A Iveco transformou a Argentina em um laboratório de veículos a gás para o transporte de cargas e passageiros na América Latina. O país vizinho se consolidou como polo estratégico do Iveco Group, antecipando tendências que vão chegar ao mercado brasileiro. Com informações de colegas jornalistas argentinos, a Frota News publica uma análise sobre esta fase da marca italiana e sobre a Semana da Mobilidade Sustentável, realizada em Córdoba até o último dia 22 de setembro.
O Iveco Group apresentou seu portfólio multienergético, que inclui caminhões e ônibus movidos a gás natural, biometano e comercial leve elétrico, alguns já à venda no Brasil. O evento contou com test-drives, demonstrações técnicas e a participação da FPT Industrial, braço de powertrain do grupo, que destacou o desenvolvimento local dos motores a gás e das soluções em eletrificação.
Estratégia multienergética: diesel, gás, biometano e eletrificação
O Iveco Group aposta em uma estratégia que combina quatro pilares: Diesel Euro 6, em linha com as normas mais rígidas de emissões; gás natural (GNV/GNL), aproveitando a abundância do recurso de transição para o biometano na Argentina; biometano, considerado o combustível renovável mais promissor para a descarbonização; e tecnologias elétricas, voltadas para operações urbanas.
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Na fábrica de Córdoba, a FPT Industrial iniciou a produção local de motores a gás (N60 NG, N67 NG e Cursor 13 NG). Eles atendem à regulamentação Euro 6, equivalente à norma brasileira P8 do Proconve, dispensam o uso de Arla 32 e operam com combustão estequiométrica e catalisador de três vias. Essa produção regional fortalece o papel do gás natural para redução de 15% das emissões de CO₂ e do biometano para uma redução mais efetiva, de até 95%, além de ser um gás que transforma passivos ambientais, como aterros sanitários, em ativos, como biocombustível, gerando a chamada Economia Circular.

O portfólio Alternative Power
Na Semana da Mobilidade Sustentável, a Iveco apresentou sua linha Alternative Power (AP), que já cobre desde veículos leves até pesados:
- E-Daily: 100% elétrico, focado em operações urbanas e de última milha.
- Daily NG: versão a gás natural/biometano, com autonomia de até 300 km para logística urbana.
- Tector NG: caminhão médio a gás, fabricado em Córdoba, para até 16t. Foi o primeiro modelo GNC homologado e produzido na Argentina, e apresentado na última Fenatran, no Brasil.
- S-Way NG: pesado para longas distâncias, com motor Cursor 13 de 460 cv, torque de 2.000 Nm e autonomia de até 700 km com GNL/biometano, já à venda no Brasil
- BUS GNC (170G21): chassi urbano movido a gás, também fabricado localmente e apresentado na última Lat.Bus, no ano passado.
Essa gama cobre operações urbanas, interurbanas e de longa distância, sinalizando que a Iveco não enxerga a descarbonização como um caminho único, mas sim como uma rota de múltiplas soluções energéticas.

Transporte público
A Iveco Bus também é protagonista na mobilidade sustentável de passageiros na Argentina. Um marco recente foi a entrega de 20 chassis BUS 17-210 G à empresa Metropol, em Escobar, na Grande Buenos Aires, tornando o município o primeiro da Argentina a operar uma linha de ônibus 100% a gás natural. No Brasil, o protagonismo mais recente é da Scania e da Agrale, em um passado mais distante, foi a Mercedes-Benz.
Essa experiência reforça o potencial da tecnologia para o transporte público, com benefícios que incluem redução de até 95% de NOx e material particulado e queda de até 5 decibéis no ruído, contribuindo tanto para o quanto para a qualidade de trabalho do condutor, passageiros e vida urbana.
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Benefícios ambientais e econômicos
O uso de gás natural reduz em até 15% as emissões de CO₂, e, quando substituído pelo biometano, esse índice pode chegar a 95%. Já a tecnologia Euro 6 proporciona 50% menos partículas e até 80% de redução de óxidos de nitrogênio (NOx) em relação ao Euro 5.
Além da questão ambiental, há ganhos econômicos. Segundo executivos da empresa, o custo operacional do gás natural oferece competitividade frente ao diesel, especialmente em países como a Argentina, que contam com grandes reservas — caso do campo de Vaca Muerta.
O Brasil tem maior potencial com o biometano, principalmente, produzidos a partir de resíduos. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), há cerca de 670 aterros sanitários regularizados, e mais de 3 mil “lixões a céu aberto”, conforme a Confederação Nacional de Municípios.
Inclusive, além de embarcadores, já há transportadora com frota de caminhões a gás e com posto de abastecimento de biometano dentro da garagem, como o exemplo da Jomed Transportes em Guarulhos (SP):
Conheça quanto custa e funciona o posto de biometano dentro da Jomed Transportes
O que isso sinaliza para o Brasil
Com mais de 56 anos de presença industrial na Argentina, a Iveco aproveita a experiência no país vizinho como termômetro estratégico para a América Latina. A aposta no gás natural e no biometano pode servir de atalho para a descarbonização do transporte no Brasil, onde a infraestrutura de GNV cresce em regiões metropolitanas e corredores logísticos. Além disso, o potencial do biogás e biometano cresce com a agroindústria e o setor de resíduos.
O Brasil já conta com mais de 1.600 usinas de biogás. Em março de 2025, havia 11 usinas de biometano em operação, além de outras 17 em fase de construção ou em processo de licenciamento para início das atividades. Tradicionalmente utilizado na geração de eletricidade, o biogás vem sendo cada vez mais purificado para se tornar biometano, combustível renovável destinado ao uso veicular.
Além disso, o fato de a fábrica de Sete Lagoas (MG) já compartilhar tecnologias com Córdoba amplia a probabilidade de que os modelos lançados na Argentina cheguem ao mercado brasileiro em curto ou médio prazo, principalmente os médios e pesados a gás.
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