Parece óbvio, mas basta uma volta pela oficina de confiança para constatar o contrário: motorista e frotista só lembram dele quando o pedal começa a vibrar, quando surge um chiado metálico ou, pior, quando o veículo não para como deveria. E, geralmente, a maior negligência ocorre com os freios traseiros.
E aqui vai o alerta: não é só o freio dianteiro que importa. O traseiro — muitas vezes relegado ao esquecimento por estar escondido dentro do tambor — é fundamental para o equilíbrio da frenagem.
O que acontece quando o traseiro falha?
Segundo especialistas da Fras-le, o freio dianteiro absorve cerca de 70% da carga de frenagem, enquanto o traseiro responde por 30%. Parece pouco, mas esse “30%” é justamente o que garante estabilidade e evita que todo o esforço recaia sobre o eixo dianteiro.
Quando o traseiro perde eficiência, o dianteiro trabalha sobrecarregado. A consequência? Discos empenados, pastilhas “espelhadas” e perda real de capacidade de frenagem. Traduzindo: mais risco de acidente e mais custo de manutenção.
Tambor x disco: um duelo de décadas
Muita gente ainda se pergunta: por que, em pleno 2025, veículos de carga e até carros de passeio ainda usam tambor atrás? A resposta é simples: custo e eficiência para determinadas condições.
- Tambor: área de contato maior, boa capacidade de segurar peso em rampas e baixo custo de produção. Mas sofre para dissipar calor.
- Disco: mais moderno, dissipa calor com eficiência, responde mais rápido e tem manutenção mais simples. Por isso é regra na dianteira e, cada vez mais, no eixo traseiro dos carros médios e premium.
No transporte pesado, o tambor ainda resiste. É robusto, suporta poeira, barro e vibração. Mas exige ajuste fino e revisão periódica, coisa que boa parte das frotas simplesmente adia.

Sinais de alerta que o motorista não deve ignorar
Um freio não avisa com boletim de ocorrência, mas dá sinais claros. Se você notar:
- vibração no pedal ao frear;
- ruídos metálicos ou chiados;
- pedal duro demais ou “borrachudo”;
- luz de advertência acesa no painel;
…não hesite: é hora de levar o veículo à oficina. Ignorar esses sinais pode custar não só dinheiro, mas vidas.

Manutenção que vale mais que seguro
O coordenador de assistência técnica da Fras-le, Leandro Leite, reforça: “A falta de manutenção faz com que o freio dianteiro atue com sobrecarga para compensar a perda de eficiência da traseira. Isso provoca aquecimento excessivo e compromete todo o sistema.”
A recomendação dos especialistas é simples:
- Revisar lonas e tambores periodicamente, em média a cada 60 mil km ou a cada duas trocas de pastilhas;
- Conferir cilindros, molas e conexões hidráulicas;
- Inspecionar discos e pastilhas dianteiras para detectar empenamentos e espelhamento;
- Deixar a manutenção nas mãos de profissionais habilitados.
Conclusão: o barato sai caro
Num país com frota envelhecida, como é o caso do Brasil, onde ônibus e caminhões circulam muitas vezes acima do limite de vida útil recomendado, negligenciar o sistema de freios é flertar com o desastre.
Freio traseiro pode não brilhar tanto quanto o dianteiro, mas é ele que fecha o conjunto. Ignorá-lo é condenar o veículo a rodar capenga, arriscando carga, passageiro e motorista.
Como diriam os mais experientes da boleia: quem não cuida do freio traseiro, acaba pagando duas vezes — na oficina e no guincho.


