A Ford transforma uma decisão técnica em estratégia comercial: a versão Black traz o pacote tecnológico da Nova Geração Ranger com motor 2.0 turbodiesel e tração 4×2, mirando frotas e usuários urbanos que priorizam Custo Total de Propriedade sem abrir mão da capacidade funcional.
A Ford parece ter encontrado uma fórmula simples e eficiente: pegue a engenharia e o apelo de uma plataforma nova e desejada, retire o item que pesa — literalmente — no custo e na manutenção, e entregue ao mercado uma variante capaz de falar tanto com frotas quanto com consumidores individuais. Nasceu assim a Ranger Black, versão que transforma o “paradoxo 4×2” em argumento de venda. Na data da avaliação, o preço público sugerido da versão Black era de R$ 242 mil, e na cotação da Fipe, de R$ 237 mil.
O efeito prático é óbvio: a Ranger Black mantém o DNA técnico da Nova Geração — conectividade, segurança e estrutura de picape média —, mas com tração traseira e combinação motor/câmbio que privilegia eficiência. O resultado, segundo dados consolidados na avaliação, é uma picape capaz de entregar níveis de consumo e um custo operacional que a aproximam do segmento intermediário, preservando capacidade de carga e reboque típicas de caminhonetes maiores.
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Enquanto as versões topo de linha consolidam imagem e desejo, a sustentação em volume depende de variantes que traduzam novidade em custo operacional viável. A Ranger Black funciona exatamente como essa ponte: construída sobre a mesma base da XLS 2.0 AT 4×4, ela elimina o sistema de tração integral e agrega um pacote estético escurecido e acessórios, entregando aparência premium sem o custo do 4×4.
Na prática, a redução de componentes — e 114 kg a menos em ordem de marcha — entrega três ganhos claros para o público alvo (frotas, serviços essenciais, operadores rurais de baixa exigência off-road e comprador urbano pragmático): preço de aquisição mais baixo, manutenção menos complexa e consumo melhorado.
Pacote: tecnologia e utilidade

A Ranger Black não economiza onde a percepção de valor é estratégica. Vem com SYNC 4 e tela de 10”, painel digital de 8”, espelhamento sem fio, carregamento por indução e conectividade 4G que alimenta o recurso de “Revisão Inteligente” via FordPass — um diferencial importante para gestão de frota: trocas e intervenções programadas com base na condição real do óleo e no uso, não apenas na quilometragem.
Na segurança, o conjunto é sólido: sete airbags de série e assistências básicas (frenagem de emergência, assistência em rampas, câmera de ré e sensores traseiros). Em iluminação, há economia pontual: faróis full LED à frente, lanternas traseiras em halógeno em algumas versões — concessões que equilibram custo e percepção.
Motor, desempenho e eficiência
O conjunto mecânico é formado pelo motor 2.0 turbodiesel (170 cv a 3.500 rpm; 405 Nm a 2.000 rpm) acoplado a uma caixa automática de seis marchas e tração 4×2 traseira. Em números práticos: 0–100 km/h em 12,0 s e velocidade máxima de 164 km/h. Mas onde a Black brilha é no consumo: testes apontam entre 8,9–10,2 km/l na cidade e 12,1–12,9 km/l na estrada — o pico rodoviário de 12,9 km/l supera o registrado em versões 4×4, confirmando a vantagem em eficiência pela redução de massa e arrasto mecânico.
Com tanque de 80 litros, a autonomia teórica chega a pouco mais de 1.000 km em condições ideais; operacionalmente, 800 km com folga para abastecimento é a referência prática recomendada.
Capacidade real de trabalho
Ao contrário de picapes intermediárias, a Ranger Black preserva critérios fundamentais de utilidade: 1.031 kg de capacidade de carga, caçamba com 1.250 litros e reboque homologado para 3.100 kg. Isso faz dela uma ferramenta mais próxima de picapes médias tradicionais do que de modelos de estilo “lifestyle”. A suspensão com eixo rígido e feixe de molas traseiro explica a robustez — e também a trepidação com caçamba vazia —, um trade-off conhecido para quem prioriza carga.
No uso urbano, a frente mais leve e a resposta da direção tornam a Ranger Black menos trabalhosa que uma 4×4 — ainda que o comprimento de 5,354 m continue a exigir atenção em manobras e vagas. Em estrada, o isolamento acústico da cabine e o comportamento em cruzeiro reforçam o caráter “carro de passeio” dentro do universo das picapes médias. Fora de estrada, a 4×2 limita a capacidade em baixa aderência; mas para serviços que transitam em asfalto ou estradas rurais conservadas, o conjunto é plenamente funcional.
TCO e impacto para frotas
Do ponto de vista de custo total de propriedade, a soma entre menor aquisição, menor peso, menor complexidade mecânica e Revisão Inteligente cria um argumento forte. Para frotas que rodam majoritariamente em áreas urbanas e rodovias, a economia de combustível e a manutenção programada por condição tendem a reduzir custos por km e aumentar disponibilidade operacional — fatores decisivos em decisões de compra corporativa.
A Ranger Black é uma jogada tática que converte restrição aparente em vantagem competitiva: ao abdicar do 4×4, a Ford entrega uma picape média moderna, com tecnologia e capacidades de trabalho superiores às de intermediárias, por um patamar de custo mais próximo deste segmento. Para frotas e usuários urbanos que buscam capacidade sem pagar por tração integral, a Black é uma alternativa lógica e economicamente inteligente. Resta à Ford a tarefa de comunicar esse valor sem deixar que a ausência do 4×4 seja vista como limitação — porque, no caso desta Ranger, é exatamente o contrário.
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