A ampliação da presença feminina no transporte rodoviário de cargas e de passageiros foi foco do 1º Encontro Nacional de Mulheres Motoristas, promovido pela Fabet São Paulo, realizado nesta terça-feira (18), no Teatro da Fabet, às margens da Rodovia Castelo Branco, km 66,2, sentido Sorocaba. Das 13h às 18h, o encontro reuniu motoristas, executivos, lideranças, representantes de empresas, movimentos e imprensa especializada para discutir, de forma direta, os entraves e as oportunidades para ampliar a participação das mulheres na direção de veículos pesados.
Mais do que um evento institucional, o encontro foi um espaço de escuta, articulação e construção de caminhos concretos para acelerar sua transformação diante da necessidade de renovação de mão de obra, da pressão por práticas ESG e da busca por ambientes mais inclusivos e seguros.
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Primeiro emprego ainda é o principal gargalo para mulheres no volante
Entre os principais pontos levantados durante o encontro, o acesso à primeira oportunidade profissional apareceu como o maior desafio para que mais mulheres ingressem no transporte. Para Salete Marisa Argenton, gerente geral da Fabet, a barreira inicial ainda impede que muitas profissionais, mesmo qualificadas, consigam ocupar espaço no setor. “Um dos principais obstáculos enfrentados pelas mulheres é justamente a dificuldade de acesso à primeira oportunidade profissional”, afirma.
Segundo Salete, o problema não se limita ao ingresso no mercado. As barreiras também se manifestam dentro das próprias estruturas corporativas, em etapas decisivas para a trajetória profissional.
Na avaliação da executiva, a inclusão feminina no transporte exige uma mudança de mentalidade nas empresas e em toda a cadeia logística, já que o setor ainda carrega uma cultura predominantemente masculina — realidade que impacta desde a contratação até a evolução de carreira.
Escassez de motoristas reforça urgência de qualificação e gestão humanizada
A dificuldade de atrair novos profissionais para o transporte também apareceu como um ponto central do debate. Para Danieli Tenório, supervisora de logística da Bracell, o cenário atual impõe uma nova lógica às empresas, que precisam olhar para a formação e o acompanhamento de motoristas com mais atenção.
“Hoje está mais difícil encontrar motoristas do que reter. Por isso, investimos em qualificação e gestão humanizada”, afirma.
A fala de Danieli reforça um tema que vem ganhando força no transporte rodoviário: a inclusão feminina deixou de ser apenas uma pauta social e passou a ser também uma estratégia operacional e de sustentabilidade do negócio. Em um momento de escassez de mão de obra, ampliar o acesso de mulheres à profissão pode ser decisivo para a continuidade e a eficiência das operações.
Lideranças e empresas debatem caminhos para transformar o setor
O painel central reuniu nomes relevantes do transporte e da logística para discutir como tornar o setor mais acessível e preparado para receber mulheres em diferentes funções, especialmente na condução de caminhões e ônibus.


Também estiveram presentes representantes de movimentos que vêm impulsionando a pauta da diversidade no transporte, como Sandra Vereda, do Movimento A Voz Delas, e Sula Miranda, referência nacional quando o assunto é protagonismo feminino nas estradas.
A mediação ficou a cargo de Andrea Ramos, da revista “Transporte Mundial”, e Daniela Giopato, da revista “O Carreteiro”, que conduziram um debate marcado por relatos práticos, reflexões sobre a cultura do setor e propostas objetivas para acelerar a inclusão.
Temas críticos foram tratados com profundidade
Ao longo do encontro, os participantes abordaram temas considerados estruturais para a evolução da presença feminina no transporte, entre eles:
- atração, retenção e desenvolvimento de mulheres no setor;
- redução de barreiras culturais e preconceitos estruturais;
- transição de carreira e inclusão de novos perfis profissionais;
- escassez de mão de obra e o papel estratégico da qualificação;
- criação de ambientes mais seguros, inclusivos e preparados para receber mulheres;
- fortalecimento de políticas internas ligadas a diversidade e ESG;
- valorização da imagem e da saúde da mulher no transporte.
Na prática, a discussão pontuou que o avanço da participação feminina depende de uma combinação entre capacitação técnica, abertura das empresas, revisão de processos internos, segurança operacional e mudança cultural.
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