quarta-feira, janeiro 28, 2026

Iveco e Scania destacam impacto do Move Brasil na retomada do mercado de caminhões

O programa Move Brasil nasce com a ambição de destravar um gargalo histórico do transporte rodoviário de cargas: o alto custo do financiamento. Com R$ 10 bilhões em crédito, a nova política pública aposta na redução do peso dos juros para acelerar a renovação da frota de caminhões no País.

Para o CEO da Scania na América Latina, Christopher Podgorski, em sua participação ao podcast Dinheiro Entrevista, o impacto tende a ser direto nos negócios. Segundo ele, o principal fator que vinha travando vendas não era a falta de demanda, mas o custo financeiro. A taxa básica de juros, no maior patamar em duas décadas, tornava inviável a conta para frotistas e transportadores.

O executivo explica que, na prática, o custo financeiro chegava a cerca de 20%. Em um financiamento de cinco caminhões em 60 meses, o cliente acabava pagando o equivalente a seis unidades, mas operando apenas cinco. Com isso, a decisão de compra ficava congelada.

Move Brasil
Foto: Reprodução

Mesmo com sinais positivos da economia, esse fator isolado foi suficiente para puxar o freio do mercado. Em 2025, o segmento de caminhões fechou com retração de 9,2%. No pesado, a queda superou 20,5%. Para Podgorski, o Move Brasil surge como um instrumento capaz de reativar parte desse mercado, sobretudo nos modelos de maior valor.

Além das vendas, há um efeito sistêmico. A retomada ajuda a preservar empregos, manter a cadeia produtiva ativa e evitar rupturas em fornecedores, concessionárias e prestadores de serviço ligados ao transporte pesado.

Como funciona o Move Brasil

Lançado oficialmente em 8 de janeiro pelo governo federal, o Move Brasil estabelece linhas de crédito destinadas à compra de caminhões que cumpram critérios de sustentabilidade e de produção nacional. O programa prioriza caminhoneiros autônomos — um público que historicamente enfrenta barreiras para aprovar ficha cadastral nos bancos e que, mesmo com o novo programa, deve continuar encontrando exigências rigorosas —, além de cooperativas e empresas do transporte rodoviário de cargas.

O BNDES é o operador das linhas. O volume total é de R$ 10 bilhões, somando recursos do Tesouro Nacional e do próprio banco. Dentro desse montante, R$ 1 bilhão foi reservado exclusivamente para autônomos e cooperativas, reforçando o caráter social do programa.

A base legal veio por meio de Medida Provisória publicada em dezembro, que autorizou a destinação de recursos para renovação de frota. Na sequência, uma portaria do MDIC definiu critérios de conteúdo nacional, sustentabilidade e reciclagem. Já o Conselho Monetário Nacional fixou as condições financeiras.

Cada beneficiário poderá contratar até R$ 50 milhões em financiamentos. O prazo máximo é de cinco anos, com carência de até seis meses. As taxas variam entre 13% e 14% ao ano, já incluindo spread bancário. As operações podem contar com o Fundo Garantidor de Investimentos, que cobre até 80% do valor financiado.

Para caminhões novos, o uso do crédito está restrito a veículos produzidos no Brasil. No caso dos seminovos, será exigida comprovação de conteúdo nacional. Nessa categoria, entram caminhões fabricados a partir de 2012 e alinhados ao Proconve 7.

Iveco leva o programa à prática

A aplicação do Move Brasil já começou a sair do papel. A Iveco realizou, em Ribeirão Preto (SP), a primeira entrega simbólica de caminhões pelo programa, com a presença do vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin.

O evento marcou a transição da política pública para o chão da concessionária. Segundo Marcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina, quase 300 clientes já foram atendidos nesse primeiro movimento, com cerca de R$ 200 milhões em operações.

Para o executivo, o programa atinge o centro do problema do transporte rodoviário. O Brasil tem cerca de 2 milhões de caminhões em circulação. Dados do Sindipeças mostram que 13% da frota tem mais de 20 anos, Outros 32% superam 16 anos de uso. Essas médias são superiores a da europeia, que está em 14%.

Esse envelhecimento impacta custos, segurança, emissões e competitividade logística. Uma frota mais nova consome menos combustível, emite menos poluentes, quebra menos e entrega mais produtividade. O reflexo aparece tanto no frete quanto na segurança viária.

Impacto para gestores de frota

Para gestores de frota, o Move Brasil representa uma janela de oportunidades. A combinação de juros menores, prazos mais longos e garantias ampliadas reduz o custo total de posse e antecipa decisões que estavam represadas.

Mais do que renovar caminhões, o programa tende a melhorar indicadores operacionais, reduzir paradas não programadas e elevar o nível tecnológico da frota. Em um cenário de margens apertadas e alta competição, isso pode fazer diferença direta no resultado.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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