São Paulo chega aos 472 anos no dia 25 de janeiro de 2026 graças à evolução da mobilidade de pessoas e cargas: o transporte foi a força motriz do desenvolvimento urbano, econômico e social da maior metrópole brasileira. Com mais de 12 milhões de habitantes na capital e mais de 21 milhões na região metropolitana, segundo o IBGE, a cidade cresceu seguindo os caminhos que conectaram pessoas, mercadorias e oportunidades ao longo de mais de quatro séculos.
-
Leia também:
- Caminhões e ônibus fecham 2025 sob pressão dos juros, aponta Anfavea
- Frota News amplia alcance global ao firmar parceria com a Newstex
A frota de veículos emplacados no município de São Paulo atingiu 9.954.826 unidades, segundo dados do Sinatran, com base no Renavam. O volume consolida a capital paulista como o maior mercado veicular do País e evidencia uma estrutura fortemente concentrada em automóveis e motocicletas, com impactos diretos sobre mobilidade urbana, segurança viária, emissões e a operação logística na cidade.
Automóveis seguem dominantes
Os automóveis somam 6.411.354 unidades, o equivalente a 64,4% da frota total. Apesar dos investimentos em transporte coletivo e micromobilidade, o carro permanece como principal meio de deslocamento.
Duas rodas ganham protagonismo
As motocicletas alcançam 1.346.967 unidades, enquanto as motonetas chegam a 285.963. Juntas, representam mais de 1,63 milhão de veículos, refletindo a expansão dos serviços de entrega e do trabalho por aplicativos. O crescimento desse perfil traz ganhos de agilidade logística, mas também amplia os desafios de segurança no trânsito e fiscalização.
Veículos de carga e apoio à logística urbana
A frota ligada ao transporte de cargas é expressiva e diversificada. São 146.920 caminhões, 40.202 cavalos mecânicos e 543.552 caminhonetes (picapes e chassis cabine de carga até 3.500 kg de PBT), além de 645.680 camionetas (vans de passageiros até 8 passageiros) e 265.655 utilitários (furgões). Esse conjunto sustenta o abastecimento urbano e o e-commerce, mas intensifica a disputa pelo espaço viário, especialmente em áreas centrais e corredores de alta demanda.
O município ainda registra 71.562 reboques e 50.319 semirreboques, indicadores da presença de operações logísticas de maior porte, mesmo em um ambiente urbano cada vez mais regulado por restrições de circulação e janelas de entrega.
Transporte coletivo e nichos específicos
O transporte coletivo soma 53.241 ônibus e 40.894 micro-ônibus (inclui vans com capacidade entre 9 e 20 passageiros, como a Mercedes-Sprinter 417 e 517 chassi longo). A frota inclui ainda 7.435 ciclomotores, 3.119 triciclos, 2.222 tratores de rodas, 50 tratores de esteira e 83 quadriciclos, além de categorias residuais, como side-car (151 unidades) e bondes (3 registros), estes últimos de caráter histórico.
Frota licenciada vs. frota circulante
A frota registrada de São Paulo reúne todos os veículos com licenciamento ativo no município, segundo a Senatran, mas tende a superestimar a realidade das ruas, pois inclui veículos inativos, sucateados ou transferidos sem baixa formal. Já a frota circulante considera apenas os veículos que efetivamente trafegam pela cidade, com base em estimativas da CET-SP e estudos de mobilidade, sendo menor que a registrada e mais representativa da pressão real sobre o sistema viário, ao incorporar também a circulação diária de veículos vindos de outros municípios. A estimativa da CET SP encontrada indica a circulação em torno de 7,5 milhões de veículos, sem detalhamento por tipo.
Na tabela abaixo são os dados de registro do Senatran:
| Tipo de veículo | Quantidade |
|---|---|
| TOTAL | 9.954.826 |
| AUTOMOVEL | 6.411.354 |
| BONDE | 3 |
| CAMINHAO | 146.920 |
| CAMINHAO TRATOR | 40.202 |
| CAMINHONETE | 543.552 |
| CAMIONETA | 645.680 |
| CHASSI PLATAF | 10 |
| CICLOMOTOR | 7.435 |
| MICRO-ONIBUS | 40.894 |
| MOTOCICLETA | 1.346.967 |
| MOTONETA | 285.963 |
| ONIBUS | 53.241 |
| QUADRICICLO | 83 |
| REBOQUE | 71.562 |
| SEMI-REBOQUE | 50.319 |
| SIDE-CAR | 151 |
| OUTROS | 39.444 |
| TRATOR ESTEI | 50 |
| TRATOR RODAS | 3.119 |
| TRICICLO | 2.222 |
| UTILITARIO | 265.655 |
FuMTran preserva memória da mobilidade brasileira

Desde as trilhas indígenas e rotas de tropeiros até os modernos sistemas de trilhos, a mobilidade sempre desempenhou papel estratégico na formação da capital paulista. No século XIX, as ferrovias impulsionadas pelo ciclo do café integraram São Paulo aos mercados nacional e internacional, marcando um ponto de inflexão no processo de urbanização. Já no século XX, bondes elétricos, ônibus, avenidas e rodovias acompanharam o avanço industrial e a expansão acelerada da cidade, influenciando a criação de bairros e a descentralização econômica.
A Fundação Memória do Transporte (FuMTran), que completa 30 anos em março de 2026, destaca-se como guardiã dessa trajetória. A entidade mantém um vasto acervo digital com milhares de documentos, imagens e registros que retratam a evolução do transporte no país e, especialmente, em São Paulo.
Roteiro Automotivo: Explorando a conexão entre mobilidade, gastronomia e entretenimento
Entre os materiais preservados estão registros dos primeiros caminhos da Serra do Mar, documentos do ciclo do café, arquivos sobre tropas e tropeiros, a implantação das linhas de bondes, a expansão da malha urbana e a inauguração de aeroportos como Congonhas e Guarulhos. O acervo também reúne informações sobre a integração entre trens, metrô e ônibus, elementos fundamentais para compreender a mobilidade contemporânea.
Para Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran, revisitar essa história é essencial para entender os desafios atuais da metrópole. “O transporte sempre foi um vetor de desenvolvimento de São Paulo. Cada caminho, ferrovia, linha de bonde ou sistema de trilhos implantado ao longo do tempo reflete escolhas econômicas, sociais e políticas que ajudaram a construir a cidade que conhecemos hoje”, afirma.
Metrô: marco decisivo na modernização da cidade
Entre os registros mais emblemáticos do acervo está a inauguração do Metrô de São Paulo, em 1974. O sistema surgiu como resposta ao crescimento populacional acelerado, à migração interna e à expansão urbana desordenada. A chegada dos trilhos de alta capacidade redefiniu padrões de mobilidade, estimulou o adensamento urbano e impulsionou novos polos econômicos, ao mesmo tempo em que evidenciou desigualdades entre regiões com maior e menor acesso à infraestrutura.


