emplacamentos de motocicletas para locação
- 2021: 7.856 unidades
- 2022: 29.620 unidades
- 2023: 38.295 unidades
- 2024: 72.920 unidades
- 2025: 130.751 unidades
O salto mais impressionante ocorreu entre 2021 e 2022, quando os emplacamentos cresceram 137,3%. Mas o dado mais revelador talvez seja a consistência da expansão: depois disso, o setor continuou avançando em ritmo muito forte, com altas de 275,0%, 28,3%, 89,6% e 81,1% nos anos seguintes, consolidando um novo patamar para esse ativo dentro da locação.
Estoque de motos nas locadoras:

Em apenas cinco anos, a fatia das locadoras no mercado nacional de motos saltou de 0,7% para 5,9%. Em outras palavras, o setor saiu de uma presença quase marginal para se tornar um canal de compra relevante dentro da indústria de duas rodas.
Last mile explica boa parte da expansão
Sob a ótica da logística, a leitura é bastante objetiva: a motocicleta se tornou um ativo cada vez mais aderente à realidade do last mile urbano.
Nas grandes cidades, especialmente em operações de: entregas rápidas, food service, e-commerce de pequeno porte, farmácias, autopeças, assistência técnica, manutenção em campo, inspeções e serviços externos.
Mottu domina com folga e concentra 76% do mercado de motos locadas
A análise por fabricante no anuário mostra um fenômeno ainda mais emblemático: a ascensão da Mottu como protagonista absoluta desse mercado.
Participação por fabricante nas motos emplacadas para locação em 2025
- Mottu: 99.333 unidades (76,0%)
- Honda: 11.574 unidades (8,9%)
- Yamaha: 8.176 unidades (6,3%)
- Shineray: 4.410 unidades (3,4%)
- JTZ Motors (Suzuki, Haojue, Kymco, Hisun e Zontes no Brasil): 3.895 unidades (3,0%)
- Outros: 3.363 unidades (2,6%)
O dado é impressionante. Em 2021, a Mottu não tinha participação relevante no quadro (zero unidades reportadas), mas em 2022 já aparecia com 6.066 unidades e 20,5% de participação. Em 2023, saltou para 26.447 unidades e 69,1%. Em 2024, avançou para 52.739 unidades e 72,3%. E, em 2025, chegou a 99.333 unidades, concentrando três quartos de todo o volume de motocicletas destinadas à locação.
A Mottu atua como uma marca de motocicletas própria, mas não desenvolve o projeto mecânico do zero: as principais motos que comercializa são baseadas em modelos de parceiros, como a TVS Sport 110i, fabricada pela indiana TVS e produzida no Brasil em parceria com a Dafra. A empresa monta essas unidades em sua fábrica no Polo Industrial de Manaus (unidade Tupã), adapta configurações para o perfil de entregadores — focando em economia, consumo e durabilidade — e passa a vender e locar o veículo com a marca “Mottu”, incluindo emplacamento próprio. Assim, a Mottu não é apenas uma locadora que compra motos de outros fabricantes, mas sim uma companhia que monta, homologa e comercializa versões com sua identidade de marca.
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