quinta-feira, janeiro 29, 2026

Mercedes-Benz e Be8 cruzam o Brasil testando biocombustível 100% renovável

A Mercedes-Benz do Brasil e a Be8 iniciaram em 21 de outubro, em Passo Fundo (RS), a “Rota Sustentável COP 30”, uma jornada de mais de 4 mil quilômetros rumo ao Pará. A ação, que fez paradas em São Bernardo do Campo (SP) e Brasília (DF), está diretamente relacionada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) e tem como objetivo demonstrar, na prática, os benefícios ambientais dos biocombustíveis no transporte rodoviário. Durante o trajeto, caminhões Actros e ônibus rodoviários O 500 RSD da Mercedes-Benz realizam testes comparativos entre o diesel comercial B15 e o biocombustível 100% renovável Be8 BeVant.

O Instituto Mauá de Tecnologia é o responsável por medir e comparar as emissões de CO₂ equivalente (CO₂e) geradas pelos veículos, utilizando metodologias reconhecidas internacionalmente, como o GHG Protocol e a ISO 14064. O estudo busca comprovar a eficiência ambiental do Be8 BeVant, alinhando-se a políticas e certificações como o RenovaBio e o ISCC. Os resultados deverão demonstrar como a substituição parcial ou total do diesel fóssil por biocombustíveis pode reduzir significativamente os gases de efeito estufa e acelerar a descarbonização do transporte pesado.

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Conheça o Be8 BeVant

No coração do Rio Grande do Sul, em Passo Fundo, uma inovação silenciosa está prestes a chacoalhar o mercado de combustíveis. Enquanto o mundo debate metas de carbono zero e alternativas viáveis aos combustíveis fósseis, uma empresa brasileira resolveu acelerar essa conversa — e já tem combustível pronto no tanque. O nome da solução: Be8 BeVant. O nome pode parecer técnico, mas a promessa é ambiciosa: um biocombustível 100% renovável, capaz de substituir integralmente o diesel fóssil em motores já existentes.

Mais do que um novo produto, o BeVant é o resultado de quase duas décadas de experiência da Be8 no setor de energias renováveis. Lançado oficialmente em outubro de 2023, o BeVant é uma alternativa realista.

Caminhões movidos a biodiesel puro? Entenda os testes que estão sendo realizados

Ao contrário de outras soluções que dependem de adaptações técnicas caras ou novos motores, o BeVant pode ser usado puro (100%) em motores a diesel convencionais, inclusive os de padrão Euro 5 e Euro 6. E mais: ele melhora a lubrificação do motor, dispensa aditivos e ainda é compatível com toda a infraestrutura atual de transporte e armazenamento de combustível.

Na prática, ele é um metil-éster bidestilado, livre de água e contaminantes, com altíssimo índice de pureza. O visual chama atenção: tem uma coloração esverdeada, bem diferente do diesel que conhecemos. Mas o que realmente impressiona são os números: redução de até 50% das emissões de gases de efeito estufa nos testes de bancada — e mais de 90% em avaliações “tanque a roda”, feitas em situações reais de transporte.

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Validação nas estradas e nos bastidores

Antes de chegar ao mercado, o BeVant passou por uma bateria de testes em parceria com pesos-pesados da indústria. O combustível foi validado por empresas como Mahle e FPT Industrial (fabricante de motores do Grupo Iveco), além do Centro Tecnológico Randon, referência em testes de durabilidade veicular. Mais de 30 aplicações foram analisadas: caminhões, ônibus, tratores, locomotivas, geradores estacionários — o BeVant foi colocado à prova em todos os terrenos.

E os resultados foram positivos: nenhum problema de adaptação, desempenho equivalente ou superior ao diesel tradicional e, claro, uma pegada ambiental drasticamente reduzida. A experiência chamou a atenção de grandes operadores. A Gerdau, por exemplo, começou a testar o combustível em suas operações de mineração. No Aeroporto de Congonhas, tratores de bagagens e viaturas operacionais já estão rodando com BeVant. E em Passo Fundo, a prefeitura adotou o biocombustível em parte da sua frota municipal.

Produzido no Brasil, com olhos no mundo

A fábrica da Be8 em Passo Fundo, que já produzia biodiesel, recebeu investimento de R$ 50 milhões para adaptar sua linha ao BeVant. A capacidade inicial é de 28 milhões de litros por ano — volume ainda modesto, mas com margem para crescimento. A empresa já comprou outras três fábricas (no Mato Grosso, Pará e Piauí) e mira a expansão nacional e internacional. Escritórios comerciais em Genebra e Dubai já prospectam vendas externas.

E há uma dimensão ambiental ainda mais interessante: o BeVant é feito, em parte, com óleo de cozinha usado. Um exemplo de economia circular que transforma resíduo doméstico em energia limpa, criando emprego e renda no caminho.

A longo prazo, o diesel verde (HVO) e o hidrogênio verde ainda são promessas tecnológicas. Mas são caras, complexas e distantes da escala necessária. O BeVant, por outro lado, é o “verde possível” do agora — e 100% nacional.

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Marcos Villela Hochreiter
Marcos Villela Hochreiterhttps://www.frotanews.com.br
Atuo como jornalista no setor da mobilidade desde 1989 em diversas redações. Também nas áreas de comunicação da Fiat e da TV Globo, e depois como editor da revista Transporte Mundial por 22 anos, e diretor de redação de núcleo da Motor Press Brasil. Desde 2018, represento o Brasil no grupo do International Truck of the Year (IToY), associação de jornalistas de transporte rodoviário de 34 países. Desde 2021, também atuo como colaborador na Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, entidade educacional sem fins lucrativos). Em 2023, fundei a plataforma de notícias de transporte e logística Frota News, com objetivo de focar nos temas que desafiam as soluções para gestão de frotas.
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