A Mercedes-Benz do Brasil e a Be8 iniciaram em 21 de outubro, em Passo Fundo (RS), a “Rota Sustentável COP 30”, uma jornada de mais de 4 mil quilômetros rumo ao Pará. A ação, que fez paradas em São Bernardo do Campo (SP) e Brasília (DF), está diretamente relacionada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) e tem como objetivo demonstrar, na prática, os benefícios ambientais dos biocombustíveis no transporte rodoviário. Durante o trajeto, caminhões Actros e ônibus rodoviários O 500 RSD da Mercedes-Benz realizam testes comparativos entre o diesel comercial B15 e o biocombustível 100% renovável Be8 BeVant.
O Instituto Mauá de Tecnologia é o responsável por medir e comparar as emissões de CO₂ equivalente (CO₂e) geradas pelos veículos, utilizando metodologias reconhecidas internacionalmente, como o GHG Protocol e a ISO 14064. O estudo busca comprovar a eficiência ambiental do Be8 BeVant, alinhando-se a políticas e certificações como o RenovaBio e o ISCC. Os resultados deverão demonstrar como a substituição parcial ou total do diesel fóssil por biocombustíveis pode reduzir significativamente os gases de efeito estufa e acelerar a descarbonização do transporte pesado.
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Conheça o Be8 BeVant
No coração do Rio Grande do Sul, em Passo Fundo, uma inovação silenciosa está prestes a chacoalhar o mercado de combustíveis. Enquanto o mundo debate metas de carbono zero e alternativas viáveis aos combustíveis fósseis, uma empresa brasileira resolveu acelerar essa conversa — e já tem combustível pronto no tanque. O nome da solução: Be8 BeVant. O nome pode parecer técnico, mas a promessa é ambiciosa: um biocombustível 100% renovável, capaz de substituir integralmente o diesel fóssil em motores já existentes.
Mais do que um novo produto, o BeVant é o resultado de quase duas décadas de experiência da Be8 no setor de energias renováveis. Lançado oficialmente em outubro de 2023, o BeVant é uma alternativa realista.
Caminhões movidos a biodiesel puro? Entenda os testes que estão sendo realizados
Ao contrário de outras soluções que dependem de adaptações técnicas caras ou novos motores, o BeVant pode ser usado puro (100%) em motores a diesel convencionais, inclusive os de padrão Euro 5 e Euro 6. E mais: ele melhora a lubrificação do motor, dispensa aditivos e ainda é compatível com toda a infraestrutura atual de transporte e armazenamento de combustível.
Na prática, ele é um metil-éster bidestilado, livre de água e contaminantes, com altíssimo índice de pureza. O visual chama atenção: tem uma coloração esverdeada, bem diferente do diesel que conhecemos. Mas o que realmente impressiona são os números: redução de até 50% das emissões de gases de efeito estufa nos testes de bancada — e mais de 90% em avaliações “tanque a roda”, feitas em situações reais de transporte.
Validação nas estradas e nos bastidores
Antes de chegar ao mercado, o BeVant passou por uma bateria de testes em parceria com pesos-pesados da indústria. O combustível foi validado por empresas como Mahle e FPT Industrial (fabricante de motores do Grupo Iveco), além do Centro Tecnológico Randon, referência em testes de durabilidade veicular. Mais de 30 aplicações foram analisadas: caminhões, ônibus, tratores, locomotivas, geradores estacionários — o BeVant foi colocado à prova em todos os terrenos.
E os resultados foram positivos: nenhum problema de adaptação, desempenho equivalente ou superior ao diesel tradicional e, claro, uma pegada ambiental drasticamente reduzida. A experiência chamou a atenção de grandes operadores. A Gerdau, por exemplo, começou a testar o combustível em suas operações de mineração. No Aeroporto de Congonhas, tratores de bagagens e viaturas operacionais já estão rodando com BeVant. E em Passo Fundo, a prefeitura adotou o biocombustível em parte da sua frota municipal.
Produzido no Brasil, com olhos no mundo
A fábrica da Be8 em Passo Fundo, que já produzia biodiesel, recebeu investimento de R$ 50 milhões para adaptar sua linha ao BeVant. A capacidade inicial é de 28 milhões de litros por ano — volume ainda modesto, mas com margem para crescimento. A empresa já comprou outras três fábricas (no Mato Grosso, Pará e Piauí) e mira a expansão nacional e internacional. Escritórios comerciais em Genebra e Dubai já prospectam vendas externas.
E há uma dimensão ambiental ainda mais interessante: o BeVant é feito, em parte, com óleo de cozinha usado. Um exemplo de economia circular que transforma resíduo doméstico em energia limpa, criando emprego e renda no caminho.
A longo prazo, o diesel verde (HVO) e o hidrogênio verde ainda são promessas tecnológicas. Mas são caras, complexas e distantes da escala necessária. O BeVant, por outro lado, é o “verde possível” do agora — e 100% nacional.


