A palavra jipe é um aportuguesamento do termo em inglês Jeep, que se tornou a marca de um veículo militar 4×4, atualmente, pertecente à Stellantis. A origem do nome “Jeep” não é totalmente certa, mas a teoria mais aceita é que ele vem da pronúncia das iniciais G.P., que significam “General Purpose” (Propósito Geral).
O veículo foi criado durante a Segunda Guerra Mundial pela montadora Willys-Overland para o exército dos Estados Unidos. Como ele tinha “propósito geral”, a sigla GP era usada para descrevê-lo, e a pronúncia em inglês “ji-pi” acabou se popularizando e se transformando no nome “Jeep”.
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Com a popularidade do veículo, o nome da marca acabou virando sinônimo para qualquer carro com tração nas quatro rodas e capacidade para circular em terrenos acidentados, o que é um fenômeno linguístico conhecido como eponímia. No entanto, para se referir a um modelo que não seja o da marca, o correto é utilizar a forma aportuguesada jipe.
Jeep CJ-2A
No dia 17 de julho, a Jeep celebrou um marco que vai muito além de uma data no calendário. Há exatos 80 anos, em 1945, surgia o CJ-2A — o primeiro veículo civil da marca e responsável por abrir as portas de um capítulo essencial na história automotiva mundial. Herdeiro direto do Willys MB, ícone militar da Segunda Guerra, o CJ-2A foi o pioneiro a exibir a icônica grade de sete fendas, assinatura visual que atravessou décadas e segue presente em todo Jeep moderno.

Nascido para o trabalho pesado no campo e na construção civil, o CJ-2A se destacou por uma versatilidade incomum. Mais do que um veículo, era uma plataforma multifuncional que podia receber guincho, tomadas de força, assentos extras, cortador de grama, limpadores de para-brisa a vácuo e até aquecedor — um luxo para a época. Com 215 mil unidades fabricadas, combinava robustez mecânica e soluções inteligentes, como a caixa de transferência Spicer 18 e os eixos Dana 25 (dianteiro) e Dana 23-2 (traseiro), que viraram referência de durabilidade no off-road.
O início de uma dinastia
O CJ-2A deu origem à lendária família CJ (Civilian Jeep), que atravessou quatro décadas e consolidou o DNA da marca: veículos compactos, robustos e prontos para qualquer terreno. Em 1949, chegou o CJ-3A, com para-brisa de peça única e eixo traseiro reforçado, mantendo o motor de quatro cilindros em L. O CJ-3B, de 1953, trouxe capô elevado para acomodar um novo propulsor e começou a ser produzido no Brasil, em São Bernardo do Campo, pela Willys-Overland do Brasil.
O CJ-5, fabricado entre 1957 e 1982, e o CJ-6, lançado em 1956 e produzido até 1975, ampliaram o leque com eixos mais robustos, freios maiores e bitola mais larga. Mas a grande revolução veio em 1976, com o CJ-7: o primeiro Jeep a oferecer transmissão automática, teto rígido moldado e portas de aço opcionais. Com entre-eixos maior e visual mais moderno, marcou a transição para a nova geração de jipes de uso civil.
Um símbolo que não envelhece
Ao todo, mais de 1,5 milhão de veículos da família CJ foram produzidos. Mas o CJ-2A segue como o ponto de partida de uma filosofia que não se perdeu: liberdade, aventura e capacidade off-road acima da média. Hoje, Wrangler, Gladiator e até o compacto Renegade carregam esse legado no design, na engenharia e no espírito.

O CJ-2A não foi apenas o primeiro Jeep civil. Foi o início de um estilo de vida — uma cultura que transformou utilitários em ícones e motoristas em exploradores. Oito décadas depois, a grade de sete fendas continua apontando para o futuro, sem jamais esquecer as trilhas do passado.


