Em um mercado de trabalho brasileiro ainda afetado por alta informalidade e desemprego intermitente, o setor de plataformas digitais como os aplicativos Uber, 99, iFood, Lalamove e Loggi emerge como fonte de renda mais estável para motoristas e entregadores. Dados da PNAD Contínua do IBGE, divulgados em outubro de 2025, revelam que esses profissionais tiveram menor exposição a rupturas totais de receita em comparação a outros ocupados, graças ao acesso contínuo às plataformas.
O contingente de trabalhadores com principal renda em aplicativos atingiu 1,7 milhão no 3º trimestre de 2024, alta de 25,4% ante 2022 – ritmo bem superior aos 3% de crescimento da força de trabalho privada (empregados, empregadores e autônomos), equivalente a cerca de 2% do total.
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O estudo especial do IBGE abrange transporte, entregas de mercadorias e serviços variados, destacando a resiliência desses perfis em cenários de oscilação econômica.

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Renda variável, mas com menor volatilidade
Embora sujeita a flutuações por demanda urbana, horário e volume de corridas ou entregas, a renda desses trabalhadores revela trajetória de menor instabilidade ao longo de trimestres, diferentemente de grupos que alternam entre emprego formal, informalidade esporádica e inatividade.
A média mensal supera a dos demais no setor privado (R$ 2.996 vs. R$ 2.875), apesar de jornadas mais extensas (44,8 horas semanais vs. 39,3 horas) – o que reforça a ideia de permanência ativa como forma de estabilidade.
Lucros reais por região
Levantamento da fintech GigU confirma viabilidade financeira: em São Paulo, motoristas com 60 horas semanais lucram em média R$ 4.252 após custos operacionais; no Rio de Janeiro, R$ 3.305 para 54 horas; e em Belo Horizonte, R$ 3.555 na mesma carga.
“É uma jornada exigente, mas a autonomia e a rentabilidade, que superam algumas ocupações tradicionais, acabam sendo grandes atrativos”, avalia Luiz Gustavo Neves, cofundador e CEO da GigU.
O modelo não resolve questões como proteção social ou qualidade de vida, mas sua expansão estrutural – muito acima da média do mercado – amplia a resiliência individual em um contexto instável, priorizando atividade contínua sobre vínculos tradicionais.
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