O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte/Confins–Tancredo Neves tornou-se o primeiro do País a operar o embarque e desembarque de passageiros com ônibus 100% elétricos de produção nacional. Os dois Marcopolo Attivi Integral passam a atuar nas operações airside do terminal, um ambiente de circulação controlada que, do ponto de vista da gestão de frotas, reúne condições ideais para a eletrificação.
A iniciativa sinaliza uma mudança relevante no padrão operacional de aeroportos brasileiros e reforça uma tendência que gestores de transporte e logística já acompanham: a adoção de veículos elétricos em rotas previsíveis, com alta frequência de paradas, baixa velocidade média e infraestrutura própria para recarga.
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No caso do Aeroporto de BH, a operação com ônibus elétricos atende a requisitos estratégicos: redução de emissões locais, menor ruído nas áreas de pátio e previsibilidade operacional. Com autonomia declarada de até 280 km e tempo de recarga de até quatro horas, os veículos se encaixam em jornadas planejadas, com recargas programadas fora dos picos de operação.
Para gestores de frotas, o modelo de uso em aeroportos reduz variáveis críticas da eletrificação, como a dependência de infraestrutura pública e a incerteza de rotas. A recarga em padrão CCS-2 DC, por exemplo, permite integração com soluções já utilizadas em outros modais elétricos.
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Produção nacional e integração de sistemas
O Attivi Integral marca uma inflexão importante na indústria nacional ao ser o primeiro ônibus elétrico desenvolvido integralmente pela Marcopolo, com chassi e carroceria próprios. O projeto priorizou a nacionalização de componentes estratégicos, incluindo sistemas eletroeletrônicos, o que tende a facilitar manutenção, disponibilidade de peças e suporte técnico — fatores decisivos para operadores profissionais.
Do ponto de vista técnico, o modelo adota motor elétrico WEG com potência de pico de 385 kW e torque de 2.800 Nm, baterias LFP com até 398,6 kWh de capacidade, e sistemas consagrados de fornecedores globais, como eixos ZF e freios Knorr. O conjunto aponta para uma solução pensada para ciclos intensivos de operação urbana e aplicações especiais, como a aeroportuária.
Capacidade e layout voltados à eficiência operacional
Com 12,95 metros de comprimento, configuração Low Entry e capacidade para até 81 passageiros, o Attivi Integral entregue ao Aeroporto de BH foi configurado para maximizar o fluxo de pessoas e bagagens de mão. As três portas aceleram o embarque e desembarque, enquanto itens como ar-condicionado, monitores internos e carregadores USB agregam conforto sem comprometer a lógica operacional.
Para gestores, esse equilíbrio entre capacidade, acessibilidade e robustez reforça o potencial do modelo não apenas em aeroportos, mas também em corredores urbanos estruturados, terminais logísticos e sistemas BRT de menor extensão.
Sinal para o mercado de transporte coletivo
A adoção dos ônibus elétricos em Confins vai além do simbolismo ambiental. Ela funciona como projeto-piloto de alto impacto para operadores públicos e privados, demonstrando que a eletrificação já é viável em aplicações específicas, desde que acompanhada de planejamento energético, análise de TCO (custo total de operação) e integração com a infraestrutura existente.
Com cerca de 1.000 ônibus elétricos e híbridos já em circulação no Brasil e no exterior, a Marcopolo amplia sua presença nesse segmento ao apostar em um produto integralmente nacional. Para o setor de transporte e logística, o movimento reforça que a transição energética deixou de ser apenas um discurso e começa a se consolidar em operações reais, mensuráveis e replicáveis.


