O Move Brasil, principal instrumento emergencial do Governo Federal para estimular a renovação da frota de caminhões, já comprometeu mais de 40% do orçamento total de R$ 10 bilhões em menos de dois meses de operação. Até 27 de fevereiro, haviam sido aprovados R$ 4,2 bilhões em financiamentos, segundo dados apresentados neste sábado (28), em São Paulo.
A atualização foi acompanhada pela Frota News durante evento promovido pela Mercedes-Benz do Brasil na concessionária De Nigris, com a presença do vice-presidente da República e ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin.
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O volume aprovado em menos de 60 dias indica ritmo acelerado de execução e pode levar ao esgotamento dos recursos antes do prazo final do programa, previsto para maio.
Recursos concentrados em caminhões zero km
Dos R$ 4,2 bilhões já aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 4,152 bilhões foram destinados à compra de caminhões zero quilômetro com tecnologia Euro 6. Outros R$ 48 milhões financiaram caminhões seminovos Euro 5.

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Em relação ao perfil dos tomadores, R$ 115 milhões foram contratados por profissionais autônomos, enquanto a maior parte dos recursos ficou concentrada em empresas transportadoras e frotistas.
De acordo com o BNDES, o total de equipamentos envolvidos nas operações já supera 5,8 mil unidades, com ticket médio de R$ 1,1 milhão por operação — indicador que reflete a predominância de veículos pesados e extrapesados.
Participação da Mercedes-Benz

Segundo Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, mais de 400 caminhões da marca já foram contratados via Move Brasil, com financiamento do BNDES intermediado pelo banco da fabricante. “Estamos sentindo resultados promissores, com diversos negócios em andamento”, afirmou o executivo.
A montadora defende a ampliação — e até a permanência — do programa. “Mais de 300 mil caminhões que circulam pelo País têm mais de 20 anos de uso. A renovação é essencial para o futuro do transporte”, destacou Ferrarez durante o evento.
Execução acelerada pode indicar antecipação de demanda
Apesar do ritmo consistente de aprovações, executivos de outras montadoras ouvidos nos bastidores ponderam que parte relevante do movimento pode refletir antecipação de compras represadas em 2025, e não necessariamente uma renovação estrutural da frota antiga.
Na avaliação de fontes do setor, a consolidação de um ciclo mais robusto de crescimento dependerá de fatores macroeconômicos, como a queda sustentada da taxa Selic e a aceleração do PIB — variáveis que influenciam diretamente o custo de capital e a confiança empresarial.
Ubiratan Helou, presidente da Braspress, presente ao evento, comentou que os bancos intermédiários – entre o cliente e o BNDES – fazem crescer o custo do capital. A presença do empresário no evento foi mais institucional, pois a Braspress, com mais de 3 mil caminhões na frota, até o momento, não fez nenhuma compra utilizando esta linha de financiamento.
Com taxas entre 13% e 14% ao ano, o programa oferece condições mais competitivas do que linhas tradicionais de mercado, mas ainda opera em patamar elevado para padrões históricos de crédito direcionado.
Sucateamento ainda não decolou
Um dos objetivos centrais do Move Brasil é estimular o sucateamento de caminhões antigos, oferecendo taxa reduzida de 12% ao ano para quem entregar um veículo usado para reciclagem. No Brasil há cerca de 300 mil caminhões com idade média de 20 anos que continuará trabalhando.
Isso porque, na prática, essa modalidade ainda não registrou adesão. Até o momento, nenhum caminhão foi financiado com a taxa diferenciada vinculada à comprovação de retirada definitiva de circulação.
Isso indica que a maior parte das operações tem ocorrido por meio de substituições convencionais: seminovos trocados por zero quilômetro ou usados migrando para modelos Euro 5, sem retirada formal do veículo mais antigo do sistema.
R$ 5,8 bilhões ainda disponíveis
O Move Brasil segue até maio com R$ 5,8 bilhões ainda disponíveis. Desse montante, R$ 885 milhões estão reservados para profissionais autônomos. Caso essa cota não seja integralmente utilizada, os recursos poderão ser direcionados a frotistas.
“O importante é usarmos os R$ 10 bilhões dentro do prazo da Medida Provisória do programa”, afirmou Alckmin.
Se mantido o ritmo atual de contratações, o orçamento pode ser integralmente comprometido antes do encerramento do prazo.
Regras, taxas e prazos
Lançado em 30 de dezembro de 2025, o Move Brasil financia caminhões novos de fabricação nacional e seminovos a partir de 2012 (Proconve P7).
As condições incluem:
- Taxas entre 13% e 14% ao ano
- Taxa de 12% ao ano para operações com sucateamento comprovado
- Prazo de até 60 meses
- Carência de seis meses
- Limite de R$ 50 milhões por beneficiário
O acesso ocorre por meio de bancos credenciados ao BNDES. Pedidos de financiamento podem ser protocolados até 15 de maio (com documentação completa) ou até 25 de maio (sem documentação anexa), com contratação obrigatória até 25 de maio.
Perspectiva
O desempenho inicial do Move Brasil demonstra forte capacidade de mobilização do crédito direcionado para o setor de transporte rodoviário de cargas. Resta saber se o programa consolidará um ciclo estrutural de renovação de frota — com impacto ambiental mensurável — ou se representará apenas um impulso pontual em um mercado ainda sensível ao ambiente macroeconômico.
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