sexta-feira, março 20, 2026

1º Encontro Nacional de Mulheres Motoristas coloca inclusão feminina no centro do debate no transporte

A ampliação da presença feminina no transporte rodoviário de cargas e de passageiros foi foco do 1º Encontro Nacional de Mulheres Motoristas, promovido pela Fabet São Paulo, realizado nesta terça-feira (18), no Teatro da Fabet, às margens da Rodovia Castelo Branco, km 66,2, sentido Sorocaba. Das 13h às 18h, o encontro reuniu motoristas, executivos, lideranças, representantes de empresas, movimentos e imprensa especializada para discutir, de forma direta, os entraves e as oportunidades para ampliar a participação das mulheres na direção de veículos pesados.

Mais do que um evento institucional, o encontro foi um espaço de escuta, articulação e construção de caminhos concretos para acelerar sua transformação diante da necessidade de renovação de mão de obra, da pressão por práticas ESG e da busca por ambientes mais inclusivos e seguros.

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Primeiro emprego ainda é o principal gargalo para mulheres no volante

Entre os principais pontos levantados durante o encontro, o acesso à primeira oportunidade profissional apareceu como o maior desafio para que mais mulheres ingressem no transporte. Para Salete Marisa Argenton, gerente geral da Fabet, a barreira inicial ainda impede que muitas profissionais, mesmo qualificadas, consigam ocupar espaço no setor. “Um dos principais obstáculos enfrentados pelas mulheres é justamente a dificuldade de acesso à primeira oportunidade profissional”, afirma.

Segundo Salete, o problema não se limita ao ingresso no mercado. As barreiras também se manifestam dentro das próprias estruturas corporativas, em etapas decisivas para a trajetória profissional.

Na avaliação da executiva, a inclusão feminina no transporte exige uma mudança de mentalidade nas empresas e em toda a cadeia logística, já que o setor ainda carrega uma cultura predominantemente masculina — realidade que impacta desde a contratação até a evolução de carreira.

Escassez de motoristas reforça urgência de qualificação e gestão humanizada

A dificuldade de atrair novos profissionais para o transporte também apareceu como um ponto central do debate. Para Danieli Tenório, supervisora de logística da Bracell, o cenário atual impõe uma nova lógica às empresas, que precisam olhar para a formação e o acompanhamento de motoristas com mais atenção.

“Hoje está mais difícil encontrar motoristas do que reter. Por isso, investimos em qualificação e gestão humanizada”, afirma.

A fala de Danieli reforça um tema que vem ganhando força no transporte rodoviário: a inclusão feminina deixou de ser apenas uma pauta social e passou a ser também uma estratégia operacional e de sustentabilidade do negócio. Em um momento de escassez de mão de obra, ampliar o acesso de mulheres à profissão pode ser decisivo para a continuidade e a eficiência das operações.

Lideranças e empresas debatem caminhos para transformar o setor

O painel central reuniu nomes relevantes do transporte e da logística para discutir como tornar o setor mais acessível e preparado para receber mulheres em diferentes funções, especialmente na condução de caminhões e ônibus.

Fabet
Participaram do debate Ricardo Silva, Jonathan Cadina e Lívia Barros, da Coopercarga; Emerson Cardoso, da Andrade Logística; Joyce Bessa, da TransJordano; Milene Franciele Rodrigues Chaves, da Platform Science Latam; Simone Poubel, da Viação Cometa S.A.; Danieli Tenório, da Bracell; e Lis Macedo, da TIXlog.
Fabet
Sula Miranda, incentivadora da profissionalização da mulher no transporte

Também estiveram presentes representantes de movimentos que vêm impulsionando a pauta da diversidade no transporte, como Sandra Vereda, do Movimento A Voz Delas, e Sula Miranda, referência nacional quando o assunto é protagonismo feminino nas estradas.

A mediação ficou a cargo de Andrea Ramos, da revista “Transporte Mundial”, e Daniela Giopato, da revista “O Carreteiro”, que conduziram um debate marcado por relatos práticos, reflexões sobre a cultura do setor e propostas objetivas para acelerar a inclusão.

Temas críticos foram tratados com profundidade

Ao longo do encontro, os participantes abordaram temas considerados estruturais para a evolução da presença feminina no transporte, entre eles:

  • atração, retenção e desenvolvimento de mulheres no setor;
  • redução de barreiras culturais e preconceitos estruturais;
  • transição de carreira e inclusão de novos perfis profissionais;
  • escassez de mão de obra e o papel estratégico da qualificação;
  • criação de ambientes mais seguros, inclusivos e preparados para receber mulheres;
  • fortalecimento de políticas internas ligadas a diversidade e ESG;
  • valorização da imagem e da saúde da mulher no transporte.

Na prática, a discussão pontuou que o avanço da participação feminina depende de uma combinação entre capacitação técnica, abertura das empresas, revisão de processos internos, segurança operacional e mudança cultural.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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